Classe C em evidência na indústria de telecom


O topo da pirâmide do mercado brasileiro conta com diversas opções de acesso à internet banda larga, e já é atendido por uma gama de serviços de telecomunicações. Com este segmento chegando próximo ao saturamento, a indústria de telecom agora se volta à classe C como próximo foco de crescimento. “São 32 milhões de residências …

O topo da pirâmide do mercado brasileiro conta com diversas opções de acesso à internet banda larga, e já é atendido por uma gama de serviços de telecomunicações. Com este segmento chegando próximo ao saturamento, a indústria de telecom agora se volta à classe C como próximo foco de crescimento. “São 32 milhões de residências cuja renda familiar é inferior aos R$ 2 mil por mês, um grande mercado ainda pouco explorado”, destacou hoje Rodrigo Uchôa, diretor de desenvolvimento da Cisco do Brasil, durante o 13º Encontro Tele.Síntese, que discute alternativas para massificar a banda larga no país. Ele avalia que, neste segmento, “o desafio é atingir a meta de cobrar algo próximo a R$ 50 por mês para oferecer a uma família um computador e acesso banda larga”.

Pensando especificamente na classe C, a Net lançou no mês passado uma oferta combinada que reúne TV aberta, voz, e conexão à internet com 100 Kbps de velocidade, por R$ 39,90. “Custa menos que a assinatura básica da telefonia fixa, e é uma oferta muito competitiva tanto para a classe de baixa renda que já tem telefone fixo, quanto para a parcela que ainda não tem”, ressaltou André Borges, diretor executivo corporativo da Net Serviços. Ele afirma que o pacote se encontra “no limite entre o necessário e o útil”, e reforça a intenção da operadora em se aprofundar nesse segmento: “quanto mais massa crítica você ganha, maior a possibilidade de descer para esse mercado”. A oferta está disponível em quase todas as 77 cidades nas quais a Net opera, mas não deverá ser expandida para mais cidades este ano, afirmou o executivo.

Para Uchôa, a competição é a chave para a massificação do acesso à internet banda larga no país, e a telefonia móvel de terceira geração (3G) será um dos principais incentivos para uma maior concorrência. “A banda larga móvel é uma forte alternativa para competir com o acesso fixo, e hoje já há operadoras lá fora replicando nas móveis o modelo das fixas, deixando o poder de escolha de conteúdo totalmente com o usuário”, explicou. Ele cita também as Cidades Digitais como outro fator importante para o desenvolvimento da banda larga no Brasil. “As Cidades Digitais têm muita relevância neste processo, mas é importante evitar alguns perigos, como por exemplo o governo querer atuar como operador, o que não é o seu papel”, salienta o executivo. Para ele, o governo deve assegurar a participação dos quase 1.500 provedores locais, que conhecem as comunidades onde atuam e são uma peça importante na ampliação da oferta de banda larga no país. “A melhor maneira de massificar a internet no Brasil é com políticas públicas eficientes”, concluiu.

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