Cisco firma compromisso com MCTIC para acelerar a digitalização no Brasil


A fabricante norte-americana de equipamentos de rede Cisco e o governo brasileiro, através do MCTIC, firmaram hoje, 27, um memorando de entendimento. Pelo documento, a empresa se compromete a realizar investimentos no país ao longo dos próximos três anos. Também vai contribuir para o desenvolvimento do ecossistema de inovação por meio projetos pilotos, para os quais vai buscar parceiros.

A empresa não revela quanto pretende investir. O MoU também não é vinculante. No entanto, segundo Giuseppe Marrara, diretor de políticas públicas da Cisco, deverá orientar os principais aportes da empresa no Brasil daqui para a frente.

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Se de um lado a Cisco se compromete realizar pilotos em inovação e chamar para as ações parceiros de todo porte, por outro, o MCTIC se compromete a fazer a ponte com outras pastas, quando for o caso, e a participar iniciativas que envolvam o poder público e o setor privado. Um exemplo disso será a participação do governo no Conselho de Inovação em Cibersegurança, já criado no em colaboração com a Organização dos Estados Americanos (OEA), que passa a ter adesão brasileira.

A assinatura do MoU foi realizada em cerimônia virtual, transmitida pela internet. Contou com a presença do corpo do MCTIC, com o ministro Marcos Pontes (na foto, sem máscara) e os secretários Júlio Semeghini (executivo), Vitor Menezes (telecomunicações), Paulo Alvim (empreendedorismo). O presidente Jair Bolsonaro havia confirmado presença, mas mudou a agenda em cima da hora. Por parte da Cisco, estavam os executivos Guy Diedrich (VP global de inovação), John Kern (VP sênior), Jordi Botifoll (presidente da Cisco América Latina) e Laércio Albuquerque (presidente da empresa do Brasil).

Programa global

A assinatura do MoU integra uma orientação estratégica da Cisco de se aproximar de governos em todo o mundo. Para isso, elaborou um programa chamado Country Digital Acceleration (CDA). Pelo programa, a empresa faz uma avaliação de áreas em que os países precisam se aperfeiçoar para poderem se considerar digitalizados.

Segundo Albuquerque, 44 países, incluindo o Brasil, integram o programa. A assinatura do memorando hoje apenas oficializou conversas que vinham acontecendo desde o começo do ano passado. No Brasil, o CDA está sendo chamado de Brasil Digital e Inclusivo.

Até o momento, a empresa começou a trabalhar na elaboração de 32 projetos que integram o programa localmente. E está buscando parceiros em venture capital, inovação, academia e entre operadoras de telecomunicações e infraestrutura.

O programa focará nas áreas de educação, saúde, segurança cibernética, agronegócio, segurança pública, energia e manufatura avançada. A empresa também fará investimentos localmente em cidades inteligentes, internet das coisas, 5G, e WiFi 6. Fazem parte do programa as iniciativas já anunciadas pela companhia de enfrentamento à Covid-19, como o fornecimento da plataforma Webex a hospitais e ao Conselho Nacional de Justiça.

Torre MCTIC

Um dos primeiros projetos resultantes do acordo será a criação de uma ferramenta para mapear iniciativas de pesquisa e inovação, batizada de Torre MCTIC. O projeto consiste na elaboração de uma ferramenta pela Cisco que será alimentada com dados públicos fornecidos pelo ministério, por instituições de ensino, por organizações privadas de fomento e inovação que quiserem aderir.

A ferramenta de big data será dotada de recursos de análise de dados e inteligência artificial, a fim de permitir que o governo extraia “insights” para políticas públicas. Será de código aberto e terá APIs abertas, ou seja, a Cisco não terá propriedade intelectual. Ainda não há previsão, no entanto, para início do funcionamento da aplicação.

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