Com escala global, os preços da 3G vão cair rapidamente.


{mosimage}A sueca Ericsson prevê aumentar 10% o seu faturamento no mercado brasileiro em 2008, desempenho esperado com os novos investimentos nas redes de terceira geração da telefonia móvel. Para seu presidente, Johan Wibergh, a principal contribuição dessa nova tecnologia para o Brasil será a oferta de acesso banda larga à internet em diferentes pontos do território, suprindo, assim, a ainda carente infra-estrutura nacional. 

A sueca Ericsson prevê aumentar 10% o seu faturamento no mercado brasileiro em 2008, desempenho esperado com os novos investimentos nas redes de terceira geração da telefonia móvel. Para seu presidente, Johan Wibergh, a principal contribuição dessa nova tecnologia  será a oferta de acesso banda larga à internet em diferentes pontos do território, suprindo, assim, a ainda carente infra-estrutura nacional. A empresa implantou as redes 3G nas freqüências de 850 MHz da Claro e Telemig Celular e já foi contratada pela Tim para construir a nova rede em São Paulo. No mundo, ela possui 45% do market share dos produtos GSM/WCDMA. 

Tele.Síntese – Agora que o leilão da terceira geração finalmente ocorreu, iniciativa que a Ericsson pleiteava  há mais de ano, qual é a sua expectativa para o mercado brasileiro?
Johan Wibergh –
Estamos muito felizes com o leilão. Essas licenças estavam prometidas há muito tempo, e é muito bom que elas finalmente foram vendidas.

Tele.Síntese – Você acredita que será possível levar a banda larga móvel para as pequenas cidades, como propôs a Anatel?
Wibergh –
O edital criou uma boa saída, ao estabelecer metas de cobertura para serem cumpridas em alguns anos.

Tele.Síntese – Como é possível ampliar a cobertura de 3G, se os aparelhos celulares ainda estão muito caros?
Wibergh –
Os preços estão caindo. Se compararmos com os aparelhos GSM, é claro que estes são muito mais baratos, afinal, estão no mercado há quase 15 anos. Com a 3G, os aparelhos começarão a ser comprados por quem tem mais dinheiro, mas rapidamente seus preços irão cair. Não acredito que os preços serão uma barreira para a adoção da terceira geração no Brasil.

Tele.Síntese – Você imagina que, nas cidades menores que ainda não têm a cobertura de celular, as operadoras começarão diretamente com a 3G, ou irão optar por  instalar a rede de segunda geração?
Wibergh –
Acredito que a decisão das empresas será a de redirecionar as atuais redes de segunda geração para essas pequenas cidades e instalar a 3G nos grandes centros urbanos.

Tele.Síntese – Quais os serviços que virão com a nova rede?
Wibergh –
Banda larga. Banda larga móvel, para a conexão à internet, esta, sem dúvida, será a mais importante contribuição da 3G. O Brasil ainda tem um grande problema com essa infra-estrutura, há ainda muitos problemas com as velocidades disponíveis, com a falta de conexão. Em muitas cidades, mesmo que o cliente queira, não há disponibilidade de oferta. Com a 3G, a oferta se ampliará muito rapidamente.

Tele.Síntese – Quando chegou ao Brasil para dirigir a empresa, disse estar estranhando as tarifas de telefonia celular, que considerava altas, frente ao que estava acostumado em outras partes do mundo. Ainda as considera altas?
Wibergh –
Acho que ainda estão um pouco altas, mas sei também que elas estão caindo. Diferentes empresas estão anunciando tarifas mais acessíveis e a competição, naturalmente, forçará os preços para baixo.

Tele.Síntese – E quanto aos preços da banda larga móvel, você acredita que as ofertas das operadoras de celular conseguirão ser mais baixas do que os pacotes oferecidos pelas empresas de telefonia fixa ou de TV a cabo?
Wibergh –
Ainda é cedo para dizer. Mas o preço de 1Mbt da banda larga brasileira já está bem próximo aos valores internacionais. Setenta reais por mês é um valor bem competitivo.

Tele.Síntese – Mas ainda distante da renda média do brasileiro.
Wibergh –
Chegar às rendas mais baixas, realmente é um desafio. Mas é bom lembrar que, o governo, ao tirar os impostos dos computadores, provocou uma explosão de demanda. Os números da indústria estão aí para mostrar. Mas, qual é o significado de se ter um computador e não se poder usá-lo mais intensamente?

O ideal seria  que os governos diminuíssem os impostos da banda larga, para estimular o uso dos computadores. No caso dos computadores, ficou provado que, mesmo com a redução dos impostos, as receitas não diminuíram. Como o consumo da banda larga ainda é pequeno, o ideal é que os impostos sejam reduzidos neste momento,   pois se trata de expectativa de receita, não afetando, assim, o caixa atual dos governos.  

Tele.Síntese – A UIT acaba de alocar mais freqüências globais para as novas gerações da telefonia celular. O continente americano destinou a faixa de 700 MHz (hoje ocupada pelos canais analógicos de TV) para essas novas tecnologias móveis, menos o Brasil. Você fica preocupado com a posição brasileira?
Wibergh –
É importante que sejam alocadas freqüências globais, pois podem ser criados também padrões globais. Telecomunicações demandam pesados investimentos e os projetos globais, como o GSM, demonstraram que dão certo porque os preços caem substancialmente. Os telefones de celulares atuais têm mais capacidade de processamento do que o primeiro foguete Apolo que chegou à Lua. Isso só é possível com a escala global.

Tele.Síntese – Quais são as projeções da Ericsson para 2008?
Wibergh –
Devemos crescer 10% frente ao faturamento líquido de 2007, que fechará próximo ao de 2006, de R$ 2,4 bilhões, crescimento esse sustentado também pelos novos investimentos a serem realizados no Brasil nas redes de terceira geração.

Tele.Síntese – A Ericsson não aposta na tecnologia WiMAX. Não está preocupada com o fato de ela ter sido encampada pela UIT também como uma tecnologia IMT?
Wibergh –
Não. Por que estamos convencidos que, no mundo das telecomunicações, escala global é fundamental. E a minha preocupação sobre o WiMAX é que essa tecnologia não está conseguindo se tornar global. Acho que vai ser duro para essa tecnologia competir, por exemplo, com a 3G, que já é um padrão mundial. Sem essa escala, os aparelhos  WiMAX serão mais caros, haverá poucos modelos. É por isso que a Ericsson decidiu não desenvolver essa tecnologia. Nós acreditamos nos produtos globais.  

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