Bancos buscam novas armas contra fraudes


Os investimentos em tecnologia da informação crescem 9% ao ano, em média, desde 2009, segundo a Febraban. Um mercado que movimenta hoje cerca de R$ 20 bilhões, dos quais, R$ 2 bilhões são destinados apenas à segurança, também de acordo com o relatório mais recente divulgado pela federação.

De olho nesse filão, empresas aproveitam o Ciab, evento sobre tecnologia bancária acontecendo em São Paulo (SP), para mostrar novidades que vão deixar as transações mais seguras para o usuário, e para as instituições financeiras.

“Bancos perdem de R$ 750 a R$ 1 bilhão em fraudes todo ano no Brasil”, ressaltou José Eduardo Azarite, vice-presidente comercial do CPqD, que assinou hoje acordo com a IBM para incorporar novas ferramentas à sua solução antifraude. A solução já tinha recursos de monitoramento, prevenção e tratamento de acidentes, mas com os adendos, se transforma em uma central de combate aos fraudadores. Ganhou tecnologias de analytics, de gerenciamento de decisão, de conteúdo, de gestão de processos e software de análise preditiva da IBM. “O mercado é muito dinâmico e os fraudadores são muito ágeis. A nova plataforma tem mais agilidade, para andar na mesma velocidade em que novas fraudes surgem”, diz Azarite.

Outra empresa nacional que investe no combate a fraudes é a BrScan. Na carteira, clientes como os bancos Bradesco, Safra, BMG, Banco de Brasília. Os principais clientes, porém, são as operadoras de telefonia móvel Claro, Vivo e Oi. Segundo Leonardo Dias, diretor-fundador da BrScan, os produtos de digitalização e identificação de documentos são os mais solicitados.

Estas empresas já começaram a adotar ferramentas antifraude em tablets e smartphones usados nos pontos de venda. Os equipamentos são embarcados com programas que mostram ao operador se documentos pessoais, como RG, CNH e CPF apresentam alguma adulteração. Também puxam de um banco de dados documentos já identificados como falsos que possam estar em circulação. Em dois minutos, o operador sabe se um potencial cliente está na verdade mal intencionado, e quer falar de graça para todo o Brasil.

Apesar de toda a automação, o toque humano continua sendo essencial. “Em casos específicos, uma equipe treinada analisa mais a fundo os documentos em busca de fraude”, diz. Outra ferramenta exibe detalhes das pessoas que o documento deveria identificar. Informa não apenas idade e mostra a verdadeira foto, mas traz, muitos outros dados, como o signo. “Detalhes que os fraudadores costumam desconhecer”, conta Dias.

Biometria
A BrScan apresenta na feira também sistemas de reconhecimento facial e o mais novo, da íris. O CPqD também trouxe sua ferramenta de reconhecimento facial, e outra, de autenticação por voz, que pode ser usada em contact centers.

“A biometria tem crescido porque, até hoje, dependemos da senha detida pelo cliente. Esta senha pode cair em oturas mãos. Toda a indústria tem o desafio de desenvolver tecnologias para entregar mais segurança”, ressalta Geraldo Dezena, vice-presidente do Banco do Brasil.

Segundo a Febraban, hoje a biometria está instalada em 43% dos caixas eletrônicos no país. Alguns bancos já estudam a adoção de dupla checagem, com autenticação por voz, face, digitais. A captura de voz e face pode ser feita até pelo celular do cliente.

“A biometria permite conciliar a necessidade de segurança com a preservação da facilidade de uso de canais eletrônicos, como a internet e o telefone”, diz Graziela Barros, gerente de soluções de autenticação biométrica do CPqD.

O pessoal da OKI Brasil concorda. A empresa mostra no congresso soluções que, num primeiro momento, reconhecem a voz do cliente por meio de um aplicativo instalado no smartphone. Depois, o cliente deve encostar o celular, com NFC, no caixa eletrônico e apresentar sua impressão digital para fazer a retirada de dinheiro.

A ideia é agilizar a retirada de dinheiro e diminuir o tempo no caixa eletrônico. Assim, pelo aplicativo, a pessoa “agenda” a retirada, onde quer que esteja, e quando passar no ATM, basta encostar o celular e o dedo para fazer o saque. “Uma economia de tempo de cerca de 30%”, garante Alex Barbosa, coordenador de comunicação da OKI Brasil.

E não existe, ou pelo menos diminuiu muito, a preocupação com fraudes quanto ao uso das impressões digitais. A OKI Brasil usa tecnologia da Lumidigm, empresa comprada pela HID Global em fevereiro. A tecnologia lê impressões digitais, mas vai além da superfície. Identifica também as pequenas veias, o que impede o uso de dedos de silicone, ou mesmo dedos cortados.

O hardware está em 30 mil pontos no país. Todo o sistema usa chaves criptográficas, e a caixinha que lê as digitais é à prova de violação, apagando da memória qualquer informação ao menor girar de parafuso. Usado nos ATMs de empresas como Itaú, Caixa, e Lotéricas, o Brasil representa 30% do faturamento mundial. “É o principal mercado”, diz Gustavo Gassmann, diretor de vendas da HID Global.

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