Posição do Brasil em ranking mundial decepciona


No celular, Brasil assume a 121ª colocação. Só 38 países do globo têm serviço mais caro. Os recentes números divulgados pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) sobre o desenvolvimento das telecomunicações em 159 países, intitulado “ Measuring the Information Society”, traz algumas informações preocupantes sobre o processo de inclusão digital do globo. Embora o estudo …

No celular, Brasil assume a 121ª colocação. Só 38 países do globo têm serviço mais caro.

Os recentes números divulgados pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) sobre o desenvolvimento das telecomunicações em 159 países, intitulado “ Measuring the Information Society”, traz algumas informações preocupantes sobre o processo de inclusão digital do globo. Embora o estudo lide com  dados um pouco defasados (de 2008, para analisar o mercado das TICs; e de 2009, para analisar os preços da telefonia fixa, móvel e banda larga fixa),  traz uma radiografia bem completa sobre como está acontecendo no mundo nessa seara.

Uma das conclusões a que podemos chegar é que esforços estão sendo feitos, mas eles não são suficientes para aproximar os países ricos dos pobres no que se refere à construção da sociedade do conhecimento. Na lista dos 10 países que ostentam o melhor índice de desenvolvimento de TICS (que inclui oferta de telefonia fixa e móvel, banda larga; residência com computador; com acesso a internet; facilidade de uso; entre outros), oito são europeus. As duas exceções vêm da Ásia: Coreia do Sul e Japão.

O índice mostra números preocupantes. Por exemplo, enquanto os países desenvolvidos têm 64,2% de sua população com acesso à internet, os em desenvolvimento não chegam a 20%. A distância da penetração da banda larga, então, é  dramática: nos países desenvolvidos, a banda larga alcança 38,7% da população. Nos países em desenvolvimento, a banda larga fixa chega em apenas 3% da população, afirma a entidade. Embora os preços tenham caído, (a banda larga, serviço mais caro, também teve queda mais acentuada, de 42%) há ainda  28 países cujo preço da banda larga é maior do que a renda per capita média mensal de sua população.

Neste índice global, o Brasil fica em 60º lugar, tendo conquistado uma posição frente a 2007, mas atrás, na região, não apenas de Estados Unidos e Canadá, mas de Argentina, Uruguai, Chile ou Trinidad Tobago. E esta é a melhor colocação do país. Quando se compara os preços dos serviços de telecomunicações – seja na cesta de serviços , seja individualmente-, a posição do país cai de maneira incompreensível.

Impostos?

Os impostos brasileiros, também os mais altos do mundo,  não podem ser a única justificativa para tamanha diferença de preços. Falta de competição? Também não dá para ser o este o principal argumento. Afinal, o Brasil é um dos mercados mais competitivos do mundo na telefonia celular: conta com quatro empresas que  disputam palmo a palmo a fatia de   30% do market share de cada. No entanto, há  apenas 38 países de todo o globo com  serviços de celular mais caros do que os nossos.

Uma das raras discussões na agência reguladora brasileira é preço do serviços de telecom. Os operadores privados podem argumentar que os critérios adotados pela UIT não são os melhores para medir o mercado brasileiro de celular, que vive de promoções. Mas o documento da entidade é claro: “As ofertas especiais, limitadas a um certo período, não são levadas em consideração, já que não são representativas pelo tempo”.

Assim, para comparar os preços globais, a entidade adota os seguintes critérios: na telefonia fixa: a assinatura mensal e mais 30 ligações locais de 3 minutos, preços divididos pela renda média per capita. No celular, considera apenas o pré-pago, e 25 chamadas saintes (on net e off net) e 30 SMS. Também os  preços encontrados são divididos pela renda média per capita da população de cada país. Por fim, a banda larga fixa — o estudo considera a assinatura mensal para 1 Mbps sobre a renda média per capita. O valor da cesta é dividido pelos três serviços.

Preços

Pelos critérios da entidade, os preços da cesta de serviços de telecomunicações do Brasil são maiores do que os do México, Uruguai ou Chile, entre as nações latinas,  com o país ocupando a 87ª posição.

O telefone fixo é o serviço mais barato no Brasil, entre os três serviços de telecom. Informação no mínimo intrigante, visto que na maioria dos municípios brasileiros ainda prevalece o monopólio da incumbent. Conforme o documento, a tarifa de telefonia fixa caiu 63% em 2008 em relação a 2007, colocando o Brasil na 86ª posição do ranking. O brasileiro gasta por mês US$ 13,43 para usar o telefone fixo nas condições descritas anteriormente, ou US$ 16,35 pelo critério da paridade pelo poder de compra.

Como boa notícia, o preço da banda larga fixa caiu 52% de um ano para outro no mercado interno. Mas o brasileiro ainda gasta US$ 28,03 por mês para ter o acesso de 1 Mbps, ou US$ 34,13 pelo critério da paridade pelo poder de compra. Neste serviço, o país ocupa a 70ª colocação.

Por fim, o mais caro dos serviços: o celular, que rebaixa o Brasil para a  121ª colocação. Ele caiu apenas 25% de um ano para outro. O serviço custa por mês, pelos critérios da UIT, US$ 34,64, ou US$ 42,18 pela paridade do poder de compra (PPP$).

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