Capacidade de inovação do Brasil é três vezes menor que a dos EUA


A Qualcomm Brasil divulgou hoje a terceira fase do Índice Qualcomm da Sociedade da Inovação (QuISI). Pelo estudo, que tem o objetivo de medir o grau de adoção, assimilação e uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), o Brasil ocupa a 43ª posição entre os 73 países mais inovadores, com pontuação de 18,63. Os Estados Unidos, primeiro colocado, obtiveram 61,58 pontos. 

Comparado aos países da América Latina, o resultado brasileiro melhora. Ficamos em terceiro lugar, atrás de Chile e Panamá. Entre os países do BRICS, ficamos em quarto, atrás de, respectivamente, China, Rússia e África do Sul, superando apenas a Índia. Para chegar a tais resultados, os pesquisadores analisaram a capacidade de pesquisa em inovação e o capital humano dos países, a indústria local, a produção de propriedade intelectual, e outros 12 indicadores. A pesquisa revela que existe relação entre a capacidade de inovação de um país e sua conectividade. 11 dos 15 países mais conectados, segundo o QuISI Conectividade, estão na lista dos mais inovadores.

Os resultados mostram que o Brasil sofre com falta de capital humano. Somos o 57º país em percentual de matriculados no ensino superior, com índice de 30%. Na Coreia do Sul, primeiro colocado, o índice é de 98%. A média mundial é de 53%. Além disso, em média, o mundo possui 2.757 pesquisadores e técnicos por milhão de habitantes. O Brasil, por sua vez, tem 1.366. A produção científica também é baixa. Produzimos 67 artigos por milhão de habitantes. A Suíça, primeira colocada neste quesito, produz 1.273 artigos. A média mundial é de 306.

Quando o assunto é indústria, nossos indicadores sobem para a média mundial. O investimento local em P&D é de 1,21% do PIB, enquanto a média mundial é de 1,22%. Apenas cinco países investem mais que 3% do PIB na área: Israel, Japão, Coreia do Sul, Finlândia e Suécia. Nossa capacidade de exportação, porém, é posta em xeque. O país exporta o equivalente a US$ 45 de alta tecnologia por habitante. A média mundial é de US$ 1.059.

Na área de propriedade intelectual, o estudo revela a concentração da inovação nos Estados Unidos, Japão, China e Coreia do Sul. O Brasil ocupa a 15ª posição no ranking mundial. Ainda assim, a diferença entre os primeiros colocados é enorme. Os chineses solicitam 28 vezes mais patentes que o brasileiro, e 29 vezes mais registros de marca.

QuISI Governo

No QuISI Governo, o Brasil obteve 51,54 pontos, melhor desempenho em todo o estudo, superior ao âmbito Pessoas (18,21) e Empresas (30,3). Nesta dimensão, é avaliado o uso de TICs na esfera pública brasileira, avaliando gerenciamento e fornecimento de serviços para cidadãos e negócios, além do grau de adoção dessas tecnologias na Saúde e na Educação.

O índice obtido pelo Governo indica um bom grau de conectividade, levando em conta que o uso de internet por órgãos governamentais é quase universal, alcançando 100% nos níveis federal e estadual, e 99,82% no nível municipal. As áreas de melhoria estão relacionadas com interoperabilidade, conectividade nos setores de Saúde e Educação e a necessidade de se expandir a oferta de serviços online nos níveis estadual e municipal.

Anterior Telefónica vai usar solução da Huawei para gerenciar redes na América Latina
Próximos Conselho da Oi aprova novos termos da fusão com a PT

2 Comments

  1. Eduardo Pimenta Marrocos e Freitas
    18 de setembro de 2014

    Podem por favor me explicar a frase “…em média, o mundo possui 2.757 pesquisadores e técnicos por habitante. O Brasil, por sua vez, tem 1.366” ? Existem mais pesquisadores que habitantes no mundo, e mesmo no Brasil?

    • 18 de setembro de 2014

      Oi Eduardo, obrigado por apontar o erro. Faltou o complemento: são 2.757 pesquisadores e técnicos por milhão de habitantes.