Banda acima de 3,7 GHz pode ser destinada ao uso industrial


Enquanto o debate em torno do leilão 5G entra na reta final, com a análise por parte da Anatel das contribuições à consulta pública, há detalhes que vão ganhando contornos. O presidente da agência reguladora, Leonardo de Morais, afirmou hoje, 8, que está em estudo a possibilidade de destinar a banda de guarda que vai de 3,7 GHz a 3,8 GHz para a exploração industrial da 5G em serviço limitado privado (SLP).

Essa foi uma das demandas da indústria na consulta pública: que a agência reservasse espaço para o SLP. Morais explicou que as contribuições ainda estão em análise. E que as demandas foram muitas e, em alguns casos, excludentes entre si.

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Mas, no caso do SLP, uma solução seria buscada caso a agência resolva licitar 400 MHz na faixa de 3,5 GHz (de 3,3 GHz a 3,7 GHz). Nesta modelagem, haveria uma banda de guarda para evitar interferências em serviços satelitais em banda C, acima de 3,8 GHz.

“Uma forma de endereçar essa questão [espectro para o SLP] é destinar 100 MHz a aplicações indoor. Isso pode ser, sim, realizado, e entendo que é uma agenda que está na compreensão da agência”, afirmou na primeira live da série Tudo Sobre 5G. O encontro virtual promovido pelo Tele.Síntese faz parte de um conjunto de seis com a proposta de debater a chegada da tecnologia ao país. Hoje, contou com moderação de Miriam Aquino, diretora da Momento Editorial, publisher do Tele.Síntese, e Ari Lopes, gerente sênior para Américas da consultoria OMDIA.

SLP importa, mas não é prioridade

Para Morais, destinar espectro para aplicações SLP é importante uma vez que a 5G ajudará a engrenar a economia no pós-pandemia. “5G não é mais um G, mas uma alavanca para novas tecnologias. Temos compreensão dessa demanda”, falou.

No entanto, ele ressaltou que a prioridade da agência no momento é equacionar o certame às políticas públicas traçadas pelo governo. E deu a entender que a preocupação de empresas em ter acesso ao SLP poderá ser aplacada com as operadoras atualizando sua maneira de atuar.

“Se as operadoras pensarem apenas em tecnologia, em vender 5G como vendas de pacotes de dados, certamente não vão obter receita adicional significativa. Então, as oportunidades de implantação da 5G vão exigir parcerias. É importante entender outras necessidades para termos redes coproprietárias. As operadoras tem seus desafios correntes, mas é preciso pensar na perspectiva futura”, falou.

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