“A BT é muito mais do que operadora de telecom.”


A subsidária da British Telecom (BT) no Brasil não para de expandir seus negócios. Segundo seu diretor-presidente, Sérgio Paulo Gallindo, a empresa cresceu, nos últimos três anos 27%, com faturamento de cerca de R$ 780 milhões na América Latina, dos quais metade veio daqui. A empresa ganhou recentemente as licitações dos Correios, desbancando a Embratel, …

A subsidária da British Telecom (BT) no Brasil não para de expandir seus negócios. Segundo seu diretor-presidente, Sérgio Paulo Gallindo, a empresa cresceu, nos últimos três anos 27%, com faturamento de cerca de R$ 780 milhões na América Latina, dos quais metade veio daqui. A empresa ganhou recentemente as licitações dos Correios, desbancando a Embratel, com a instalação prevista de sete mil pontos de presença. O segredo, explica, é que a empresa não é simplesmente uma operadora de telecom, mas de TIC (tecnologia de informação e comunicação), prestando também serviços profissionais, de cloud computing, storage e outsourcing  para os mais de seus mil clientes corporativos.

 

 

Tele.SínteseComo está estruturada a British Telecom (BT)?
Sérgio Paulo Gallindo – O grupo BT tem quatro unidades de negócios, três das quais operam no Reino Unido. A única que opera dentro e fora do Reino Unido é a Global Service. O seu foco é sempre atuar no mercado corporativo, incluindo o governo. Todos nós, da BT, fora do Reino Unido, pertencemos à Global Service.

Tele.SínteseDesde quando a empresa está na região?
Gallindo – A operação latino-americana começou em 2002, com gestão de serviços de outsourcing. No período de 2002 a 2007, o crescimento foi orgânico. Em 2007 tínhamos 60 empregados e gerenciávamos uma carteira de contratos de outsorcing com várias empresas multinacionais. O primeiro contrato foi com a UniLever, e na sequência tivemos contrato da Ambev, Fiat, Thomson, etc. Duas aquisições da BT no exterior geraram impactos no Brasil. A primeira foi a empresa italiana Aclamet, com uma subsidiária mineira que foi incorporada. A outra foi a Infonet, uma empresa norte-americana, que tinha um backbone global. Até que, vendo o potencial da região, a BT resolveu fazer uma aquisição voltada para a América Latina. E adquiriu a Comsat. Ela era uma empresa americana que já tinha adquirido a Vicom. A  partir de 2008, a BT passou a atuar com a Comsat integrada. O nome Comsat/Vicom foi descontinuado, e toda nossa operação foi para a BT Telecom.

Tele.Síntese Esta última aquisição fez a BT  mais agressiva no mercado brasileiro?
Gallindo – A agressividade já vinha de antes, com o plano de investimento. Com a aquisição da Comsat, ganhamos escala maior. Até 2007 eram 60 empregados. Hoje já somos mil empregados na América Latina.

Tele.Síntese – O Brasil é maior mercado..
Gallindo – Somos 600 empregados no Brasil. Passamos de cerca de 20 pontos de presença de rede para  200 pontos de rede, que incluem redes domésticas, na América Latina. O Brasil normalmente representa a metade de todos os números da companhia, menos em pontos de rede, pois há muitos países na região. A BT adquiriu também três data centers: em São Paulo, em Hortolândia; em Buenos Aires e um menor em Bogotá.

Tele.Síntese – A empresa continua a fazer outsourcing?
Gallindo -Sim. Mas a partir da aquisição da Comsat, a BT ganhou um mix de negócios mais diversificados. No outsourcing, tínhamos algo como 30 clientes multinacionais. Agora, temos carteira de mil clientes, dos mais diferentes perfis. A Comsat já tinha dois grande contratos do governo brasileiro: a Caixa Econômica Federal e o Gesac. E um contrato importante com o governo na Colômbia.

