Carência de mão-de-obra e custo são maiores entraves à inovação


A falta de mão-de-obra qualificada e os custos elevados são os maiores entraves à inovação na indústria, conforme apontou levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) utilizando dados de 2011. As empresas industriais atribuíram importância alta ou média ao problema de falta de mão-de-obra em 72,5% dos casos e ao problema dos custos elevados em 81,7% dos casos.

A Pesquisa de Inovação (PINTEC) 2011 mostrou também que, entre 2009 e 2011, 35,7% das 128.699 empresas com dez ou mais pessoas ocupadas inovaram em produtos e/ou processos. O setor de eletricidade e gás, incluído pela primeira vez na PINTEC 2011, alcançou uma taxa de 44,1%. Já nos serviços selecionados, 36,8% das empresas inovaram em 2011, enquanto na indústria foram 35,6%.

Houve queda de 6,5 pontos no porcentual de empresas inovadoras na indústria em relação ao último levantamento. Em 2008, o porcentual era de 38,1%. Os demais setores não constam com dados de 2008 para comparação. As empresas industriais despenderam 0,71% de sua receita líquida de vendas em pesquisa e desenvolvimento em 2011, surpreendentemente um percentual acima dos 0,62% registrados em 2008. 

Em 2011, o dispêndio feito pelas empresas nas atividades inovativas foi de R$ 64,9 bilhões, 2,56% da receita líquida de vendas. Na indústria, a aquisição de máquinas e equipamentos continua a ser a atividade mais importante na estrutura dos gastos realizados com inovações, com dispêndio de 1,11% sobre a receita líquida de vendas. Nos serviços selecionados, as duas primeiras pertencem às atividades internas de P&D (1,82%) e aquisição de máquinas e equipamentos (1,38%). No setor de eletricidade e gás, os maiores dispêndios foram com as atividades de P&D: aquisição externa de P&D (0,83%) e atividades internas de P&D (0,23%).

Entre 2009 e 2011, das quase 46 mil empresas inovadoras em produto e processo no Brasil, 85,9% realizaram ao menos uma inovação organizacional e/ou de marketing, 77,2% realizaram ao menos uma inovação organizacional e 60,7% alguma inovação de marketing. 

Na indústria, houve predominância de empresas que inovaram apenas em processo (18,3%), seguidas pelas inovadoras em produto e em processo (13,4%). Apenas 3,9% inovaram só em produto. Nos serviços selecionados, 21,8% das empresas inovaram tanto em produto quanto em processo, 9,7% foram inovadoras apenas em processo e 5,4% somente em produtos. Entre as empresas do setor de eletricidade e gás, 41,9% das empresas que inovaram somente em processo, 1,8% em produto e processo e 0,4% só em produto.

Além disso, as empresas que utilizam biotecnologia e nanotecnologia inovam mais: 65,1% das 1.820 empresas que realizaram alguma atividade de uso, produção e pesquisa e desenvolvimento (P&D) relacionada à biotecnologia foram inovadoras; já entre as 1.132 empresas que desenvolveram estas atividades para a nanotecnologia, 86,1% foram inovadoras.

A PINTEC mostra, ainda, que, nas empresas industriais, a aquisição de máquinas e equipamentos continua sendo a atividade mais importante na estrutura dos gastos realizados com inovações, com total de dispêndio de 1,11% sobre a receita líquida de vendas, participação que reforça a tendência já observada em todas as pesquisas realizadas.
 

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