Banda larga móvel avança na América Latina, mas preço no Brasil continua alto.


A banda larga móvel possui potencial para acabar com a exclusão digital na América Latina e conectar mais de 149 milhões de pessoas que hoje vivem na base da pirâmide sócio-demográfica da região. Esta é a conclusão do estudo realizado pela GSMA Latin America, divulgado nesta sexta-feira (2).  Os planos de dados móveis reduziram suas tarifas em 52% nos últimos três anos e a introdução de planos pré-pagos de internet móveis estão permitindo o acesso de muitos usuários de menor poder aquisitivo pela primeira vez na Sociedade da Informação.

Os planos de dados móveis mais econômicos para smartphones em toda a América Latina experimentaram uma redução de seus valores mensais de 52% nos últimos 3 anos. No segundo trimestre de 2010, estes planos custavam em média US$17,68 mensais, baixando para U$12,79 em 2011 e para U$8,33 em 2013.

No Brasil, apesar do expressivo crescimento das conexões móveis, os preços do serviço não acompanharam a tendência de queda e hoje são os mais caros não só nos planos para modems com franquia de pelo menos 1 Gigabyte (GB) como pacotes de banda larga para celulares com franquia de pelo menos 1 GB. No primeiro caso, o valor cobrado no país chega a US$ 32,13, enquanto na Bolívia não passa de US$ 7,13. E na Argentina, que enfrenta crise econômica, está em US$ 14,98.

No segundo caso, no Brasil, o custo do pacote está em US$ 24,70 e na Costa Rica, que atualmente tem o menor preço, são cobrados US$ 5,05. Na Argentina, o serviço sai por US$ 17,32. O país só está mais bem colocado nos planos para smartphones com até 250 MB de download, ao preço de US$ 5,90. Mesmo assim, perde para a Bolívia (US$ 4,28), El Salvador, Costa Rica, Uruguai, Peru e Nicarágua.

O estudo, desenvolvido pela Telecom Advisory Services e encomendado pela GSMA, evidencia como a tecnologia móvel é a mais capacitada para tornar o acesso à internet na América Latina universalizado. As redes móveis implementadas na América Latina são plataformas tecnológicas que permitiram solucionar a exclusão na demanda por telefonia de voz, as quais hoje praticamente todos tem acesso. O estudo argumenta que, seguindo a tendência da telefonia móvel, as operadoras móveis, estimuladas pelo efeito da concorrência, permitirão reduzir a “barreira de acessibilidade” para os serviços de dados que os setores menos favorecidos enfrentam.

“Os smartphones constituem hoje uma peça chave para se acessar a Internet, já que seu preço é significantemente menor que o de um computador e tem uma propagação cada vez maior na região”, sustenta o estudo, afirmando que estes aparelhos representam uma ferramenta para reduzir a exclusão digital em setores econômicos mais vulneráveis. “Além disso, os smartphones não requerem habilidades significativas comparadas com as habilidades necessárias para se operar um computador, o que permitiria resolver certas barreiras da alfabetização digital”, avalia.

Ainda com estes grandes avanços dos últimos anos, o estudo conclui que a lacuna na adoção da banda larga na América Latina é muito significativa. Sendo necessário continuar trabalhando em conjunto para terminar de fechar a exclusão digital regional. O trabalho, desenvolvido pela consultoria liderada pelo Dr. Raul Katz, expõe que para atacar a exclusão na demanda por banda larga na base da pirâmide, é necessário apelar para novas estratégias que não se limitam somente ao investimento estatal direto. Os mecanismos indiretos que estimulam ou incentivam o investimento e a concorrência nestes setores poderiam ser ainda mais frutíferos.(Da redação, com assessoria de imprensa)

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