BrT poderá custar até 2 bi de euros à Telecom Italia


22/julho/2005 – A movimentação da Telecom Itália, que semana passada voltou a falar numa possível “estatização da Brasil Telecom” devido à intenção de compra da operadora pela Telemar (intenção essa que já foi descartada há alguns meses), deve ser entendida  como mais um lance na negociação das ações do Citybank e dos fundos de pensão. …

22/julho/2005 – A movimentação da Telecom Itália, que semana passada voltou a falar numa possível “estatização da Brasil Telecom” devido à intenção de compra da operadora pela Telemar (intenção essa que já foi descartada há alguns meses), deve ser entendida  como mais um lance na negociação das ações do Citybank e dos fundos de pensão.
Embora a Telecom Itália continue a resistir em pagar o preço que pedem  os fundos e o City – pelo menos o mesmo que foi pago pelas ações do Opportunity , ou  R$ 70,00 pelo bloco de mil ações –, o mercado acredita que ela acabará se rendendo a esse pleito, até porque, em seu balanço econômico  na Itália, estão disponíveis 600 milhões de euros para serem gastos com aquisições (dinheiro suficiente para pagar a fatia dos  dois sócios).
Mas a operadora poderá ter que desembolsar muito mais recursos , caso prevaleça a interpretação da CVM de que a aquisição de ações de uma companhia, mesmo que seja por um grupo que já pertença ao bloco de controle,  representa mudança de controle. Essa decisão, ainda na esfera técnica, foi tomada em junho, quando a empresa francesa Cassino comprou 50% das ações do Pão de Açúcar.
Isso significa que a Telecom Itália, mesmo fazendo parte da Brasil Telecom, ao adquirir a totalidade das ações ficaria obrigada a pagar o tag along (80% do prêmio de controle) aos acionistas minoritários que possuem ações ordinárias. Os acionistas minoritários detêm 49% das ações ordinárias da Brasil Telecom, que representam 35% do total das ações da companhia. A Telecom Itália teria que desembolsar quase 1 bilhão de euros para esses acionistas. É uma montanha de dinheiro, que, acrescida ao já acertado com o Opportunity e o que deve ficar para os outros dois sócios, custaria para a operadora italiana perto de 2 bilhões de euros, nas contas de analistas de mercado. Uma quantia que, certamente, só será desembolsada depois de se tentar várias outras alternativas.

Novo comando já está escolhido

Como o Citi e os fundos não acreditam em um acordo com a Telecom Italia, no curto prazo, para a venda de suas ações na Brasil Telecom, eles aceleram os trâmites para assumir o comando da operadora. A equipe de gestores da empresa já está definida – são nomes ligados ao Angra Partners, o gestor do CVC nacional, e ao Citi, vários deles com experiência no mercado de telecom. Pela expectativa de representantes dos fundos e do Citi, a nova equipe chegar à operadora no final de agosto/início de setembro, quando se esgotarão os prazos legais para a mudança. “O Opportunity, como já fez em outras empresas onde era o gestor em nome do CVC, não vai abrir mão de um único dia no comando da operação”, diz um representante do Citi. Semana que vem tem assembléia da Brasil Telecom Participações que notificará os gestores da operadora para a convocação do Conselho.
De acordo com fontes ligadas ao gestor do CVC nacional, não existe nenhuma chance jurídica de a Telecom Italia assumir o controle da operadora com base no contrato de compra que assinou com o Opportunity (0,1% do CVC, 9,75% do Zein que integrava a Techold, controladora da operadora, ações diretas sem direito a voto e ressarcimento pelo litígio), que embutiria a captura do direito de voto do acionista que destituisse o gestor. Prêmio este que teria contribuído para a Telecom Italia pagar, pelas ações, quase 300% sobre o preço de mercado. “Essa iniciativa está totalmente bloqueada na Justiça, com respaldo da CVM que identificou problemas no contrato”, assegura. 

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Próximos Impasse sobre as fraudes. Acordo conjunto entre fixas e celulares está enterrado.