Cientista que inventou a fibra aposta no videophone


O co-inventor da fibra Peter Schultz acreditava, na década de 1970, que as redes seriam substituídas e uma das aplicações seria o videophone. “O meu sonho de 40 anos atrás, se realiza agora, com 15 anos de atraso”, diz.
 

Quando criou a fibra óptica, na década de 70, o co-inventor dessa tecnologia Peter Schultz não imaginava que fossem surgir, no mundo das telecomunicações, tantas aplicações, a ponto de o atual modelo de transmissão exigir novas pesquisas para aumentar a capacidade de transmissão. Por outro lado, ele pensava: “Isto vai substituir toda a parte de cobre e cabos coaxiais das operadoras e vou ter vídeo phone em casa”, contou hoje, em uma entrevista coletiva, o cientista, que preside a Academia Americana de Engenharia e está no Brasil.

Na prática, não foi o que aconteceu nas décadas de 60 e 70. “As companhias telefônicas falavam em videophone, o que requeria largura de banda, mas isso não aconteceu por uma série de razões, entre elas questões econômicas, uma vez que as redes estavam funcionando”, lembra Schultz. “A primeira necessidade para uso da fibra foi a ligação entre países. Quando eu fiz a fibra não existiam computadores pessoais”, lembrou o cientista. Com o surgimento dos PCs, a disponibilidade de softwares amigáveis para o usuário e da fibra, surgiu a internet.

“E o que vem agora é a nova geração, os smartphones, mais e mais aplicações. O sistema vai exigir cada vez mais volume de tráfego, exigir mais banda, o que traz de volta o assunto videophone. Eu penso que a próxima geração de telecom é de vídeo de alta definição e em tempo real. E para isso tem-se que usar a fibra para tantos downloads e uploads de vídeo. A única maneira de fazer isso ter qualidade é com fibra. O meu sonho de 40 anos atrás se realiza agora, com 15 anos de atraso”, relatou o cientista, que veio ao Brasil fazer uma apresentação no evento que a Furukawa realiza para canais, em Comandatuba, na Bahia.

Na avaliação do cientista, as fibras serão utilizadas durante os próximos 25 anos. “Os países que estão investindo em FTTH, e na educação, serão os líderes do futuro”, previu.

Pesquisas
O cientista também falou sobre os desenvolvimentos de fibra para laser e citou um exemplo de aplicação o setor automotivo. “As fibras podem substituir qualquer tipo de laser convencional”, disse. Citou duas companhias – a SPI , do Reino Unido, e a IPG, dos Estados Unidos –, que já produzem fibra a laser. Ele aponta que uma aplicação significativa pode ser na medicina. 

Para atender as demandas futuras de transmissão, os laboratórios de algumas das principais fabricantes de fibras, entre elas, Furukawa, Alcatel-Lucent e Corning, estão trabalhando na criação de novas fibras ópticas. Schultz relatou as três idéias básicas em desenvolvimento: Uma delas é ter na fibra múltiplos núcleos – cada núcleo terá capacidade de uma fibra atual. “O problema é como, quando for emendar uma fibra na outra, garantir o alinhamento dos núcleos de maneira a ter continuidade da fibra. Mas, o benefício dos núcleos múltiplos seria que, em uma fibra com dez núcleos, teria capacidade de transmitir dez vezes o que uma fibra transmite hoje”, explicou. O cabo teria o mesmo tamanho, mas poderia estar transmitindo dez vezes mais do que o tamanho na configuração atual. “A idéia dos múltiplos núcleos ocorreu há 25 anos mas não se desenvolveu porque não tinha necessidade. Com a nova geração das telecomunicações, essa idéia tem sentido”, destacou.

A outra idéia é explorar e usar múltiplos modos de transmissão. Hoje, a fibra se transmite num único modo e a idéia é de transmitir múltiplos modos. “Pense que um modo de luz é como um feixe de luz, na fibra monomodo o tamanho do núcleo e o índice de refração garantem um sinal de luz caminhando na fibra. No novo desenho, terá muitos feixes de luz caminhando dentro da fibra. Poderemos ter dez feixes ou cem feixes caminhando nesse núcleo de tal maneira que multiplica-se a capacidade de transmissão”, relatou.

A terceira idéia é ter uma fibra com um núcleo de ar,no lugar do vidro. A estrutura que suporta o núcleo é como uma colméia e tem capacidade de transmitir muito mais que a fibra atual, segundo o cientista. Essas fibras serão usadas na longa distância e, embora as primeiras amostras já tenham sido feitas, é uma tecnologia para o futuro. “Será necessário muito trabalho para que isso que está no laboratório se torne prático. É para o futuro, uns 20 anos”, acredita.

 

A jornalista viajou a convite da Furukawa

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