CEO da Alcatel-Lucent quer empresa com foco em software


Segunda etapa de plano de turnaround tocado por Michel Combes prevê crescimento com diversificação de clientes e novas atribuições até mesmo para o laboratório de P&D da empresa.

Após um período de dificuldades, em que a empresa ficou à beira da falência, a Alcatel-Lucent se diz preparada para voltar a crescer e a competir por inovação no mercado de infraestrutura de rede de telecom. A estratégia da segunda fase do Shift Plan, o plano de turnaround iniciado por Michel Combes, CEO, 18 meses atrás, é buscar crescimento em novos mercado, diversificar a oferta de produtos e, até, tonar a Alcatel-Lucent uma empresa mais focada em software do que em hardware.

Para isso, a intenção é depender um pouco menos da demanda das prestadoras de serviço e atrair novos clientes, como o setor corporativo (das 400 maiores empresas do mundo) e governamental.

“Voltamos ao jogo, e voltamos para ganhar”, resumiu Combes ao final de uma apresentação no Technology Symposium, encontro anual com analistas e imprensa organizado pela empresa, em New Jersey*.

A primeira fase do shift plan foi dura, admite Combes. “Tinha o objetivo de definir um novo foco, reestruturar e recapitalizar a empresa”, lembrou. Neste período, a ALU deixou de ser uma fornecedora de todo tipo de solução para se concentrar em áreas específicas, especialmente LTE small cells, IP routing, SDN/NFV.

“Vinte meses atrás estávamos com problemas financeiros. Quase falimos. Levantamos 5,5 bilhões de euros em transações nos últimos 9 meses e hoje temos um balanço forte e equilibrado”, diz. Segundo ele, a companhia já não possui mais ativos como garantia para credores.

Shift plan 2
A segunda etapa do plano de turnaround da companhia é apoiada em um tripé: crescimento, inovação e transformação. Combes delimita uma estratégia de diversificação de serviços, mas sem perder o foco das principais áreas em que a Alcatel-Lucent atua.

De acordo com o executivo, as empresas de telecomunicações, que por anos deixaram a expansão da rede de lado para investir em serviços, se voltam novamente para a infraestrutura. E a Alcatel-Lucent quer se beneficiar desta retomada de importância das redes.

Irá focar no desenvolvimento e oferta de serviços que permitam ampliação da rede, sem necessariamente dispensar a infraestrutura legada. O carro-chefe da empreitada devem ser as tecnologias Gfast, que une fibra óptica e cobre, e o Vplus, plataforma de vectoring, além das small cells. “Com essa estrutura conseguimos pavimentar o caminho para uma era de redes terabits”, defendeu.

Redes mais rápidas, com maior capacidade e maior capilaridade vão exigir um ferramental mais complexo para administrá-las. Por isso, a Alcatel-Lucent quer reforçar sua aposta no desenvolvimento de NFV e SDN.

Quanto à inovação, a empresa vai embarcar no desenvolvimento de tecnologias para redes de core. Vai manter as pesquisas em FTTX e hetnets, small cells 4,5G e 5G, virtualização, redes IP e pensar no que será a rede além 2020. O laboratório da empresa, o Bell Labs, também terá uma nova função: vai funcionar não apenas como um centro de pesquisa, mas ofertará serviços de consultoria para implementação tecnológica.

Para tudo isso, a empresa lança mão de parcerias. No desenvolvimento de small cells, a Qualcomm contribuiu para p desenvolvimento de novos produtos. A Freescale é a parceira para desenvolvimento de soluções em NFV, enquanto a Intel contribui para o hardware da virtualização. Outra parceira é a Accenture, que vai levar oferta de serviços corporativos da Alcatel-Lucent a seus clientes. Essas ações dfevem pavimentar o caminho para que a Alcatel-Lucent, nas palavras de Combes, se torne uma empresa de software, com foco na digitalização dos serviços.

*O repórter viajou a convite da Alcatel-Lucent.

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