Banda larga: um mercado de usuários domésticos.


Por mais que se deseje que o país chegue aos 10 milhões de conexões em alta velocidade até 2010, sob pena de sequer entrar no “Bric” – grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia e China – são inúmeras as barreiras. Com isso concordam Cisco, Brasil Telecom, NET e Telefônica. Só que nenhum dos atores pretende avançar sozinho na ampliação de um mercado concentrado tanto por renda como geograficamente.

“Cobrar R$ 100,00 por assinante não é caro demais para ir além das classes A e B, e atingir outras áreas além das grandes metrópoles?”, indaga Rafael Steinhauser, presidente da Cisco do Brasil. O CEO da NET, Francisco Valim, diz que o preço do provedor é de menos de R$ 80,00… Enquanto pouco menos da metade dos R$ 100,00 é apropriada pelo governo, via impostos e contribuições, o fato é que, das 170 mil escolas públicas existentes no país, 83 mil sequer dispõem de telefone. Detalhe: 75 mil dessas se encontram em áreas urbanas. “E por que não pensar na possibilidade de conectar as escolas por banda larga, de uma vez, ao invés de telefone?”, provoca Steinhauser.

Consumidores domésticos

A cada trimestre, apura o Barômetro Cisco, aumenta o predomínio do usuário residencial no ainda pequeno mercado brasileiro de banda larga. No primeiro trimestre, 86% dos usuários eram residenciais, 14% corporativos. Entretanto, a pesquisa da IDC apurou avanço anual de 35% no segmento de IP dedicado, principal opção de acesso rápido á internet de médias e grandes empresas.

Ao final de 2005, havia 66 mil conexões dedicadas instaladas. Nos primeiros três meses deste ano, foram implementados 3,3 mil novos links.

Entre os usuários corporativos, os destaques são para micro, pequenas e parte das médias empresas, universo que vem sendo atraído pela oferta de maiores velocidades a preços tidos como competitivos. As organizações de maior porte utilizam IP dedicado.

Quem é quem

Analisada a distribuição do uso de acesso em alta velocidade no mundo dos usuários empresariais e de governo (excluído o IP dedicado), tem-se que a maior participação (41%) é de clientes do segmento SoHo. Em seguida, vêm as pequenas empresas, com 34%; as médias, com 15%; as grandes, com 6%; as áreas de educação e governo, com pouco mais de 4%.

Por tecnologia de acesso, o domínio praticamente absoluto é a linha telefônica (xDSL), meio de 80% dos usuários. As conexões via cabo oferecidas pelos provedores de TV vêm aumentando a participação trimestre a trimestre: 14% no 3T05, 15% no seguinte, 16% no 1T06. Os links via rádio (wireless) são o recurso de acesso de pouco menos de 4% dos usuários.

Rapidez média

Mesmo que as ofertas de maiores velocidades venham sendo os alvos preferidos das promoções dos provedores de serviços de TV paga e telecom, ainda é uma minoria de consumidores que acessa a mais de 1 Mbps. Mas uma minoria que evolui a passos largos: 2% dos usuários no terceiro e quarto trimestres de 2005, 7% nos primeiros três meses deste ano.

Tanto as operadoras como a NET reconhecem que o foco de seu marketing está nas conexões de alta velocidade, o que acaba encarecendo, relativamente, os links mais lentos. No 1T06, 21% dos assinantes de serviços de acesso à internet usavam velocidades entre 128 a 256 kbps (participação que era de 22% e de 23% nos dois trimestres anteriores, respectivamente); 51% estavam em bandas de 256 a 512 kbps (55% e 54% no terceiro e quarto trimestres de 2005, respectivamente). Entre 512 kbps e 1Mbps, a participação vem se mantendo inalterada em 21% dos consumidores.

Anterior Banda larga avança. Mas em ritmo mais lento.
Próximos Barreiras à expansão da banda larga