Tele.Síntese – Hoje, o que vocês têm de rede própria?
Gallindo – Construímos pontos de presença e alugamos os backbones e os acessos de última milha de terceiros. Em alguns lugares temos infraestrutura própria. Em Buenos Aires, na Argentina, temos backbone de fibra metropolitana.

Tele.Síntese – E no Brasil?
Gallindo – Multiplicamos por cinco os pontos de presença da rede internacional,  estamos fazendo expansão da rede doméstica na faixa de 30% ao ano.

Tele.Síntese – A rede  empresa se concentra na região litorânea brasileira?
Gallindo – Mais ou  menos. Temos, por exemplo, ponto de presença em Manaus. Estamos criando também um backbone de rádio metropolitano começando por São Paulo e Rio.

Tele.Síntese – Por que a decisão de construir esta rede ethernet ? Falta de infraestrutura?
Gallindo – Melhoria de competitividade, de tempo de resposta aos clientes, e melhoria da qualidade. Estou entregando um serviço mais moderno. Ao invés das tecnologias limitadas a 1 Mbps ou 2 Mbps, que encontramos nas operadoras daqui, usamos conexão ethernet, que nos dá flexibilidade para oferecermos banda muito maior para os clientes. No ano passado, nós fizemos a expansão do roteamento do nosso backbone e multiplicamos por 10 no Brasil. Duplicamos também a capacidade de nosso data center em Hortolândia. Ainda montamos uma infraestrutura de servidores virtualizados e de storage e estamos vendendo cloud compunting voltado para o mercado corporativo.

Tele.Síntese – E quais são os investimentos, faturamento, etc?
Gallindo –  Na América Latina como um todo o faturamento atingiu, no nosso ano fiscal (que terminou em 31 de março), 300 milhões de libras esterlinas. Em reais, dá mais ou menos R$ 780 milhões. O Brasil representa, em média 50% do faturamento da região.

Tele.Sítnese – Quais são os planos para este ano?
Gallindo – Já contratamos e vamos duplicar a Ethernet de novo. Esta duplicação da internet está ligada ao contrato que anunciamos com o grupo Bandeirantes.  Estamos fechando uma parceria tecnológica que vai apoiar o crescimento deste grupo em uma série de atividades. O primeiro contrato foi fechado com a TV a cabo, para serviços de data center e de internet.

Tele.Síntese –  Os clientes estão mesmo ávidos por mais velocidade, ou é substituição de infraestrutura?
Gallindo – É o incremento de demanda de nossos próprios clientes. A base da nossa oferta é networking IP. O nosso diferencial é que, em cima das redes convergentes, temos infraestrutura de TI. Hoje no Brasil temos cerca de 15 mil ramais de telefonia IP que foram desenhados a partir de nosso data center para os clientes corporativos. É uma oferta de telefonia na nuvem.

Tele.Síntese – Algum produto novo para este ano?
Gallindo – Sim. Em cima desta oferta de serviços em nuvem, criamos a modernização dos serviços profissionais. O foco é prover toda uma gama de serviços profissionais – desde gestão de infraetrutura, que é o nosso forte, até o trabalho nas cercanias da rede, como data center, segurança de rede, comunicação unificada, chegando até o ponto de consultoria de tecnologia nessas áreas.
 
Tele.Síntese – Então, qual é o perfil da BT?
Gallindo – Lá no exterior, ela é empresa de ICT (Information, Comunication, Tecnology). Aqui também somos prestadores de serviços de telecomunicações e de informática, ou TI, com foco no mercado corporativo. Quando entrei na companhia, tínhamos centro de gerência de produtos de rede com oito empregados. Hoje, ele conta com 300 empregados. Foi eleito pela BT mundial como um dos três GSC (Global Service Center) do mundo. Os GSCs gerenciam toda a ponta de telecomunicações  de nossos clientes globais. A BT investiu em ISO 9000, ISO 27 000 (de segurança). Faz  investimento sistemático na região, na qualificação e na qualidade do capital humano brasileiro.

