Com a provável saída da Telecom Italia, como ficarão a Brasil Telecom e a TIM?


28/07/2006 – Desta vez, a avaliação do mercado é de que a decisão da Telecom Italia, anunciada esta semana pelo seu presidente Marco Trochetti Provera, de vender a participação da operadora na Brasil Telecom não é parte do jogo da negociação para comprar a parte dos demais sócios. Ou seja, é para valer. Com alto …

28/07/2006 – Desta vez, a avaliação do mercado é de que a decisão da Telecom Italia, anunciada esta semana pelo seu presidente Marco Trochetti Provera, de vender a participação da operadora na Brasil Telecom não é parte do jogo da negociação para comprar a parte dos demais sócios. Ou seja, é para valer. Com alto endividamento, que soma mais de 41 bilhões de euros, e compromissos que vencem em outubro, a venda de sua participação, de 38%, no controle da BrT é uma saída para Provera não perder o controle da Olimpia, a holding que controla a Telecom Italia. Se o anúncio, visto com ceticismo por analistas do mercado brasileiro que entendem que ela ainda pode voltar à posição de compradora, derrubou as ações da Brasil Telecom e da TIM, na Itália teve efeito contrário. Foi muito bem recebida pelo mercado.

Mas não são só as dívidas que teriam levado Provera a se decidir pela venda do ativo na concessionária brasileira. Segundo executivos do mercado, além da interminável briga societária e das dificuldades de chegar a um acordo com os fundos e o Citibank sobre a operacionalização da compra, e não sobre o valor, Provera teria uma avaliação de que o investimento, num mercado em retração e com turbulência nas regras regulatórias, não valeria a pena.

A eventual saída da Telecom Italia da Brasil Telecom deixa uma dúvida no mercado. Quem vai comprar a empresa, já que os demais sócios – fundos e Citi – também se dizem vendedores? A Portugal Telecom, que já chegou a ser considerada uma forte candidata na medida em que deverá sair da Vivo, vendendo sua parte para a Telefónica, saiu do páreo agora que tem futuro incerto e pode ser vendida. A compra de seu controle pelo grupo português Sonae, que fez uma oferta em fevereiro, está sendo analisada pela Autoridade de Concorrência, o Cade português. E há outros interessados. Com isso, hoje, a única interessada (o que não quer dizer não possa aparecer um candidato a qualquer momento) é a Telemar, que nunca escondeu seu desejo de ampliar sua área de operação. Há sérias barreiras regulatórias a serem enfrentadas. Mas seus controladores e executivos parecem dispostos a ir à luta, se conseguirem fazer, com êxito, a pulverização de capital que, tudo indica, ficará para o ano que vem.

Operação solteira

Se há um certo consenso entre executivos, incluindo aí alguns ligados à própria Telecom Italia, de que Provera não estaria blefando, a sobrevivência da TIM Brasil enquanto uma operação solteira, móvel pura, sem sinergia com uma operação fixa, enfrenta análises divergentes. Há aqueles que entendem que sua sobrevida é curta pois, com a tendência de redução da VU-M (a tarifa paga pelas fixas para a utilização da rede móvel), em dois a três anos ela deixaria de ser uma operação interessante, embora seu bom desempenho atual, creditado ao seu presidente e à equipe que montou, venha surpreendendo o mercado.

Nesse caso, o comprador potencial, na avaliação de analistas,, seria a Claro do grupo Slim. A Brasil Telecom, embora precise fortalecer sua operação móvel que é pequena não teria cacife, pois seu valor de mercado é pouco mais da metade do valor da TIM (enquanto o mercado precifica uma operadora fixa em 2,5 a 3 vezes o seu Ebtida, a móvel vale de 8 a 9 vezes).
Mas há uma corrente que aposta no sucesso de uma operação móvel pura, e não concorda com a tese   de que a VU-M vai, necessariamente, cair quando entrar o modelo de custos “Não se pode olhar o futuro, com os conceitos tradicionais do funcionamento das operadoras de telecom”, diz um executivo. Para ele, vai sobreviver quem souber gerar produtos de valor adicionado, buscar boas parcerias para diferentes ofertas de conteúdo, souber usar a infra-estrutura existente de quem quer que seja e, principalmente, tiver brand e clientes. Segundo esse analista, embora a Telecom Italia tenha se desfeito de vários ativos na América Latina, dificilmente ela se desfará, no horizonte que ele consegue enxergar, da TIM Brasil. Ser multinacional na Itália, diz ele, alivia a pressão do regulador. Além do caixa que a TIM Brasil gera e das oportunidades de crescimento, esse seria um bom motivo, insiste, para Provera pensar várias vezes antes de se desfazer dessa ativo. Mas como no mundo dos negócios não existem verdades absolutas, só o tempo dirá quem tem razão.

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