Cidades digitais: reorientação dos negócios.


A paralisação da expansão dos projetos de conexão sem-fio de grandes cidades norte-americanas não intimida os fornecedores de tecnologia. Eles continuam avaliando os projetos como uma grande oportunidade de negócios para todos — fabricantes de equipamentos de redes, fornecedores de aplicações, especialmente as sociais e as de segurança pública, e até integradores de sistemas. O …

A paralisação da expansão dos projetos de conexão sem-fio de grandes cidades norte-americanas não intimida os fornecedores de tecnologia. Eles continuam avaliando os projetos como uma grande oportunidade de negócios para todos — fabricantes de equipamentos de redes, fornecedores de aplicações, especialmente as sociais e as de segurança pública, e até integradores de sistemas. O ponto central em discussão pela indústria é a definição de um modelo com sustentabilidade. “Nos Estados Unidos, e aqui no Brasil não é diferente, houve muita movimentação política para se construir redes com acesso livre a internet, mas não se discutiu quem pagaria pela manutenção da rede e pela continuidade dos serviços com qualidade”, aponta um executivo do setor.

Na avaliação da indústria a revisão do modelo de negócios é natural, principalmente depois que a EarthLink, responsável pelos projetos desenvolvidos em Filadélfia e São Francisco, entre outros, foi vendida, no final do ano, para a Comcast. O que está em avaliação não é só o ritmo de expansão da infra-estrutura wireless, predominantemente WiFi, mas também as características da gratuidade do serviço.

Para os os especialistas, a EarthLink foi muito generosa nos termos dos contratos assinados com os municípios, pois não imaginava encontrar um mercado muito mais complexo do que o esperado. É um mercado fragmentado e que exige do prestador de serviços negociações com administrações que se movem devagar e não estão habituadas a correr riscos. Fora isso, a própria tecnologia impactou, negativamente, nas redes sem-fio implementadas nas grandes cidades, porque os testes em geral são realizados numa faixa de freqüência não licenciada para a oferta, porém, ocupadas por redes privadas, o que gerou impacto no desempenho. Nos pequenos municípios, onde as experiências com cidades digitais aumentam a cada dia, com sucesso, esse problema não ocorre porque o espectro está limpo e os serviços de banda larga sem-fio têm qualidade compatível com a de outras tecnologias como ADSL ou cabo. Ao diagnosticar as causas do fracasso nas grandes cidades, os técnicos da indústria tecnológica constataram também que, nos grandes centros, existe a oferta do serviço, portanto, há competição. E, lembram: onde existe competição, os preços são 30% a 40% inferiores. “Nas pequenas cidades, o modelo de cidade digital adotado é mais útil porque não existe a oferta e nem a força competitiva”, diz um especialista.

Uma tendência sem volta

O pé no breque nos grandes projetos de cidades digitais nos Estados Unidos, que anunciaram internet de graça para seus cidadãos (se bem que por um volume limitado de tempo de acesso), não significa, o fim do projeto, insiste Joeval Martins, diretor da divisão Canopy da Motorola para a América Latina. “Esses rearranjos são necessários, principalmente em projetos pioneiros”, avalia ele, para quem as cidades digitais são uma tendência sem volta. Com soluções instaladas em 72 cidades do Brasil, num total de mais de 10 mil pontos de presença, a Motorola continua a apostar firme nesse segmento. É um mercado de maturação lenta, reconhece Martins, mas em expansão. Pelas suas características, ele demanda do provedor de tecnologia muito mais do que o processo de venda comum de um produto. “Prestamos consultoria até para ver quais as necessidades reais da administração, o modelo que ela deve adotar para reduzir os custos e ganhar com a solução”, diz ele.

Com base na experiência norte-americana, multinacionais que operam no Brasil começam a investir num novo modelo de negócios, que coloca em primeiro plano as aplicações e, em segundo, a acesso gratuito à internet para o segmento da população que não pode pagar pelo serviço. A idéia é que os investimentos, por parte dos governos, sejam feitos em redes públicas para suportar a implantação de aplicações e serviços para as comunidades, especialmente na área de segurança pública — câmeras de monitoramento, comunicação entre as polícias, etc — e outras aplicações sociais (educação, saúde, cidadania). Num segundo momento, “pendura- se” o acesso à internet nessa rede.

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