Cabo submarino: Fazenda autoriza Telebras a criar joint venture


O contrato de criação da empresa com a IslaLink, que terá 45% de participação, deve ser assinado ainda esta semana. O novo cabo submarino vai desafogar a comunicação do Brasil com a Europa, que hoje passa pelos Estados Unidos, e será usado também pela Comunidade Europeia, principalmente pela sua rede acadêmica. Quando entrar em operação, em 18 a 20 meses, vai reduzir os custos de conexão, com mais qualidade. O investimento total na construção do cabo está estimado em R$ 185 milhões.

O cabo submarino a ser construído entre o Brasil e a Europa por uma joint venture entre Telebrás (35%), IslaLink (45%) e fundos nacionais (20%) finalmente desencalhou. Na sexta-feira passada (19), o presidente da Telebras, Jorge Bittar, recebeu a informação de que o projeto estava aprovado pelo Ministério da Fazenda. “Vamos assinar o contrato de constituição da empresa o mais rápido possível, nesta semana”, comemorou Bittar que, embora apenas há dois meses à frente da estatal, envolveu-se nas negociações com a Fazenda para liberar o projeto. A IslaLink, antes espanhola, hoje é controlada por fundos de investimentos suecos.

O atraso no projeto, anunciado no final de 2013, motivou a visita, em março deste ano, de representantes da Comissão Europeia a Brasília, quando mantiveram reuniões com a Casa Civil, o Ministério das Comunicações e a Telebras. Queriam saber quando o cabo submarino ia sair do papel.

A Europa tem pressa e precisa deste cabo. Principalmente para o projeto do observatório astronômico que está sendo construído no Chile. Os Estados Unidos também têm uma base astronômica no Chile e construíram uma ultra rápida rede de banda larga para receber as informações do espaço sideral direto em seus computadores norte-americanos.

A Europa, por sua vez, sabe que, para receber as informações dos fenômenos astronômicos que serão coletados por este mega aparelhos e dar as respostas no momento certo, não pode esperar que as comunicações feitas com a América Latina tenham que passar  pelos Estados Unidos, como ocorre até hoje. É preciso uma ligação direta, e por isto este cabo submarino. Projeto importante também para o Brasil, que pode diminuir seus custos de comunicação, além de também melhorar a qualidade dos sinais com o velho continente.

Para os europeus, contudo,  não há como entender porque até hoje o consórcio entre as duas empresas –privadas – não foi fechado. E admitem algumas fontes, não é só o lado brasileiro o responsável pela letargia do projeto. A IslaLink, empresa escolhida para fazer a parceria com a Telebras também tem lá os seus problemas. Esta empresa, que era espanhola, já mudou de dono pelo menos três vezes, e hoje é controlada por fundos de investimentos suecos.

Sem o contrato, nem a Comunidade Europeia, nem o governo brasileiro podiam dar garantia de uso da capacidade. Para agravar, a Comissão Europeia, que usa recursos de fundos governamentais, já tinha reservado uma verba para a licitação pública que seria realizada para a empresa que iria contratar a capacidade desse cabo. Este dinheiro só estaria disponível até este mês de junho, informam fontes. Ou seja, o nó foi desatado quase no dia D.

Colaborou Miriam Aquino

 

 

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