CEO da Alcatel-Lucent defende neutralidade com “flexibilidade”


O CEO da Alcatel-Lucent, Michel Combes, defendeu uma neutralidade de rede “flexível” hoje em Barcelona*, durante o o Mobile World Congress. Em uma conversa com a imprensa, ele ressaltou que a companhia procura analisar a questão caso a caso para oferecer soluções que atendam interesses opostos.

Somos a favor da neutralidade, mas os servidores precisam manter certa flexibilidade. O gerenciamento de tráfego é absolutamente necessário”, falou. Ele defendeu a ideia de vias rápidas, que chegou a ser cogitada nos EUA, mas ficou mais distante na última semana.

“O que sempre digo é que não pode haver discriminação entre os provedores, que devem ser capazes de oferecer os mesmos serviços. Mas pode haver diferenciação. Se eles querem níveis diferentes de excelência, porque não oferecer vias rápidas no mundo virtual? Damos essa possibilidade para que as operadoras possam otimizar as redes, e provemos capacidade de entregarem diferentes SLAs (contratos de qualidade de serviço) com a priorização do tráfego”, falou.

Combes ressaltou que por conta da capilaridade da atuação da Alcate-Lucent, a estratégia da companhia acaba pouco afetada pelo debate da neutralidade. “A situação é diferente para cada país, então não impacta minha estratégia”, disse. Antes da neutralidade, é a regulamentação em torno da oferta de serviços e implementação de infraestrura o mais importante. “Muita regulação pode atrapalhar o investimento. E investimento em banda larga reflete no desenvolvimento dos países”, falou.

Ele voltou a comemorar os resultados do turnaround por que passou a Alcatel-Lucent nos últimos 18 meses. Lembrou que a empresa voltou a ter caixa. O resultado veio de situações que chamou de muito difíceis, como o corte de dois terços da força de trabalho no mundo, para cerca de 6 mil profissionais. Mas necessárias para competir com fornecedores de outras partes do mundo.

“Para combater a evolução das chinesas, temos que nos manter competitivos e reacender a inovação. Nós inventamos as tecnologias que os chineses estão simplesmente copiando, como o VDSL, Vectoring, o GFast. Então, primeiro, temos que inovar, inovar e inovar. Além disso, ter os melhores preços para o cliente, reduzindo os custos”, falou.

Ele também reclamou de condições desiguais para financiar a inovação. “Quero que todos os players joguem com a mesma regra. Os chineses têm acesso mais fácil a financiamento do que a gente. Gostaríamos de condições semelhantes de financiamento para não termos uma posição pior”, falou, sobre incentivos do governo da China a fornecedores de tecnologia.

Lançamento
Reduzir as despesas e o retorno à criação de caixa livre, porém, permitiu à Alcatel-Lucent voltar a investir em inovação. Segundo Combes, a estratégia para os próximos anos continua a ser oferecer infraestrutura IP sob o tripé “nuvem, virtualização e small cells”.

Neste item, o grande lançamento da companhia é a Wireless Unified Networks. A tecnologia mescla WiFi e redes móveis para entregar maior velocidade e qualidade de conexão na casa ou nas empresas. Segundo Mike Schabel, a tecnologia melhora o WiFi, cujas velocidades de download não estariam mais atendendo à demanda do consumidor doméstico ou corporativo. “O que fizemos foi unificar a rede. Em vez de tratar como peças diferentes, transformamos numa única rede”, diz.

A tecnologia, batizada de WiFi Boost, estaria ao alcance de todos que usam o WiFi em um smartphone. “Uma simples atualização no sistema operacional torna o smartphone compatível”, diz. No WiFi Boost, o roteador WiFi conversa com o 3G ou 4G das operadoras móveis, reservando a banda WiFi exclusivamente para download, e a conexão móvel para upload de dados. 

“Conseguimos o dobro de velocidade de download no WiFi e no uplink móvel a uma distância de 45 metros da célula”, afirma. A tecnologia será vendida a partir do segundo semestre para as operadoras. O WiFi Boost, planeja a Alcatel-Lucent, pode ser uma forma de incentivar o uso das small cells dentro das empresa. Quando a conexão móvel é LTE, as velocidades de downloads alcançadas chegam a 600 Mbps.

A tecnologia se assemelha, mas é diferente da LTE-U (ou LAA), versão do LTE que usa parte do espectro não licenciado do WiFi para funcionar. Nesta área, a Alcatel-Lucent também tem seus desenvolvimentos. Schabel conta que a Alcalu tem uma parceria com a Verizon para desenvolver duas formas de aproveitamento das frequências licenciadas, sem que haja risco para o WiFi. A primeira é usando faixas sobressalentes, que o sistema reconhece como livre em um local. A outra é implementando uma plataforma capaz de interromper o WiFi para privilegiar o LTE e vice-versa, conforme a necessidade. “Estes produtos devem chegar ao mercado no primeiro semestre de 2016”, afirma.

*O jornalista viajou a convite da Alcatel-Lucent

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