Tele.Síntese – A BT ganhou a licitação dos Correios, no valor de R$ 360 milhões. Os competidores foram à justiça alegando que a empresa não tem estrutura para suportar esta demanda. Como vocês reagem a isso?
Gallindo – Não temos qualquer conhecimento de os concorrentes terem ido à justiça. Esse argumento dos concorrentes não resiste aos fatos. A BT tem hoje a segunda maior rede satelital corporativa do Brasil. Na América Latina como um todo, a BT tem cerca de 25 mil sites conectados. E nem tudo é satélite, temos uma mescla de tecnologias.

Tele.Síntese – Os satélites são próprios?
Gallindo – Nós usamos satélites do mercado inteiro. Somos os maiores compradores de capacidade satelital do mundo. Como a BT não é  operadora vinculada à própria infraestrutura do cabo que passa na rua, consegue escolher para cada tipo de unidade e de aplicação uma cesta de tecnologia mais adequada para aquela aplicação.

Tele.Síntese – E os projetos dos Correios?
Gallindo – São sete mil sites. 

Tele.Síntese – O governo lançou o Plano de Banda Larga.  A sua empresa  atua no mercado que tem dinheiro. Como está vendo esta discussão?
Gallindo – Estamos observando os movimentos do governo nesta área. O nosso foco é muito claro e definido no mercado corporativo. O PNBL abrange muitas áreas, que estão fora de nosso escopo. A gente espera que haja a possibilidade de acesso a essa nova infraestrutura de forma competitiva, aberta. E esta aspiração está inspirada no que acontece no próprio Reino Unido. Lá a situação é a inversa: a BT é a que detém a maior parte da infraestrutura, e ela, por força da regulação inglesa, abre essa rede de maneira competitiva.

Tele.Síntese –  Vocês sentem falta de redes disponíveis?
Gallindo – O Brasil é muito heterogêneo. Existem áreas onde, até por força da própria competição, consegue-se opções de meios. O Sudeste tem uma qualidade de competição razoavelmente boa para o mercado corporativo. O que nem sempre se traduz no mercado residencial. O Brasil é um país continental e há dificuldades reais. Quando a gente conecta uma cidade, temos que cavar o buraco, passar fibra, construir torres.

Tele.Síntese -Onde você acha que a BT Brasil vai estar daqui a cinco anos?
Gallindo – Nosso mantra interno é crescer, crescer, crescer. Nos últimos três anos o crescimento de nossa fronteira de negócios foi da ordem de 27%.  Os analistas avaliam que está havendo um arrefecimento na taxa de crescimento da tecnologia de informação. Deve continuar em dois dígitos, mas um pouco menor. Nosso objetivo é crescer acima do crescimento médio do setor de TIC. O suporte da casa matriz, nós temos.

Tele.Síntese – A BT vai atuar como  MVNO? Vai comprar frequência de 3,5 Ghz?
Gallindo– A BT tem por prática analisar sempre as oportunidades de negócios também na área das licenças.

Tele.Síntese – A BT nunca comprou frequência no Brasil…
Gallindo – Nunca compramos frequência no Brasil, mas pedimos licença de telefonia fixa. E lançamos o serviços há dois anos. Oferecemos telefonia fixa para o mercado corporativo no Rio de Janeiro,  São Paulo e  Curitiba. E a ideia e expandir para outras praças. Neste caso foi até feita uma licitação internacional para selecionar o parceiro de tecnologia que nos apoiaria. E foi escolhido o grupo de empresas brasileiras em torno da Trópico.

Tele.Síntese – Para a BT, o celular é uma oportunidade?
Gallindo – Estamos no processo de análise. Nós temos operação de MVNO em alguns lugares do mundo, como Reino Unido, Espanha e Italia. Aqui,  ainda não há uma decisão.

Tele.Síntese – Não está muito devagar o processo de MVNO brasileiro? Até agora somente uma empresa se credenciou.
Gallindo – Mas na Europa, o processo também foi muito heterogêneo. Os países escandinavos abraçaram rapidamente a proposta e em outros países a implementação foi mais lenta.
 

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