Oi não acredita que consolidação do mercado aconteça este ano


CEO da Oi afirma que companhia está focada em melhorar relações com Anatel e outras instituições de governo na expectativa de transformar multas em investimentos. Ele mateve o guidance para 2015, com EBITDA entre R$ 7 bilhões e R$ 7,4 bilhões.

O CEO da Oi, Bayard Gontijo, voltou a dizer que não acredita na consolidação do setor de telecomunicações brasileiro este ano. O executivo, porém, não descarta o movimento no futuro. “Acredito na consolidação, ela vai acontecer, mas agora estamos completamente focados no turnaround da companhia. Quanto melhor o resultado operacional estiver, mais bem preparada [estará a Oi] para participar da consolidação”, falou a analistas de mercado hoje (7), em conferência sobre o balanço financeiro trimestral da operadora.

Ele ressaltou que as operações no Brasil voltaram a registrar prejuízo, de R$ 447 milhões e aumento da dívida em R$ 2 bilhões, para R$ 32,55 bilhões, motivado principalmente por resultados financeiros e custo com o Fistel. Sem estes componentes, a dívida teria crescido apenas R$ 6 milhões.

“Temos progredido na estabilização da companhia e em governança. Vamos reconquistar a confiança do mercado. Sabemos que vai levar tempo. Mas reiteramos que vamos alcançar o guidance já anunciado, de EBITDA entre R$ 7 bilhões e R$ 7,4 bilhões em 2015”, afirmou.

Gontijo falou que está adotando medidas para transformar a cultura da empresa, buscando fazer com que os executivos pensem como “donos”. Segundo ele, a companhia ampliou o número de iniciativas para corte de gastos, de 134 para 290, que abrangem da dispensa de pessoal e política mais restritiva de contratação a economia com publicidade. “Nosso turnaround está no caminho certo. Tivemos uma queda real nos custos das operações de 13%, apesar da inflação”, frisou. 

Os impactos da venda da PT Portugal à Altice ainda não constam deste balanço. Mas estarão no do próximo semestre. Atualmente, a Oi trabalha para segregar as operações que passarão à compradora francesa. A empresa trabalha também para reforçar o caixa com a venda da africana Unitel, e de imóveis. Tudo para aumentar a “flexibilidade financeira” no curto e médio prazo.

Estratégia
A operadora confia em sua infraestrutura para conseguir “fazer mais com menos”, nas palavras do executivo. Segundo Gontijo, são 330 mil km de fibra em todo o país e iniciativas para multiplicar a capacidade desta rede. A expectativa é que os investimentos, embora mais baixos que no ano passado, ajudem a empresas a cumprir as metas de qualidade da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

A operadora vê nas relações institucionais uma das principais iniciativas para sustentar o turnaround. A companhia apresentou, no último dia 29 de abril, uma proposta de termo de ajustamento de conduta à Anatel que, se aprovado, deve frear o crescimento de custos com multas e depósitos judiciais. No trimestre, a rubrica custou R$ 305 milhões.

“Historicamente, nossas relações com instituições-chave no Brasil têm sido pobres. Queremos mudar isso. Sair de um ciclo regulatório vicioso para entrar em um ciclo virtuoso. A Oi sofreu nos últimos anos com multas relevantes da Anatel e de outras instituições, e isso deve parar”, afirmou.

A proposta da companhia é transformar multas em investimento, obtendo autorização da Anatel para alocar o dinheiro das sanções em ampliação e melhoria de infraestrutura. “Isso [as penalidades] não vão mais se tornar contingência e provisões pois serão convertidas em investimentos ou projetos para os usuários. Se aprovado o TAC, e esperamos que seja, esse risco de disputa de valores não existe mais. Essas potenciais contingencias passam para o programa de investimentos”, disse. A Anatel deve analisar e votar a proposta da Oi até novembro. 

Sem frequências de 700 Mhz, a Oi também planeja crescer no 4G mantendo as parcerias de RAN sharing com a TIM. De acordo com Pedro Falcão, diretor de engenharia da companhia, o footprint LTE da operadora deve se tornar maior que a cobertura 2G da líder de mercado atualmente, no futuro próximo. Segundo os dados apresentados, a Oi vai economizar 45% em investimento com rede 4G graças aos acordos de compartilhamento de rede, ao mesmo tempo que vai elevar em 28% a cobertura 2G e em 56% a 3G.

Os executivos reconhecem a importância da banda larga móvel. Os resultados mantiveram a tendência, comum no setor, de crescimento de consumo de dados acima dos demais produtos. Segundo Gontijo, a receita com dados + SMS cresceu 38% no trimestre em relação aos mesmo meses de 2014.

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