Câmbio leva RFS a diversificar atuação no Brasil


A consolidação do mercado de telecomunicações, a entrada de novos concorrentes, particularmente de empresas asiáticas e, principalmente, o problema cambial (quanto mais forte estiver cotada a moeda nacional, mais caros serão os produtos e, consequentemente, menor a competitividade inclusive para exportações), levaram a francesa RFS – Radio Frequency Systems, a diversificar sua atuação no Brasil. “Ao invés de focar só nas operadoras de telecomunicações, decidimos ir para o que estamos chamando de mercado não telecom”, conta o presidente da RFS Brasil, Roberto Pinto.

Para atender os novos clientes, dos segmentos de óleo e gás, as utilities e empresas do governo, como Petrobrás, ou companhias de metrô, o presidente da RFS criou uma nova unidade, comandada por Solange Almeida, que respondia antes pela diretoria de telecom da empresa. Com o apoio de dois gerentes, ela terá como desafio atrair os novos clientes para que a RFS possa manter seu ritmo de expansão no país e atingir, em 2011, a meta de crescer entre 5% e 10%.

“Este ano tivemos um bom desempenho, com crescimento em relação a 2009, um ano ruim em função da crise mundial, com excesso de capacidade e margens muito baixas, e retomamos os níveis de 2007”, lembra Roberto Pinto. Com expansão das redes 3G e a entrada da Oi em São Paulo, 2008 foi um ano atípico para os fornecedores de infraestrutura no Brasil, com vendas acima dos US$ 100 milhões, que é a média do mercado brasileiro no segmento de infraestrutura de cabos coaxiais, antenas de microondas e antenas para estações radiobase, segmentos em que atua a RFS.

A entrada em novos mercados, no entanto, não é suficiente para manter a produção nacional, afirma o presidente da RFS. “A indústria brasileira como um todo está vivendo numa forte pressão pela manipulação cambial, que tira a competividade. Se o governo não tomar uma atitude, acaba a indústria nacional”, comenta. A unidade brasileira reduziu em 6% o númedo de funcionários, visando produtividade e competitividade, e está agora com 210 empregados e deixou de produzir na fábrica do Embu, em São Paulo, as antenas que vende para as operadoras celulares, que estão sendo importadas da fábrica da RFS de Shenzen, na China.

A RFS mantém uma fábrica no Embu, em São Paulo, onde produz a maioria dos equipamentos para o mercado interno e para atender os demais países da América Latina. Além dos produtos para comunicação sem-fio, a RFS tem a linha para TV digital, fornecendo equipamentos para rádio e TV. Neste segmento, conta o presidente da empresa, os países vizinhos, como a Argentina, contribuiram para manter o ritmo de vendas. Além de Argentina, a RFS Brasil exporta para o Chile, Colômbia e México.

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