“No Brasil, a Internet das Coisas terá uma importância ainda maior”, afirma presidente da Cisco


O presidente da Cisco no Brasil, Rodrigo Dienstamman, avalia que a Internet das Coisas é um fênomeno sem volta porque tudo está indo para IP e os sensores e transmissores estão ficando muito baratos. E o Brasil pode se apropriar melhor desta nova onda, visto que ela aumenta a eficiência individual e o país ainda amarga um dos índices mais baixos de competitividade de sua mão de obra.

O presidente da Cisco no Brasil, Rodrigo Dienstamman, avalia que a Internet das Coisas é um fênomeno sem volta porque tudo está indo para IP e os sensores e transmissores estão ficando muito baratos. E o Brasil pode se apropriar melhor desta nova onda, visto que ela aumenta a eficiência individual e o país ainda amarga um dos índices mais baixos de competitividade de sua mão de obra.

O executivo disse também nesta entrevista que a empresa vai ampliar a sua produção local, e, depois dos roteadores, swtches e equipamentos de Wi-Fi, comçará a fabricar no país ainda este ano os servidores.

Tele.Síntese – Como você avalia o crescimento da Internet das Coisas?

PUBLICIDADE

Rodrigo Dienstmann – O conceito de internet das coisas é bastante amplo. Está se tornando mais maduro por dois motivos: todo o mundo está convergindo para IP e os sensores e transmissores estão ficando muito baratos. Não se assuste se, em sua casa, dentro 10 anos, existam 200 câmeras. Esse conceito irá transformar completamente cadeias de valor na sociedade e na economia. Sejam elas do setor público ou do setor privado.

Tele.Síntese – E como se transforma essas cadeias de produção?

Dienstmann – Criando produtos, serviços, usos e ofertas que não existem hoje. E, em segundo lugar, aumentando a utilização de ativos que estão hoje subutilizados; em terceiro, aumentando a eficiência individual. E isto tudo no Brasil tem uma importância maior.

Tele.Síntese – Por que temos todas essas carências?

Dienstmann – Não só porque temos essas carências, mas temos também uma produtividade mais baixa do que a  média dos países. Aqui nossas cadeias de valor são ainda mais improdutivas, a nossa  eficiência individual é ainda menor. Dados do Banco Mundial mostram que o brasileiro é cinco vezes menos produtivo do que o norte-americano médio. A oportunidade do Brasil é proporcionalmente maior.

Tele.Síntese – O que precisa ser feito para o país entrar neste novo conceito, com vantagens?

Dienstmann – Esta onda vai acontecer independentemente de que se faça algo. Mas para que ela possa trazer todas as vantagens para o país é preciso de um arcabouço regulatório e legal apropriado. A desoneração do Fistel para o M2M, como foi feito recentemente, é o caminho certo. A tecnologia tem que ser encarada como uma infraestrutura básica do país e o esforço de deixar o preço de TI e de telecomunicações tão competitivos como lá fora, é um esforço na direção certa.

Os clientes que compram Cisco hoje, ao importar, estão pagando o produto mais caro do mundo, por causa dos impostos. A Cisco está fabricando no Brasil, e está ajudando a competitividade, mas ainda é muito caro.

Tele.Síntese – A quem cabe fazer esta regulação?

Dienstmann –  Já  estamos caminhando, com a desoneração dos tabletes e smartphone. Hoje, já se compra um tablete da Apple no Rio de Janeiro pagando-se apenas 5% a mais do que nos Estados Unidos. A lei do Bem teve papel importante, o REPNBL também é importante. Cabe a todo mundo. Não só ao governo, não só a agência reguladora, não só ao empresariado.

Tele.Síntese – A experiência de fabricação no Brasil da Cisco é recente, não?

Dienstmann – Sim. Começamos em dezembro de 2012.

Tele.Síntese – E como está a experiência?

Dienstmann – Estamos mantendo rigorosamente o nosso planejamento. Começamos pelos roteadores, que são nosso best sellers, em seguida introduzimos os switches e já estamos prontos para fabricar uma nova linha de switches, ampliando o portfólio. Há dois meses, iniciamos o WiFi. E nossa próxima meta é trazer para a fabricação no Brasil o nosso servidor.

Tele.Síntese– A fabricação dos servidores, ainda este ano?

Dienstmann – Sim, provavelmente este ano. A nossa plataforma de fabricação é só para atender ao mercado local. Mas temos condições de fabricar para a exportação, só que esta decisão seria um outro projeto.

Tele.Síntese – A desaceleração econômica afetou o negócio de vocês?

Dienstmann – Afetou, como afeta a todos. O negócio da Cisco do Brasil não está separado dos demais negócios  e  não está separada o mercado mundial de TICs, que teve também uma contração importante.  No Brasil, não vemos as empresas desistindo dos projetos, mas sim adiando investimentos. O mercado encolheu bastante no último ano, mas percebemos que estão adiando as decisões.

Tele.Síntese – Você acha que  no próximo ano o mercado se recupera?

Dienstmann – Sim. A gente observa que o mercado está em compasso de espera. Mas os clientes sabem que os projetos são críticos pois afetam a produtividade. O grandes bancos, as mineradoras, as operadoras que compram tecnologia como a da Cisco para melhorar a sua produtividade vão voltar a comprá-la.

Tele.Síntese – E o faturamento? Também houve queda?

Dienstmann – Está muito errático. Um trimestre com altos ganhos, outro com contração.

Tele.Síntese – E o Centro de Inovação da Cisco?

Dienstmann – Está indo muito bem. Já tocamos 12 projetos de várias verticais. Hoje estamos usando os recursos do PPB (contrapartida da fabricação local em P&D) nestes projetos. A ideia é que no futuro eles sejam auto-sustentáveis. Hoje, eles contam com os recursos do PPB, da Cisco matriz, e da Cisco Brasil.

Tele.Síntese – Qual a vertical que você acredita se desenvolve mais rapidamente no Brasil com a Internet das Coisas?

Dienstmann – Nenhuma é rápida. Aquelas que combinam rapidez com potencial financeiro, são  smart grid; educação, pois podemos pensar que os royalties do petróleo  deverão também ser gastos em tecnologias para a educação. Saúde, certamente, também as cidades inteligentes. Nesta área nós temos  projetos de smart lightining.

Tele.Síntese – Você tem alguma preocupação que a regulamentação do Marco Civil da Internet acabe atrapalhando a Internet das Coisas?

Dienstmann– Não. Porque a Internet das Coisas não é necessariamente  Internet. Uma rede de sensores para medir temperatura, por exemplo, não precisa estar na internet. Pode ser uma rede dedicada.  A neutralidade da rede não impede muitas dessas aplicações, pois muitas delas não são em cima da internet.  Pode-se usar até o protocolo IP, mas não necessariamente a internet. Por exemplo: posso usar um smartphone e a rede celular 3G ou 4G e não usar a internet.

Anterior Sem serviço de telecom? Anatel vai mandar ressarcir imediatamente
Próximos Anatel nega pedido de adiamento do leilão de 700 MHz e consulta termina terça