Brasil ainda não é atrativo para fabricação de chips, diz diretor da Texas Instruments


O diretor-geral da Texas Instruments na América do Sul, Antônio Motta, afirmou nesta quarta-feira (31), que os incentivos fiscais do governo não são suficientes para trazer a produção de microprocessadores para o país. “O Brasil ainda não se tornou atrativo nesse aspecto”, disse o executivo durante evento da companhia em São Paulo. Para Motta, outros …

O diretor-geral da Texas Instruments na América do Sul, Antônio Motta, afirmou nesta quarta-feira (31), que os incentivos fiscais do governo não são suficientes para trazer a produção de microprocessadores para o país. “O Brasil ainda não se tornou atrativo nesse aspecto”, disse o executivo durante evento da companhia em São Paulo.

Para Motta, outros fatores como mercado interno limitado e problemas de infraestrutura tornam o investimento insustentável para companhias do setor de microeletrônica, que já tiveram operações no país no passado mas desistiram devido a pressões de reserva de mercado. A própria TI, que está no Brasil desde 1973, fechou sua fábrica de montagem em Campinas em 1991, quando o governo passou a exigir que multinacionais trabalhassem em parceria com empresas locais. “O bonde já passou”, afirmou Motta.

Apesar disso, o executivo diz que vê um aumento significativo na demanda por seus produtos no Brasil nos próximos anos, destacando o mercado de telecomunicações, um dos principais clientes da TI, especialmente devido aos investimentos gerados pela Copa do Mundo e as Olimpíadas. “O PNBL deve representar um incremento de negócios muito grande”, acrescentou. Segundo Motta, o Brasil já representa 90% dos negócios da empresa na América do Sul.

Embora a Texas Instruments não tenha planos para ampliar sua atuação no Brasil, que atualmente se limita à importação de seus componentes para revenda, Motta não descarta a possibilidade. “Nunca tivemos tantos engenheiros [da sede, nos EUA] vindo ao país como neste ano”, detalhou.

Para o executivo, o “caminho natural” para a instalação da indústria no país novamente seria primeiro abrir novos centros de projetos de chips, ou design houses, e apenas depois construir fábricas, caminho oposto do incentivado pelo governo, segundo Motta.

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