Cenário de telecom ficará mais concentrado, admite Zenteno


Para Carlos Zenteno, presidente da Claro, a possível compra da GVT pela Vivo vai aumentar ainda mais concentração do mercado nacional de telecomunicações. “Entendemos que esse grupo teria presença maior em redes cabeadas fora de São Paulo, e sem dúvida, o cenário de concorrência vai ficar mais concentrado. Vai ficar concentrado em grupos internacionais muito fortes. Mas ainda não é certeza que isso vá acontecer”, disse em entrevista no Congresso da ABTA.

Ele não acha que a fusão impactará os negócios imediatamente. “Os competidores são os mesmos que hoje operam separadamente”, falou. Mesmo assim, Zenteno acredita que, se a proposta se concretizar, a fusão terá de passar por escrutínio dos órgão reguladores. ” Em caso de fusão, vai ter que ser feita uma análise para ver se Vivo e GVT ferem alguma regra de competição”, defendeu.

O executivo enxerga a consolidação no mercado brasileiro como inevitável, e ressaltou que a demanda do consumidor faz com que apenas grupos com cacife possam oferecer soluções que requeiram investimento pesado. “O setor exige grandes grupos, com grande capacidade financeira para investir e fazer. A convergência dos serviços vai nos obrigar à concentração, à maior presença em cabo, e telefonia móvel. As empresas vão completando [com aquisições] seu portfólio para atender ao consumidor”, defendeu.

700 MHz
Sobre o leilão de 700 MHz, suspenso pelo TCU, mas que, segundo Paulo Bernardo, deve acontecer este ano, Zenteno preferiu não dizer se a Claro participará. Interesse a empresa tem, mas só vai se manifestar com o edital definitivo publicado no diário oficial. “Eu não posso confirmar que vamos entrar no leilão. Precisamos primeiro do edital, saber as condições. Não é uma decisão somente minha, tem que ir ao conselho de administração. Portanto, a informação que posso dar é: depende muito das condições do edital”, falou, sem especificar o que poderia tirar a Claro da disputa.

Brasil x México
Em painel do qual participou, Zenteno defendeu, ainda, a legislação brasileira de telecomunicações. “A regulação aqui ficou muito mais avançada que a do México. Aqui é possível oferecer todos os serviços. Lá, ainda se estão dando os primeiros passos. No Brasil, a lei é mais prática, mais simples”, destacou.

 

 

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