Brasil precisa resolver conflito entre software livre e brasileiro


A Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) ainda está avaliando, ponto a ponto, a certificação de software nacional desenvolvida para regulamentar a margem de preferência em compras públicas. Para a Abes, a base da CERTICS é a geração de competências nacionais, mas o texto deixa dúvidas de como isso será identificado, conforme explicou o presidente do conselho da entidade, Gerson Schmitt. A maior preocupação do também empresário do setor de software, no entanto, está na dificuldade do governo brasileiro de resolver o conflito existente entre a política de incentivo para o software nacional e a política de incentivo ao software livre, ainda intocada.

“Como é possível estar em tramitação no Congresso uma proposta de preferencia de compra para software livre e que não tem nada a ver com software nacional? Há conflito. Queremos ter o software nacional com a mesma evidência e preferência que é dada ao software livre”, explica Schmitt. 

Entre as reivindicações do setor, aponta o presidente do conselho da Abes, está a exclusão do software nacional do Portal do Software Público, que só aceita software livre. “Com isso, o governo exclui 96% do mercado porque o software livre tem menos de 4% do mercado brasileiro”. 

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Para a Abes, a política de incetivo ao software livre acaba por dificultar a consolidação da indústria de software nacional. “A vida útil média de uma fornecedora de software livre é de menos de um ano. Essas empresas também têm problema de produtividade porque estão baseadas na venda de serviços. Como a industria de software livre exige mais serviço do que a de software proprietário, tem produtividade 34% inferior. Por essas situações, pela falta de mão de obra e por pouca capacidade de proteger esse conhecimento, entendemos que, no mínimo, o software nacional deve ter a mesma oportunidade. Ao governo cabe preferir o menor custo de projeto e não o custo de compra inicial. Estamos defendendo isso porque o atual modelo prejudica a indústria nacional e não a internacional”, defendeu Schmitt.  

Durante sua apresentação no Seminário Perspectivas para o Setor de TI realizada pela BM&FBovespa em parceria com a Apimec, Schmitt apresentou dados da IDC que demonstram a fragilidade da indústria de software nacional. Do total da receita do mercado de softwares no Brasil, US$ 9,485 bilhões, apenas US$ 2,034 bilhões correspondem a soluções nacionais. Ainda, a exportação de software soma irrisórios R$ 183 milhões.

“As empresas brasileiras participam com 8% em software. Avaliando este cenário, a má notícia é que estamos pequenos. E, a boa notícia é que há possibilidade de crescimento gigantesco. A curva é ascendente”, frisou a investidores.

CERTICS
Uma das dúvidas da Abes em relação ao modelo de certificação de software nacional (CERTICs) é quanto ao valor a ser pago pelas empresas pelas certificações. “Queremos entender até onde as pequenas e médias empresas conseguirão assumir o pagamento desses valores porque isso não é por empresa, mas por processos”, afirmou Schmitt lembrando que o custo da certificação pode variar de R$ 5 mil a R$ 45 mil. 

 

 

 

 

 

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