Bancos e analistas receberam com surpresa queda de Valim


O anúncio nesta manhã (22) do afastamento de Francisco Valim da presidência da Oi – assumindo interinamente José Mauro Carneiro da Cunha, após se licenciar do cargo o presidente do conselho da provedora de serviços de telecomunicações – pegou bancos de investimento e analistas de ações de surpresa, o que fez com que as ações da Oi continuassem em queda nesta terça-feira (22): as ações preferenciais registravam queda de 7,7% perto do fechamento da Bovespa, a R$ 8,03, enquanto as ordinárias caíam 6,64%, a R$ 9. O próprio mercado já esperava que as metas da Oi para 2012 não seriam totalmente atingidas, o que teria motivado os controladores a buscarem ourto CEO, e via com bons olhos a direção de Valim na Oi e encontrava sinais de melhoria nos negócios da companhia. 

“Apesar da expectativa de resultados um pouco longe do guidance, há melhora nos resultados trimestrais. Acontece que Valim estava há pouco tempo na empresa, um ano e meio apenas, para mostrar mais resultados”, afirmou ao TeleSíntese Ricardo Correa, diretor da Ativa Corretora, que aponta a maior agressividade na oferta de telefonia móvel e a redução na queda de Unidades Geradoras de Receita (UGRs) na telefonia fixa como bons indicadores do trabalho de Valim à frente da companhia. 

Segundo ele, o mercado já não precificava mais as metas da Oi para o ano. Pelo contrário, já trabalhava com algo abaixo, de forma que um desempenho inferior não explicaria a demissão de Valim. A opinião é compartilhada por um grande banco de investimentos global que declarou em comunicado aos seus clientes: “Embora houvesse ceticismo sobre o alcance do guidance e distribuição de dividendos, Valim era visto como fundamental, dada a necessidade de geração de caixa para sustentar a distribuição de dividendos”.

Agora, preocupa o mercado a substituição de Valim na presidência da Oi, para além do interino e o que o novo CEO fará para manter a política de dividendos em R$ 1 bilhão por semestre. Segundo um banco de investimentos, os desafios para geração de caixa e distribuição de dividendos são ainda maiores agora com a indefinição do CEO. Apesar disso, a avaliação dos papéis foi mantida como neutra. Mesmo com maior risco de corte na política de dividendos, há entendimento no mercado de que os controladores têm interesse em manter a distribuição de recursos, sendo que a venda de ativos se mantém como opcão. 

 

 

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