Barreiras à expansão da banda larga


A banda larga cresce mais do que as outras tecnologias de telecom, segundo constata a pesquisa da IDC para o Barômetro Cisco de Banda Larga. Entre os fatores que aceleram a adoção de conexões de acesso à internet em alta velocidade estão a expansão da oferta de VoIP; o PC de menor custo; a disseminação …

A banda larga cresce mais do que as outras tecnologias de telecom, segundo constata a pesquisa da IDC para o Barômetro Cisco de Banda Larga. Entre os fatores que aceleram a adoção de conexões de acesso à internet em alta velocidade estão a expansão da oferta de VoIP; o PC de menor custo; a disseminação do acesso e uso da internet; maior oferta de soluções web e o triple play; novas tecnologias.

“Uma meta de 10 milhões de acessos em banda larga para 2010 é o equivalente a 25% da planta fixa. E olhando para os próximos cinco a dez anos, teremos o equivalente à metade do STFC. Ou seja, não teremos mais STFC, mas um tubo em casa”, observou Francisco Perrone, vice-presidente da Brasil Telecom para assuntos regulatórios.

Limite da renda

Para o executivo, os links em alta velocidade só não crescem mais rapidamente devido à “perversidade” da situação da economia, caracterizada pela concentração de renda. Além disso, Perrone considera que ainda não existe uma killer application capaz de estimular a adoção da banda larga para acesso à internet e expansão da comunicação de voz sobre IP (VoIP). O acesso a redes governamentais, por exemplo, poderia ser um caminho para acelerar a expansão dos links em alta velocidade, sugere o executivo da BrT.

“Somos a operadora com maior capilaridade em banda larga. Levamos conexões em velocidade inclusive para localidades com 20 mil e 30 mil habitantes”, afirmou Perrone hoje, 22, em São Paulo, durante a apresentação da segunda edição do Barômetro Cisco de Banda Larga. Ele disse, ainda, que é o serviço da BrT que mais cresce.

Peso dos tributos

Argumentando que a penetração da banda larga está ligada ao desenvolvimento econômico do país, Mauricio Giusti, diretor de planejamento estratégico da Telefônica, aponta entre outros obstáculos ao avanço das conexões em alta velocidade a carga de impostos incidente sobre o acesso digital, semelhante às alíquotas sobre bens supérfluos. “Se os preços baixarem, a demanda cresce, a arrecadação também”, diz, sugerindo a adoção de tarifas diferenciadas para o serviços: de 5 a 10%, ao invés de 25%.

Outra limitação é o marco regulatório existente, que o executivo da Telefônica classifica de “velho”, uma vez que quando foi elaborado, há mais de uma década, o ritmo da inovação não era o atual, a convergência não era uma realidade. “As regras vigentes geram assimetrias, prejudicando a competição”, avalia Giusti.

NET critica

Depois de afirmar que a presença da NET no evento é sinal de que a empresa causa “algum impacto”, o diretor geral Francisco Valim endossou as críticas às amarras da regulamentação: “Não há assimetria maior do que em relação ao cabo, e até o DTH e o MMDS não têm quaisquer restrições”. Para o executivo, a oferta do serviço de voz pela TV “é uma alternativa ao monopólio de fato".

Segundo Valim, o modelo precisa ser repensado. “As teles não competem entre si, por isso outras infra-estruturas podem ser uma boa alternativa”, propõe, acrescentando que não acredita em modelo subsidiado.

Que plano?

Por fim, nem Giusti, nem Valim têm a menor idéia do que seja o Plano Nacional de Banda Larga anunciado várias vezes por Rogério Santanna, secretário de tecnologia e logística do Ministério do Planejamento, e conselheiro do Comitê Gestor da Internet. “Nunca sou convidado para a festa”, ironizou o CEO da NET sobre o plano, que o diretor da Telefônica disse também desconhecer.

Sintetizando as intervenções, Steinhauser reafirmou a necessidade de revisão do modelo de negócios, de modo a estimular a disseminação do acesso à web em alta velocidade e de forma a acabar com a exclusão geográfica e social existente. “Porque, como está, o modelo não fecha”, argumenta, acrescentando que outra dificuldade está na capilarização da rede IP, que deixa a deseja. “Precisamos de uma política de governo, um plano de país”, conclui o presidente da Cisco do Brasil.

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