Campus Party encerra no sábado com foco em empreendedorismo


A Campus Party deixou de ser apenas um acampamento de jovens nerds, tendo como foco de sua quinta edição fomentar o empreendedorismo de seus participantes. O encontro de tecnologia começou na Espanha e hoje acontece em 7 países, sendo a edição brasileira a maior de todas, tanto em número de participantes (são mais de 6 mil “campuseiros” em 2012), em palestras (mais de 500 horas) e em estrutura (conexão de 20 Gbps). Mas este ano, foram poucos os palestrantes famosos e muitas oficinas técnicas e oportunidades de networking.

 

“Nunca vi tanta gente trocando cartão como nesse ano”, disse Alexandre Fernandes, diretor de inovação em produtos e serviços da Telefônica|Vivo, principal patrocinadora do evento, que também aproveitou a mudança no perfil dos participantes para divulgar (e recrutar) duas iniciativas: o projeto Wayra, que financia startups inovadoras, e o Bluevia, sua plataforma de desenvolvimento de aplicativos móveis.

 

“No início, a Campus Party era muito mais focada em jovens conectados, com muitos aproveitando a conexão para fazer downloads e jogar videogames. Hoje há muito mais entusiasmo por fazer coisas, criar. O pessoal está cada vez mais participativo”, afirmou Fernandes. Segundo a Futura Networks, que organiza o evento, 60% da banda consumida nesta edição não foi usada para downloads, e sim uploads.

 

O foco também mudou para a operadora, que no ano passado recrutou boa parte dos funcionários de seu centro de inovação entre os campuseiros. “Há uma fuga de talentos da América Latina, e projetos como o Wayra buscam manter essa oportunidade de inovação aqui”, disse Pablo Larrieux, diretor do centro de inovação da Telefônica no Brasil. “O Brasil está crescendo em tudo, não só economicamente, mas também em inovação e talento. O Brasil é um celeiro de criatividade”, ecoa Fernandes.

 

Transtornos

Mas nem tudo é um mar de rosas, como é de ser esperar em um evento dessa magnitude. Problemas com a conexão de internet, fornecida pela Telefônica, foram menos frequentes que em 2011, e não houve queda de energia este ano (ainda). As chuvas de verão, no entanto, não deram trégua, destruindo parte do cenário e das divisórias entre áreas na terça-feira, primeiro dia de palestras da Campus Party. O calor também foi um problema, com a disponibilidade limitada de bebedouros, água a R$ 4 e parcos ventiladores. Já as filas, para comer, ganhar brindes, ou sair do espaço do evento, são figura carimbada.

 

Roubos de equipamentos e objetos pessoais, apesar do esquema de segurança que não permite a saída de campuseiros com notebooks registrados por outros, foram frequentes, culminando em um protesto que circulou a Arena do Centro de Convenções do Anhembi na noite desta sexta-feira com barracas na cabeça e gritos de “Queremos segurança!”. Na quinta-feira, um participante foi preso em flagrante ao tentar sair da área fechada do evento com três notebooks roubados. Mário Teza, organizador da Campus Party, interrompeu a palestra do criador do jogo Angry Birds, Julien Fourgeaud, para acalmar os ânimos e prometer segurança reforçada na área do camping.

 

Palestras

Entre os destaques estavam o professor Sugata Mitra, pesquisador de Tecnologia Educacional da Newcastle University, apresentando sua experiência de inclusão digital “Hole in the Wall”, e o diretor da Wikimedia Foundation, Kul Wadhwa, que afirmou que os brasileiros produzem pouco para a enciclopédia colaborativa Wikipedia, além dos representantes dos movimentos Occupy Wall Street, nos EUA, Acampada del Sol, na Espanha, e da blogueira síria Leila Nachawati, que discutiram o ativismo na internet. No encerramento amanhã, será a vez do japonês Michio Kaku, o “físico do impossível”.

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