CNJ suspende contratação da Microsoft pelo TJSP


 

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) suspenda a contratação direta da Microsoft para o desenvolvimento de plataforma de processos eletrônicos e infraestrutura de tecnologia, mediante uso de ambiente eletrônico em nuvem. A decisão, em caráter liminar, já válida, terá que se examinada pelo plenário do colegiado.

O contrato prevê a destinação de R$ 1,3 bilhão para que a Microsoft preste serviço de criação de estratégia de longo prazo na área digital e tecnológica, incluindo o desenvolvimento de um novo sistema de tramitação processual.

A decisão do CNJ foi proferida pelo conselheiro Márcio Schiefler Fontes, presidente da Comissão de Tecnologia da Informação e Infraestrutura. Em seu voto, o conselheiro diz que a contratação “direta” (sem licitação), por valor que se aproxima da casa de um bilhão e meio de reais, de empresa estrangeira, a qual promoverá, conforme noticiado, “computação na nuvem” com recursos de hardware e plataformas de desenvolvimento de serviços acessados virtualmente.

“É dizer que empresa estrangeira, em solo estrangeiro, manterá guarda e acesso a dados judiciais do Brasil, onde a intensa judicialização reúne, nos bancos de dados dos Tribunais, uma infinidade de informações sobre a vida, a economia e a sociedade brasileira, o que, ressalvadas as cautelas certamente previstas, pode vir a colocar em risco a segurança e os interesses nacionais do Brasil, num momento em que há graves disputas internacionais justamente acerca dessa matéria”, afirma o conselheiro.

Na decisão, o conselheiro determina que o TJSP apresente informações ao CNJ sobre a transação em 10 dias.

Redução de custos

O presidente do TJ-SP, Manoel Pereira Calças, divulgou nota defendendo a contratação da Microsoft. Ele afirma que a compra proporcionará, em 10 anos, uma economia de quase R$ 1 bilhão ao Tribunal de Justiça, além de, após 5 anos, uma economia anual de aproximadamente 40% em relação ao gasto atual.

– A nova contratação veio para solucionar problemas históricos frequentes durante a vigência do atual modelo [da justiça digital]. Visa sobretudo à inovação, incorporando novas tecnologias, com o intuito de proporcionar melhor serviço público à população em geral, tornando a Justiça mais acessível, o que não era possível diante do esgotamento do sistema vigente”, ressalta.

Calças diz ainda que a contratação da Microsoft foi pautada pela total e irrestrita observância aos princípios da moralidade, economicidade, legalidade, eticidade e respeito ao erário. Ademais, foi executada em atenção ao interesse público e no pleno exercício da autonomia administrativa e financeira, constitucionalmente assegurada.” Cabe destacar que o contrato assinado prevê respeito ao marco legal da proteção de dados dos usuários e não importa qualquer risco à segurança, tendo esta Corte adotado todas as cautelas necessárias”, salientou na nota, confiando na reversão da liminar.(Com assessorias de imprensa)

 

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