BNDES estrutura programa para compartilhar esforço de P&D


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está estudando a criação de um novo programa para o desenvolvimento compartilhado, entre várias indústrias e com o apoio do governo, na área de Pesquisa e Desenvolvimento. “O objetivo é apoiar projetos de alto risco e custo alto, que exigem do Estado uma articulação para o desenvolvimento da pesquisa pré-competitiva para acelerar o processo de inovação no país”, informou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que participou hoje, em São Paulo, da abertura do 4º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, realizado pela CNI. “Isso existe em vários países do mundo e é aplicado em projetos que exigem uma planta piloto e recursos em maior escala. Em geral, um conjunto de empresas se associa na etapa inicial e o projeto é bancado, em uma escala entre 70% e 40%, por recursos públicos através de subvenção econômica”, complementou.

Coutinho explicou que o modelo é semelhante ao VLSI (Value Large Scale Integration), adotado pelos japoneses em 1973, quando fizeram a primeira experiência em microeletrônica para o desenvolvimento da indústria de semicondutores. “O governo japonês reuniu as principais empresas, colocou US$ 500 milhões na época, as empresas colocaram outros US$ 500 milhões, e compartilharam a pesquisa. A partir daí, o Japão deu um salto e se transformou em líder em semicondutores”, lembrou Coutinho. Ele defendeu que, quando há um projeto de alto risco e custo, o Estado tem que articular a pesquisa para acelerar o processo de inovação. A experiência japonesa foi copiada na Europa e nos Estados Unidos e a intenção é que o Brasil faça o mesmo, destacou. “Temos que voltar a pensar no potencial brasileiro de desenvolvimento, no longo prazo, e temos a inovação como eixo principal”, disse.

Segundo Coutinho, esse modelo pode ser aplicado para setores como o de semicondutores, energia, química e petroquímica. “São setores que exigem uma planta piloto  ou investimentos intensivos em capital, na etapa de P&D, com experimentos ou processos de alto risco”, comentou. Ele adiantou que o governo já tem tratado do assunto em reuniões com o setor privado, e que há um esforço na área de saúde, em biotecnologia, com foco na inovação. “Estamos estudando com o setor farmacêutico um projeto pré-competitivo, depois que a inovação resulta em produto, todo mundo tem um pedaço dela e vai lançar seus produtos e competir no mercado”, informou.

Coutinho destacou ainda que esses projetos trazem o conceito de rede e, por isso, podem ser desenvolvidos em qualquer parte. “Tem uma instituição âncora e, em torno dela, um ecossistema de rede de inovação. Temos que trabalhar para estruturar essas redes”, afirmou.

O presidente do BNDES também defendeu que o Brasil torne mais clara sua estratégia junto com o setor privado. Lembrou que o gasto público com inovação é em torno de  0,6% do PIB, próximo da média mundial, mas no setor privado é de cerca de 0,5% do PIB, abaixo da média mundial, que é de 1,5%. “Precisamos pelo menos triplicar o esforço privado”, afirmou. “O Brasil é uma das poucas economias que podem crescer nos próximos anos, e estou falando de investimento em inovação. Estamos vendo um movimento de laboratórios de grandes empresas internacionais, laboratórios de fronteira, e estamos dentro do governo buscando apoiar esses grandes projetos”, comentou, acrescentando que começa, também, um movimento de empresas de capital nacional para intensificar os esforços em inovação. “Temos que pensar grande, pensar a indústria de semicondutores, e o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) tem que ser uma realidade para digitalizar as pequenas empresas”, afirmou.

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