Ativado o cabo submarino que liga Brasil a Angola


As rotas operadas pela Angola Cabos. Em azul escuro, no centro do mapa, o percurso do SACS.

A Angola Cables anunciou hoje, 15, o início da operação do SACS, cabo submarino que liga o Brasil (Fortaleza) a Angola (Luanda). A infraestrutura foi ativada há duas semanas. Entre os primeiros clientes estão órgãos e agências estatais de pesquisa do Brasil (RNP) e Estados Unidos (Centro de Pesquisas de Miami).

O cabo tem quatro pares de fibra óptica e capacidade de transmissão de 40 Tbps. No momento, está com dois pares iluminados. Antonio Nunes, CEO da operadora, espera que o equipamento esteja com ocupação plena em um ano. “O mercado brasileiro ainda tem que perceber o potencial do mercado africano”, diz.

A aposta da empresa recai sobre a multiconectividade. A intenção é atrair provedores regionais, grandes operadoras, além do setor corporativo, OTTs e grupos do segmento financeiro. A baixa latência da conexão entre os continentes deve ser o diferencial. O SACS opera de forma integrada com o cabo Monet, que vai do Brasil aos EUA, e o WACS, que liga costa da África à Europa, todos da Angola Cables.

“Temos concorrência em rotas entre Miami e São Paulo, ou entre Fortaleza e São Paulo. Mas ninguém liga Miami a Joanesburgo”, ressalta Nunes.

O cabo submarino SAIL, concluído recentemente pela China Unicom e Camtel, ligando Brasil a Camarões, não é encarado como um predador do mercado da Angola Cables. “Muitos operadoras contratam a capacidade em um cabo e em outro como backup. O SAIL pode ser um bom backup do SACS, acelerando os negócios”, pondera o executivo.

Latências e data center

Para a Angola Cables, a latência vai fazer o trabalho de vendas. Isso porque a redução de tempo de transmissão de dados entre as rotas é drástica. A conexão entre Miami e Cidade do Cabo, por exemplo, que era feita em 338 ms, agora acontece em 163. De Fortaleza para Luanda, que era de 350 ms, agora ocorre em 63 ms.

Na esteira do cabo, a empresa prevê demanda por seu data center, construído em Fortaleza, cidade em que o SACS deságua. Previsto para ser concluído no primeiro semestre, o data center sofreu atrasos e deve ser inaugurado até o final do ano.

Ao todo, a Angola Cables investiu US$ 300 milhões na construção do Monet, do SACS e do data center. Apenas o SACS custou US$ 130 milhões. Com vida útil de pelo menos 25 anos, Nunes espera que o investimento não demore a se pagar. “Antes, essas rotas só existiam via satélite, que têm menor vida útil, e eram mais caras”, destaca.

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6 Comments

  1. Marcos Henz
    16 de outubro de 2018

    Alguém sabe explicar quando/se a internet “‘pública” (como através da Vivo) vai se beneficiar disso?
    O ping de Porto Alegre a Angola estava 267ms antes do cabo, e continua igual… via EUA e Europa

    • 16 de outubro de 2018

      Depende de a operadora contratar capacidade no cabo.

    • Mateus
      16 de outubro de 2018

      Vc fez o tracert por qual site angolano?

      • Marcos Henz
        17 de outubro de 2018

        fundosoberano.ao

        Não tenho certeza absoluta que é hospedado lá, mas me parece…

  2. mateus
    16 de outubro de 2018

    E o cabo Brasil – Europa? alguma previsao? Axo mais essencial a conexao direta com a europa do q com Luanda.

  3. Ângelo
    21 de outubro de 2018

    Há aqui um erro, o cabo submarino de fibra óptica é angolano e não brasileiro, logo é:
    CABO ANGOLA – BRASIL e não como se dis por aí
    Cabo Brasil – Angola…