Cai o ritmo de crescimento de assinantes móveis. Mas há opções para recuperar o fôlego.


No mesmo dia em que começou o Congresso Mundial 3GSM, em Barcelona (Espanha), 12 de fevereiro, em El Segundo (Califórnia, EUA), a empresa de pesquisa e consultoria iSuppli divulgava a previsão de que a expansão no número de assinantes celulares está perdendo o fôlego. Um motivo a mais de preocupação para as operadoras, que procuram, …

No mesmo dia em que começou o Congresso Mundial 3GSM, em Barcelona (Espanha), 12 de fevereiro, em El Segundo (Califórnia, EUA), a empresa de pesquisa e consultoria iSuppli divulgava a previsão de que a expansão no número de assinantes celulares está perdendo o fôlego. Um motivo a mais de preocupação para as operadoras, que procuram, incansavelmente, novas fontes de receita, sobretudo na área de serviços de valor agregado, cujo acesso depende de sofisticados (e caros) terminais móveis.

E, enquanto esses aparelhos respondem por margens mais elevadas para a indústria, pelo menos em nome da escala, os fornecedores também se engajam na produção de aparelhos muito mais baratos (Ultra Low-Cost Handsets – ULCHs), destinados aos consumidores das nações mais pobres. E, de acordo com a iSuppli, são justamente esses equipamentos que podem diminuir o impacto da queda no número de usuários, representar uma nova fonte de receita para as empresas, e trazer para o mercado consumidores que, até então, não tinham como arcar com os preços dos handsets.

Depois de crescer, em média, 25% em 2004, 2005 e 2006, este ano, a expansão no número de assinantes do serviço móvel não deve ir além de 12,8%, de acordo com o levantamento iSuppli's Wireless Systems. Essa perda de fôlego continuará nos próximos anos: 9,6% em 2008; 7% em 2009; 5,7% em 2010.

Nas fábricas, recuo. 

Paralelamente, a produção também vai crescer menos. De 2004 a 2006, o volume fabricado aumentou, em média, 19,3%. Neste ano, sempre de acordo com as previsões da consultoria, a expansão da produção será de 9,1%, caindo para 6,9%, 4,8%, 3%, respectivamente, em 2008, 2009 e 2010.

Para Jagdish Rebello, diretor e principal analista da iSuppli, o crescimento menor no número de assinantes, e a desaceleração nas vendas de terminais móveis, vão se traduzir, diretamente, na deterioração das condições do mercado das operadoras. "As empresas e seus fornecedores precisam de novas estratégias para diminuir o impacto desse fenômeno”, acrescenta Rebello.

Serviços

Para superar essa sinuca de bico, a iSuppli tem algumas sugestões. A primeira, trocar quantidade por qualidade. Na medida em que não há novos assinantes sobrando mundo afora, as operadoras precisariam aumentar a receita gerada pelos clientes das regiões mais desenvolvidas. Ovo de Colombo: um caminho para engordar a receita média por usuário (Arpu, da sigla, em inglês) é oferecer serviços avançados pelos quais o assinante esteja disposto a pagar.

As operadoras já estão fazendo isso com serviços de acesso à internet, TV móvel, música, todos serviços que produzem mais Arpu do que o serviço básico de voz. Por volta de 2010, o mercado para conteúdo móvel (música, vídeo, jogos) pode aumentar para cerca de US$ 36 bilhões, mais de quatro vezes acima dos US$ 7,7 bilhões movimentados em 2005, segundo o iSuppli's Mobile Multimedia Content. Naturalmente, esses serviços de valor agregado e outros serviços avançados demandam aparelhos com capacidade para acessá-los, o que cabe à indústria atender.

A vez dos baratíssimos

As regiões mais desenvolvidas do mundo estão no limite da saturação de assinantes móveis. Em 2006, na América do Norte, a penetração chegou a 93,2%; na Coréia do Sul, foi de 83,2%; no Japão, 74,2%. Esses níveis, aliás, são a razão principal do menor crescimento na base de assinantes.

E, como se sabe, nos países e regiões em desenvolvimento, a penetração é mais baixa: 48,3% na América Latina; 24,4% na China;23,6% na África, Oriente Médio e Austrália; e só 13,5% na Índia. É justamente nesses países e regiões que o quadro está mudando rapidamente. Em 2010, a penetração será de 65,5% na América Latina; subirá para 36,6% na China; 34,8% na África, Oriente Médio e Austrália, e para 31,5% na Índia.

O segredo para as operadoras conseguirem aumento significativo no número de assinantes é um só: pegar carona na expansão da base nas regiões mais pobres, o que só é possível com aparelhos de baixíssimo preço – US$ 40 ou menos, diagnostica a iSuppli. Na Índia, e em outras regiões menos desenvolvidas, o motor do crescimento serão os telefones baratos, diz Rebello. “Para atender essas áreas, a indústria precisa derrubar seus custos”, diz o analista.

Toda a cadeia

Diversos fabricantes entraram no negócio ULCH, oferecendo terminais de US$ 30 a US$ 40. E, para apoiar esse movimento, fornecedores de chips, de seu lado, passaram a oferecer soluções de chip único (single-chip) para os handsets mais baratos, o que diminuiu muito a fatura de custos com materiais para os telefones ULCH.

Porém, compete às operadoras móveis não somente oferecer aparelhos baratos, mas que tenham apelo e atendam às necessidades dos consumidores dessas regiões menos ricas.

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