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*Por Bruno Koinz, diretor da divisão de sistemas submarinos da Padtec (foto)

Os sistemas de cabos ópticos submarinos são, atualmente, os principais responsáveis pelo escoamento do imenso tráfego de internet entre continentes – 95% desse tráfego passa por eles. Afinal, quando se fala em backbones de altíssima capacidade, a fibra óptica é um meio de transmissão imbatível.

Os provedores de serviços over-the-top – conhecidos como OTTs -, de modo geral, têm investido em sistemas ópticos submarinos para interconectar seus datacenters e realizar transmissões em longas distâncias, com capacidade cada vez mais elevada. Por outro lado, os OTTs hoje estão empenhados em buscar formas de reduzir o custo por bit transmitido, mantendo a qualidade do serviço.

Um dos caminhos para atender essa necessidade do mercado está no aumento da capacidade dos equipamentos e do próprio meio físico utilizados no sistema. A Padtec, por exemplo, vem trabalhando no desenvolvimento de equipamentos com duas bandas ópticas (C+L), que oferecem até 220 comprimentos de onda a 50GHz, que podem ser modulados para transmitir 100/200 ou até 400 Gbps (cada um), como forma de otimizar o meio físico – e, com isso, reduzir o custo por bit.

Outra tendência é oferecer repetidores ópticos de custo mais baixo. Atualmente, os repetidores padrão da indústria são desenvolvidos para garantir alta confiabilidade, com a ocorrência de um defeito a cada 25 anos. Para isso, levam componentes e proteções especiais, capazes de assegurar que não ocorram falhas nesse período. Isso se justifica em sistemas transatlânticos, normalmente com grande número de repetidores. Mas nos casos de distâncias mais curtas, em que são necessários menos repetidores, o grau de confiabilidade não precisa ser tão alto. Com um padrão de confiabilidade de 15 anos, por exemplo, é possível baratear o custo do repetidor – o que torna seu uso viável em sistemas regionais, com distâncias mais curtas do que os sistemas transatlânticos. Isso não significa, contudo, que a confiabilidade do sistema será menor; apenas que ele está ajustado para atender aplicações que não requerem uma margem de segurança de vida útil tão longa.

Outro componente que também pode contribuir para a redução do custo do sistema óptico submarino são os cabos. Tradicionalmente, a parte que conduz a potência (corrente elétrica necessária para alimentar os repetidores) é constituída de um tubo de cobre, que custa caro. Mas os fabricantes desse componente já estão pesquisando materiais alternativos para substituir o cobre – como o alumínio, que tem um custo muito mais baixo.

Essas são as principais linhas que estão sendo estudadas com o objetivo de aumentar a capacidade, cada vez mais, e reduzir o custo dos sistemas submarinos. Essa estratégia beneficia, particularmente, os sistemas ópticos regionais que, em geral, apresentam custo de implantação por quilômetro mais alto do que o de sistemas transatlânticos. Isso porque o sistema regional geralmente percorre uma extensão maior da plataforma continental, o que exige maior proteção dos cabos ópticos, devido às atividades de pesca e de fundeio, por exemplo, praticadas próximas à costa. Para evitar danos à infraestrutura, normalmente se enterra o cabo no fundo marinho, o que torna a implantação mais cara do que nos sistemas intercontinentais – em que os cabos são mais leves, mais baratos e não há necessidade de enterrar.

A oferta de soluções adequadas a necessidades diferentes – e com menor custo por bit – beneficia, também, a implantação de sistemas ópticos subfluviais, aproveitando a abundante malha hídrica brasileira. Afinal, parte considerável da população do país vive ao longo dos rios e os sistemas subfluviais apresentam diversas vantagens – como a agressão ao meio ambiente praticamente nula e os custos de uso da infraestrutura menores do que os das instalações em rodovias.

A principal diferença do sistema subfluvial para o submarino está na logística de implantação, já que a dinâmica dos rios é muito diferente. O rio Negro, por exemplo, é tranquilo e oferece visibilidade para inspeções por mergulho; já o Solimões é barrento, tem correntes muito fortes, o que torna o mergulho perigoso. A logística de implantação tem de estar adaptada a isso. É importante lembrar que implantação não significa apenas jogar o cabo no fundo do rio; é preciso saber exatamente onde ele foi lançado, para que se possa fazer um reparo, se necessário. Por isso, é fundamental ter uma documentação bem feita e um bom equipamento para a localização.

Tanto nos sistemas subfluviais como nos submarinos, as fases de projeto, concepção, survey (mapeamento das áreas onde os cabos serão implantados) também são muito importantes, pois têm impacto no custo da implantação – e da manutenção – da infraestrutura. É essencial que tudo seja muito bem planejado.