Cabestré assume Trópico, que volta a investir em P&D


paulo-cabestre-cpA Trópico, que já passou por duas boas fases ao longo de seus quase 15 anos – uma com as centrais Trópico e outra com as softswitches de nova geração –, começa, a partir de hoje (1º) um novo ciclo que pode representar não só a retomada do crescimento, mas a entrada em novos segmentos de mercado, como os de SDN (rede definida por software), NFV (virtualização das funções de rede) e IoT (Internet das Coisas, como foco em M2M para sistemas críticos em tempo real).

O que muda na Trópico é seu controle e direção. Hoje consumou-se a transferência das ações da Promon (60%) e da Cisco (10%) para o CPqD, que passa a ser dono de 99,9% da empresa que nasceu para fabricar a tecnologia de centrais Trópico desenvolvida justamente pelo CPqD. O valor da transferência das ações é mantido em sigilo, mas, como a controladora Promon há mais de dois anos buscava um comprador para a empresa, o negócio foi modesto.

De acordo com Hélio Graciosa, presidente do CPqD, o Conselho da entidade aprovou a operação porque faz todo o sentido manter a empresa e investir em seus produtos, já que sua softswitch está no coração de várias operadoras brasileiras, como Oi, Telefônica e GVT. Para presidir a nova Trópico foi indicado Paulo Cabestré, que dirigia a Unidade de Redes Convergentes da entidade. Formado em engenharia elétrica pela Unicamp, com pós-graduação na Holanda, Cabestré sempre trabalhou na área de comutação, desde as centrais eletroeletrônicas até as centrais inteligentes com processamento centralizado.

Aposta no crescimento

A longa experiência e o entusiasmo pela nova missão estão na raiz das projeções que Cabestré faz para a empresa. A Trópico, que nos final dos anos 1990 chegou a faturar mais de R$ 200 milhões, fecha dezembro deste ano com R$ 50 milhões e prejuízo. Mas para o ano que vem Cabestré já prevê um crescimento entre 15% e 20%, e, em três anos, promete chegar aos R$ 100 milhões.

“Ela foi encolhendo, porque deixou de investir em P&D em função da estratégia do controlador que queria vender a empresa”, diz ele. Para reverter a situação, a primeira medida, conta Cabestré, será a atualização de seu portfólio, cujo coração é a softswitch: “Vamos colocar novos serviços.”

Ao mesmo tempo, a equipe da Trópico – cerca de cem pessoas, a maioria delas dedicada ao desenvolvimento de software – vai trabalhar em planos de P&D de médio e longo prazos. “Há cerca de 15 anos migramos da central telefônica com inteligência distribuída para a NGN, com a inteligência centralizada. Vamos fazer um processo parecido com os roteadores IP, centralizando a inteligência, para termos a definição da rede por software, o SDN”, explica. Outro segmento a ser explorado pela Trópico  será o NFV (sigla em inglês para Net Function Virtualization), ou seja, a virtualização de elementos de rede. Com a virtualização da inteligência da CPE, que fica na casa do cliente, há uma redução importante do custo operacional de manutenção das CPEs, conta o presidente da Trópico.

O terceiro vetor no qual a Trópico vai investir é o da Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês). As pesquisas vão se concentrar em soluções M2M para sistemas críticos em tempo real. “Esse será o nosso foco”, informa Cabestré, que acredita que, mesmo chegando atrás de multinacionais que já têm em seu portfólio soluções SDN e NFV, a Trópico tem condições de ser um player importante nesses segmentos de mercado.

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