Brasil possui 3,8 milhões de domínios registrados


Em evento, Icann e NIC.br falam sobre risco de “captura” por empresas das funções IANA após a transição da custódia dos Estados Unidos para modelo multissetorial.

O NIC.br, organismo técnico responsável pela gestão de registros de domínios, contabiliza pouco mais de 3,8 milhões de domínios em uso no país. A maioria é feita através do Registro.br, mas canais de venda de domínios, como Locaweb e Uolhost, são fundamentais, tendo realizado cerca de 1 milhão do total. No país há 70 empresas revendendo registros de domínio.

As informações foram reveladas nesta sexta-feira, 03, último dia do 8ISP, encontro nacional de associados da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), por Hartmut Glaser, secretário-executivo do CGI.br. Segundo ele, o Brasil é um dos países com maior aceitação de domínios locais.

Aqui, 82% dos registros levam o sufixo .br, e 100% deles é feito por brasileiros. Para manter a métrica e evitar que os brasileiros recorram a serviços estrangeiros e usem nomes de outros países, o NIC.br tem flexibilizado o registro de domínios locais, oferecendo mais de 50 segundos-níveis de registro. “Os brasileiros deviam usar NIC.br como operador porque o dinheiro fica no Brasil, temos competência, qualidade e eficiência”, defendeu.

Transição da governança da Icann
Glaser foi um dos debatedores de painel que propôs discutir os desafios da transição das funções Iana, hoje realizadas pela Icann sob controle dos Estados Unidos, para um modelo transparente e multissetorial. A transição deve acontecer até o final de setembro. Algumas das funções IANA consistem em gerir registros de domínios para a internet no mundo. 

Daniel Fink, gerente de engajamento de stakeholders da ICANN, abriu o painel lembrando que a transição sempre foi uma demanda da comunidade digital, uma vez que a custódia dos EUA sobre a IANA gera desconforto para outros países. Ele lembrou que, embora os EUA não tenham nunca interferido na execução das funções IANA, o modelo multissetorial traz a vantagem da transparência.

Mas também apresenta ameaças, como uma presença desbalanceada de grandes empresas. Este riso só poderia ser evitado com ativa participação dos diversos setores – sociedade civil organizada, provedores, academia etc. “Para evitar a captura da ICANN por uma grande empresa é muito importante a participação ativa de muitos stakeholders”, alertou.

Glaser concordou. E adicionou que é importante fazer a ICANN dar mais atenção aos domínios por país, além dos genéricos. “Temos países que até hoje não tem condições tecnológicas de oferecer aos seus cidadão o código de seu país. Falta muito para termos uma gestão multissetorial. Por que não valorizar os códigos de país para que não haja captura?”, disse.

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