Breve, operadoras levam fibra à casa do cliente.


Muito se fala na multiplicidade da oferta de serviços convergentes, triple play, o que envolve imenso volume de conteúdos, todos grandes consumidores de banda. Pouco, talvez, fale-se da infra-estrutura que suportará de jogos a streaming de vídeo; de IPTV a acesso à internet em altíssima velocidade, por exemplo. Isso, porém, não quer dizer desatenção dos …

Muito se fala na multiplicidade da oferta de serviços convergentes, triple play, o que envolve imenso volume de conteúdos, todos grandes consumidores de banda. Pouco, talvez, fale-se da infra-estrutura que suportará de jogos a streaming de vídeo; de IPTV a acesso à internet em altíssima velocidade, por exemplo. Isso, porém, não quer dizer desatenção dos provedores, hoje, ainda procurando tirar o máximo de sua rede legada de cobre, via ADSL – que tem vida curta, garantem especialistas. Vida longa, pelos próximos 30 anos, está na rede óptica passiva (PON, na sigla em inglês), uma arquitetura ponto-multiponto que leva a fibra até a casa do usuário (FTTx) e cujos primeiros desenvolvimentos datam ainda dos anos 1990, sob a batuta de um grupo formado por grandes operadoras de telecomunicações e vendors.

As primeiras implementações PON foram feitas na Ásia, pelas japonesas NTT, Yahoo!BB e KDDI, e pela coreana KT Telecom. Nos EUA, SBC/ AT&T, Bell South e Verizon estão licitando redes Gigabit Ethernet PON (GPON). Na disputa, Alcatel, Hitachi Telecom USA, Motorola e Tellabs. Na Verizon, o fornecedor está escolhido: a Alcatel, como prime contractor, informa Camilo Moutinho, diretor comercial e de engenharia da empresa, acrescentando que se trata de uma rede nacional que cobrirá 14 dos 28 estados americanos. Essa licitação, aliás, é esperada com ansiedade pelos fabricantes, porque dará escala a equipamentos ainda muito caros. Em 2002, lembra Moutinho, na NTT, o custo da rede era de US$ 6 mil por usuário, custo que hoje é de quase US$ 1 mil, entre rede e equipamentos. A lista de vendors inclui, ainda, entre outros, Huawei, FlexLight, Fujitsu, Furukawa, NEC, Siemens, ZTE e UTStarcom.

Curto prazo

No Brasil, ao que tudo indica, redes ópticas de acesso podem ser uma realidade nos próximos dois anos. Ao menos nos grandes centros, que já dispõem de infra-estrutura óptica (redes MetroEthernet), é o que esperam Alcatel, FlexLight, NEC, Tellabs e demais fornecedores com presença no país. “O mercado de transmissão óptica é estratégico para a NEC”, garante Eduardo Ribeiro, gerente de marketing e sistemas ópticos da empresa, lembrando que a NEC atua no segmento, com equipamentos rádio. Por exemplo, a rede de transporte SDH da Telemar, com mais de 30 mil elementos. E a empresa promete mais, para breve: reestrutura a área para dobrar a receita gerada por produtos ópticos, avançando para DWDM e PON. Mas sabe que, em 2007, o carro-chefe continuará o SDH porque, explica Ribeiro, ainda são necessários investimentos na rede de transporte, antes de dirigí-los para a de acesso óptico. A velocidade de implantação, completa Moutinho, dependerá do grau de competição dos serviços, da regulamentação, do apetite do usuário por banda larga.

Embora redes PON não sejam novas, seus drivers fortes são recentes – jogos, altíssimas velocidades de acesso à internet, imagem. “O cobre não vai conseguir dar conta da demanda”, assegura Moutinho, da Alcatel, que vê no GPON o padrão mais “genérico”, porque contempla, além de Ethernet, ATM, TDM e vídeo. A seu ver, como essa rede óptica de acesso dispensa dispositivos intermediários eletrônicos ativos, propicia ganhos operacionais, isto é, barateia a operação dos provedores. “A médio prazo, o custo da PON com serviços e upgrade pode ser 40% menor do que a rede de cobre”, calcula Moutinho. Ele admite, porém, que, hoje, os equipamentos custam muito caro. Mas projeta, para 2008, uma base de 80 milhões de usuários de fibra, dos quais 70% na Ásia, 15% na Europa, 15% nas Américas. E, em alguns anos, um mercado de US$ 25 bilhões para os fornecedores, à base de US$ 350 por usuário. Segundo o executivo, a Alcatel demonstrou testes laboratoriais de PON a algumas incumbents locais e realizou experiências de campo com uma delas.

Na visão dos fornecedores, não é de todo improvável que, em 2007, a Telefônica implemente a rede óptica de acesso, ou que a Embratel faça uma tomada de preços (RFP), ou que a Telemar, preocupada em atender à demanda por triple play, invista em PON para complementar sua oferta ADSL.

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