CEEE deve criar subsidiária de telecom


A CEEE – Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul – vai criar uma subsidiária de telecomunicações que terá, entre outros objetivos, o de prover infraestrutura para projetos de inclusão digital no estado. “Estamos estudando essa possibilidade há algum tempo e, no início deste ano, contratamos o CPqD para fazer o estudo de viabilidade e de modelagem para implantarmos a empresa”, conta Sérgio Souza Dias, presidente da CEEE.

A companhia de transmissão e distribuição de energia tem uma rede de fibras ópticas instalada de 1.200 km, atingindo todas as regiões do estado, e precisaria investir cerca de R$ 70 milhões na construção de mais mil km de fibras para fechar o anel. Esse investimento poderá ser feito com recursos próprios, ou por uma parceria com a Telebrás, que está discutindo com a CEEE o compartilhamento de rede para o Plano Nacional de Banda Larga.

“Na semana passada tivemos uma reunião com o Rogério Santanna (presidente da Telebrás) e iniciamos a conversa visando a possibilidade de parcerias”, informa o presidente da CEEE. Já na próxima segunda-feira, conta Dias, uma nova reunião vai tratar de questões técnicas, avaliando onde as redes se sobrepõem e onde se complementam. O capital majoritário da CEEE é do governo do Rio Grande do Sul, com cerca de 66%, e o segundo maior acionista é a Eletrobras, com 33% (o 1% restante é diluído entre várias prefeituras).

A rede da concessionária de energia é fundamental para a cobertura da Telebrás no Rio Grande do Sul, pois o enlace que a estatal está construindo no estado deixa de fora 183 dos 497 municípios. “A Telebrás quer aproveitar a cobertura da rede de fibra da CEEE na metade Sul do estado e na região de fronteira com o Uruguai e a Argentina. Neste último, a rede é fundamental para atender a um dos items dos acordos de cooperação assinados esta semana pela presidente Dilma Roussef com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que prevê integração digital entre os dois países”, antecipa Santana.

Paralelamente as negociações com a Telebrás, a CEEE aguarda o diagnóstico sobre a viabilidade do negócio, que deve ser concluído no final de março pelo CPqD. O estudo deve apresentar os diferentes cenários, considerando aspectos econômicos, tecnológicos, regulatórios, fiscais, tributários, de energia e telecomunicação e modelos empresariais.

Entre os cenários que serão estudados para a criação da CEEE Telecom estão o de rotas de alta capacidade, intermediárias e internet para todos. No primeiro, a implantação prevê um canal óptico para provimento de linhas de alta capacidade disponíveis para os operadores dos vários serviços de telecomunicações existentes no Rio Grande do Sul. Nas rotas intermediárias, o sinal atingiria distância periférica de 100 km e na internet para todos, haveria acesso e oferta dos serviços diretamente à população. Neste caso, estão incluídos serviços de VoIP, acesso à internet domiciliar e empresarial e links empresarias dedicados, além dos possíveis nos cenários anteriores.

Iniciativas de inclusão
A rede de fibras da CEEE já tem sido usada para iniciativas de inclusão digital. Os projetos pilotos contemplam as áreas de saúde, segurança e educação e foram implementados nos municípios de Piratini, Camaquã e Candiota. A rede é usada para transmissão de dados e voz e permite ações integradas de municípios, estados e governo federal. No município de Candiota, por exemplo, o projeto Um Computador por Aluno usa a rede da companhia para levar o acesso a internet para 500 estudantes. A comunicação é feita por fibra óptica da sede da empresa, em Porto Alegre, até a Usina Termelétrica Presidente Médici, em Candiota e, por rádio, segue até a torre da prefeitura de Candiota.

A tecnologia utilizada é a PLC e a velocidade de transmissão tem alcançado 4 Mbps. “Temos um outro piloto num bairro de Porto Alegre onde temos medido mais constantemente a qualidade do acesso e a velocidade e os resultados têm sido satisfatórios”, comenta Dias. Segundo ele, com a implantação da CEEE Telecom e com a parceria com a Telebrás a ideia é ampliar os projetos para todas as regiões do estado.

Com a finalização do estudo em março e, após o aval do secretário de infraestrutura e do governador, a implementação da empresa começará imediatamente. “Acreditamos que até o final do ano a subsidiária já estará operando. Isto é possível porque a estrutura da rede já existe”, observa o presidente da CEEE.

* colaborou Carmen Lúcia Nery

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