Claro Brasil inicia projeto de renovação do backbone já de olho na 5G


Operadora vai integrar redes legadas IP e ópticas de Claro e Embratel em uma só, usando tecnologia fotônica. Capacidade da rede poderá aumentar em até cinco vezes em alguns trechos. Iniciativa prepara a infraestrutura para o aumento da demanda por dados, ao mesmo tempo em que se reduz custos com manutenção.

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A Claro Brasil está atualizando seu backbone nacional de longa distância. A companhia comprou tecnologia fotônica, que integra o transporte IP e óptico, a fim de reduzir custos com a duplicidade de equipamentos. Ao mesmo tempo, multiplicará a capacidade da rede de transporte.

A intenção é preparar a rede, e sua capacidade, para o crescimento de demanda por dados e a chegada da 5G, a tecnologia móvel que deve multiplicar as velocidades de tráfego.

André Sarcinelli (foto), diretor de engenharia da Claro Brasil, explica ao Tele.Síntese que 70 mil km de rede de fibra óptica serão renovados. O projeto prevê migrar 90% dos sistemas ainda este ano, e finalizar no começo de 2019. “A capacidade de transporte no backbone de longa distância vai aumentar. Vai passar de 400 Gbps para 1 ou 2 Tbps, dependendo do trecho”, explica.

Ele não revela o investimento total na iniciativa, que tem como principais fornecedores Nokia e Cisco. Mas diz que o resultado final será a melhoria da velocidade dos acessos de banda larga fixa e da rede móvel. “O backbone de longa distância que está sendo renovado faz parte da nossa rede de 210 mil km de fibra que atende as estações radiobase na telefonia móvel e a rede de acesso da banda larga fixa da Net”, diz.

Com a iniciativa, ele espera que a Claro abra novos modelos de negócios. “A nova rede fotônica já será preparada para a chegada da 5G. Tem entre os recursos algumas capacidades, como a virtualização de funções de rede, criação de redes definidas por software ou o ‘slicing’, que permite atribuir diferentes SLA conforme o serviço prestado, como é o caso de internet das coisas ou SD-WAN“, acrescenta.

Rede inteligente pronta para a 5G

Sarcinelli conta que a Claro Brasil tem quatro grandes redes de transporte de longa distância. Uma, IP, e outra, óptica administradas pela Embratel, e outras também IP e óptica, sob a tutela da Claro. O projeto prevê a integração de todas em uma só rede fotônica, capaz de funcionar ora como rede IP, ora como rede óptica de forma automatizada.

“A gente tinha duas malhas IP e óptica de cada empresa. Tinha sistemas para operar tudo em separado, tinha duplicidade de custos. Decidimos fazer a integração dessas redes, já visando a evolução da tecnologia dessas redes. Estamos substituindo todos os roteadores e elementos ópticos por equipamentos mais modernos, que trabalham com SDN e virtualização”, resume.

A modernização começou no final de 2017. Até o momento, cerca de 15% da rede fui substituída. Os trechos ficam nas regiões de Bagé (RS) e entre São Paulo e Rio de Janeiro. Estão operando em fase de testes.

Fibra

O engenheiro destaca que a integração prevê renovação da fibra óptica em uso. “Estamos trocando ramos, acrescentando redundância e enterrando fibras para prevenir rompimentos. Esse desenho já visa a chegada da 5G na rede móvel, o uso de IPTV, o aumento da demanda por OTTs e transmissão de filmes em 4K”, afirma.

A rede renovada abrange todas as capitais do país. Sarcinelli estima que 200 cidades sejam diretamente beneficiadas.

A preparação tem fundamento. Conforme o mais recente relatório VNI, da Cisco, o consumo de dados pelo consumidor vai crescer 46% por ano, em média, até 2021 no mercado móvel e 23% no fixo. Na América Latina a demanda vai aumentar 21% ano a ano. Mais do que na América do Norte, onde o aumento será de 20% em média.

Além da mudança na rede de transporte, a Claro Brasil também está revendo o conceito de núcleo de rede. A companhia, na nova topologia, pretende levar capacidades do core para a ponta. Para tnato, está colocando CDNs e poder computacional, por exemplo, mais perto do consumidor. O que dará lugar à tradicional abordagem de concentrar a origem do tráfego em um ou dois pontos do país.

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3 Comments

  1. 1 de Fevereiro de 2018

    Vai ser muito boa essa renovação tecnológica, meus parabéns pela iniciativa e criatividade.
    É a tecnologia inovadora na vida do ser humano a favor da praticidade e do aproveitamento maior do tempo, tendo em vista a correria dos dias atuais.

  2. Marcelo
    1 de Fevereiro de 2018

    Enquanto isso, a rede cabeada da Oi tá largada… Sem pressa pra fazer um upgrade

  3. Vítor Gomes Neves Oliveira
    1 de Fevereiro de 2018

    Vejo muitas boas notícias da Claro, mas aqui onde moro, o 4G da Claro anda tão lento quanto o 2G. Em horários de pico, o sinal cai. E são varias as vezes que realizo uma ligação e escutando a ligação de outras pessoas.

    Na cidade da minha mãe, nem se fala. A Claro possui apenas 2G, e graças um acordo de RAN Sharing com a Vivo, ela consegue um 3G de enfeite, que além de lento também cai sempre e lá, nem previsão de adotarem o 4G.

    Estou muito decepcionado com a Claro.