Brasil abandona a TV digital interativa?


Está para ser anunciada pela Anatel – responsável pela implementação da TV digital em território brasileiro- a decisão do grupo executivo de implementação de TV digital sobre as especificações técnicas do conversor de TV analógica para digital que será comprado para ser distribuído à população de baixa rende. A especificação técnica desta caixinha é de fundamental importância para a política industrial brasileira, pois pode viabilizar a tecnologia nacional. Afinal, serão comprados pelo menos 10 milhões de conversores, que terão que ser distribuídos para as famílias que integram o cadastro do Bolsa Família. Uma compra desta magnitude viabiliza qualquer projeto tecnológico.

Mas, conforme fontes da Abert, já foi tomada a decisão dentro do grupo sobre a característica técnica deste conversor: ele terá uma interatividade “pontual”. Ou seja, a TV não será mais o veículo que poderia permitir o acesso às informações de governo eletrônico ou mesmo informações públicas. A escolha do perfil técnico deste conversor se baseou no pleito das operadoras de celular – aquelas que irão pagar pela sua fabricação e distribuição – e das emissoras comerciais de TV, que mão veem negócios nesta interatividade. Perderam a disputa as emissoras públicas, que defendiam com afinco a adoção de uma interatividade plena, para se caminhar no futuro para a TV 4D.

A aliança entre as operadoras de celular e as emissoras comerciais no Gired se baseou no volume de recursos que as empresas de telecom se comprometeram a alocar para financiar a transição da TV analógica para a digital. E é mesmo muito dinheiro (mais de R$ 3 ,6 bilhões), mas pouca verba para tanto a  ser feito, já que o governo não irá colocar um tostão de recursos próprios para financiar a TV digital. Este dinheiro tem que comprar os conversores para os telespectadores de baixa renda,  financiar a aquisição dos  transmissores digitais  das TVs abertas  e ainda pagar as campanhas publicitárias sobre a transição. Por isto, a escolha do aparelho o mais barato possível.

E o país abandonará o projeto de TV digital interativa, a prevalecer esta decisão, um dos carro-chefes da decisão tomada pela presidente Dilma Rousseff em seu primeiro governo.

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1 Comment

  1. Rubens
    5 de Março de 2015

    O fracasso do Ginga (software brasileiro para interatividade, a UNICA coisa que tem de brasileiro em todo o carissimo sistema de tv ISDB-Tb ) era mais do que previsivel. Eu ja dizia isso muito antes da implantacao da tv digital no Brasil. Nao tinha como um troço daqueles dar certo, nao deu certo em nenhum lugar do mundo por total desinteresse dos usuarios.

    E, alem disso, os televisores (agora SmarTVs) estao caminhando para uma forma de interatividade muito mais atraente. Nao vamos estragar tudo isso criando MAIS UM middleware diferente dos ja existentes, mais faceis de programar, feitos com HTML5. Vamos parar com essa maldita mania brasileira querer sempre reinventar a roda, ter as coisas incompativeis com o resto do mundo (ate nas tomadas eletricas) e, como unica consequencia, apenas encarecer tudo para o consumidor.

    Ja nao basta terem escolhido o sistema de tv mais caro para o consumidor (que sempre paga o pato), ainda querem encarece-lo ainda mais com o inutil Ginga? (inutil na prática, pois nao é do interesse de ninguem, so o g*verno insiste nisso, ja que custo para o consumidor nunca foi uma preocupacao para eles).