BrT quer definição de novas regras de conversão


Como as demais concessionárias, a Brasil Telecom (BrT) já iniciou o processo de conversão de suas centrais telefônicas para migrar o faturamento de pulso para minuto. Por isso, ainda no fim do ano passado, a empresa definiu capex maior para o ajuste de mais de 1,3 mil centrais, lembrou hoje, 23, em teleconferência, o presidente …

Como as demais concessionárias, a Brasil Telecom (BrT) já iniciou o processo de conversão de suas centrais telefônicas para migrar o faturamento de pulso para minuto. Por isso, ainda no fim do ano passado, a empresa definiu capex maior para o ajuste de mais de 1,3 mil centrais, lembrou hoje, 23, em teleconferência, o presidente Ricardo Knoepfelmacher.

Até junho, seriam gastos R$ 250 milhões, parte dos recursos que seriam carreados para adequação às alterações do marco regulatório, estimados entre R$ 600 milhões e R$ 800 milhões. Com a mudança anunciada ontem, talvez estes gastos se situem no patamar mais baixo. Os investimentos totais da BrT previstos para 2006 são de R$ 2 bilhões.

Hoje, informou o executivo, a operadora vai conversar com a Anatel sobre o assunto que, lembra, já tinha sido objeto de consulta pública para renovação dos contratos de concessão das empresas do STFC. “Não pode, simplesmente, haver adiamento sem definição de novas regras”, afirmou Ricardo K. E como a migração já começou, a empresa vai procurar renegociar com os fornecedores. Ele destaca, porém, que, mais cedo ou mais tarde, a conversão será feita de qualquer maneira.

Recuo do serviço fixo

No quarto trimestre de 2005 (4T05), a participação da telefonia fixa na receita da Brasil Telecom foi de 79%, abaixo dos 82% do trimestre imediatamente anterior (3T05), recuo igualmente nítido na comparação anual: 89,6% em 2004, 81,9% em 2005.

Francisco Santiago, vice-presidente operacional da Brasil Telecom, considera irreversível a erosão da receita gerada pela telefonia fixa. Por isso, a operadora adotará uma série de ações comerciais com objetivo de transferir da infra-estrutura móvel para a fixa as chamadas locais fixo-móvel, uma vez que 30% das ligações móveis partem de residências e escritórios. É este tráfego que a BrT pretende trazer para a infra-estrutura da rede fixa, através do CTP (Cordeless Telephony Profile), que será lançado no segundo trimestre, e que desvia a ligação da rede móvel para a rede fixa sempre que o assinante estiver em ambientes servidos por terminais fixos. Outras medidas incluem a oferta de mais planos alternativos.

Dados

Paralelamente ao declínio do faturamento do serviço fixo, vêm crescendo consistentemente as receitas de dados e do serviço móvel. No primeiro caso, a participação no faturamento foi de 15% no 4T05, e de 13% no 3T05, uma evolução trimestral de mais de 15 pontos percentuais. Em valores, R$ 570 milhões e R$ 490 milhões, respectivamente no quarto e terceiro trimestres de 2005.

Em termos anuais, a participação dos serviços de dados aumentou de R$ 1,24 bilhão (9,7% da receita bruta), em 2004, para R$ 1,92 bilhão (13,1%), no ano seguinte. A receita do ADSL responde por 35% da receita de dados.

Por isso, segundo Charles Putz, vice-presidente financeiro da operadora, a empresa projeta, para 2006, um crescimento de 30 a 40% na base de clientes do serviço banda larga, assim como a manutenção da receita média por usuário (ARPU) na faixa dos R$ 70 obtidos no ano passado.

Móvel

Quanto à BrT GSM, que conquistou market share de 8,7% na sua área de atuação, sua base de clientes pós-pagos representa mais de 31% dos acessos totais. A expansão do serviço também pode ser medida pela participação no faturamento bruto consolidado da operadora: 0,7% em 2004, 5% em 2005.

Na comparação do quarto com o terceiro trimestre, enquanto o serviço pós-pago cresceu 52%, para 693 mil assinantes, o pré teve expansão de 25%, para 1,52 milhão de assinantes. A taxa de crescimento trimestral composta (CAGR, da sigla em inglês) do 4T05 em relação ao 4T04 foi da ordem de 30%.

Custo de aquisição

Entre o quarto e o terceiro trimestres de 2005, o custo de aquisição do cliente (SAC) da BrT GSM diminuiu 19%, de R$ 231,9 para R$ 187,7, e 9% em bases anuais. “Isto mostra que não estamos brigando por volume e que continuamos a cortar subsídios”, afirmou Sergio Pellegrino, presidente da empresa. Para 2006, disse, a meta é que o SAC fique em torno dos R$ 200,00.

Pellegrino lembrou, também, que a BrT GSM não tem custo de retenção elevado por ser uma operadora nova.

IPTV

Em resposta ao edital lançado para contratação de fornecedores para o serviço de IPTV, com compartilhamento de riscos, a BrT recebeu, até agora, seis propostas, informa Francisco Santiago, acrescentando que a operadora vai entrar na nova área de “forma contida”, no terceiro trimestre, oferecendo vídeo sob demanda e jogos. Essas ofertas podem evoluir, se for possível. Quanto à busca de novas licenças para prover o transporte de conteúdo audiovisual, por enquanto não está nos planos da empresa.

Manutenção

Quanto à concorrência lançada para escolher provedores de serviços de manutenção das plantas interna e externa e das centrais de atendimento, essa terceirização faz parte da “busca incessante de cortes de custos” da BrT, de acordo com o presidente Ricardo K.

Ele pondera que todo este processo é lento, envolvendo desde otimização de contratos existentes, até qualificação técnica e comercial dos fornecedores. “Lançamos os editais há duas semanas, o processo não se conclui da noite para o dia”, observou ele, acrescentando que o resultado da concorrência deve estar definido em maio.

EBITDA

Entre as provisões que reduziram o EBITDA do 4T05 em R$ 559 milhões, R$ 198 milhões foram referentes a contingências vinculadas a processos trabalhistas e previdenciários; R$ 171 milhões à revisão de cálculo atuarial decorrente da atualização de tábua de mortalidade da Fundação BrTPrev.; R$ 74 milhões a riscos de perdas em contas submetidas ao processo de cobrança de outras operadoras; R$ 77 milhões a estornos de créditos fiscais; R$ 39 milhões a provisões relacionadas à dedução do custo de interconexão e à alteração da base de cálculo do FUST.

Quanto aos impactos do corte de 12% na folha de pagamentos, a empresa estima que a redução de custos terá igual percentual em valor, por mês, que será sentida ao longo dos primeiro e segundo trimestre de 2006.

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