Campolina diz que recursos do MCTI são insuficientes para atender os desafios do setor


Em exposição na CCT da Câmara, ministro afirma que nova onda de desenvolvimento exigirá que país se insira em novas fronteiras de conhecimentos e terá como meta o uso das TICs para melhorar a humanidade.

Apesar de reconhecer o avanço da participação de gastos com a área de TICs no orçamento da união, o orçamento para o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, de R$ 7 bilhões, ainda é insuficiente para atender as demandas do setor. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (14) pelo novo titular da pasta, Clelio Campolina, levando em conta que o órgão é responsável por 31 instituições ligadas a ele e custeia parte do programa Ciência sem Fronteiras, que já distribuiu 62 bolsas de estudos internacionais até o momento.

“O país investe 1,7% do PIB, enquanto países como os Estados Unidos, China e Japão aplicam de 3% a 4% nessa área”, comparou Campolina, durante exposição na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, sobre os projetos do setor. O ministro disse que esses recursos são insuficientes para a promoção do desenvolvimento econômico, social e ambiental do país, a partir do emprego de técnicas de TI.

Campolina disse que o Brasil precisa se preparar para a nova onda de desenvolvimento que se aproxima. Segundo ele, apesar de repetir a ênfase nas TICs como a atual, o novo ciclo propõe que essas técnicas sirvam para mudar a vida das pessoas, ao inserir as pesquisas de engenharia quântica, genética, nanotecnologia. “O país precisa se inserir em novas fronteiras do conhecimento, nas dimensões científica, ambiental, tecnológica e humana ou ficará para trás”, disse. Ele entende que não basta construir drones, mas que esses equipamentos sirvam para melhorar a humanidade.

Sobre inovação, Campolina disse que o país tem feito um esforço muito grande em promover essa área por meio dos financiamentos da Finep e o BNDES, que já somam R$ 18 bilhões até o momento com o lançamento de 12 editais, mas que chegarão a R$ 32 milhões ao final de 2014. Mas, afirmou que essa é uma tarefa que deve ser encampada pela iniciativa privada e não só pelo governo. Segundo o ministro, ainda não houve tempo para que esse esforço se reflita nos índices de TICs do país.

Campolina aproveitou a oportunidade para pedir pressa na votação do Código Nacional de Ciência e Tecnologia (Projeto de Lei 2177/11), que se encontra na Câmara. Também pediu apoio às propostas de regime diferenciado de compras para a área de pesquisa, flexibilizando a Lei de Licitações (8.666/93) para o setor e de um projeto de lei sobre o uso da biodiversidade brasileira por pesquisadores, que ainda estão análise na Casa Civil, mas que chegarão em breve à Câmara. Esses dois temas constavam na proposta de Código Nacional de Ciência e Tecnologia e foram retiradas do texto, a pedido do governo, para que fossem analisadas separadamente.

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