Banco Central alerta que mobile payment não pode ter exclusividade


Embora o modelo de negócios para o uso de celular na bancarização ainda não esteja fechado, a tendência é de consolidação no país de um modelo de parceria entre a operadora móvel e a instituição financeira, com diferentes modelos de remuneração, que podem variar de acordo com o perfil do cliente ou do produto lançado. …

Embora o modelo de negócios para o uso de celular na bancarização ainda não esteja fechado, a tendência é de consolidação no país de um modelo de parceria entre a operadora móvel e a instituição financeira, com diferentes modelos de remuneração, que podem variar de acordo com o perfil do cliente ou do produto lançado. O temor que havia do lado das instituições financeiras, de que a operadora poderia se transformar num concorrente, está praticamente descartado. Essa foi uma das conclusões do painel TIC & Meios de Pagamento, realizado hoje durante o Fórum Íbero-Americano para o Desenvolvimento da Banda Larga, realizado em São Paulo. O painel reuniu representantes do setor bancário e de operadoras, entre os quais José Antonio Marciano, chefe do departamento de operações bancárias e de sistema de pagamentos do Banco Central do Brasil, que recomendou: “Não adianta montar modelos exclusivos para determinada marca, tem que ser um modelo interoperável e aberto, com cooperação entre as instituições mas sem prejuízo da concorrência”, alertou Marciano.

Segundo ele, a adesão aos serviços de mobile payment no país ainda é baixa e é necessário melhorar o serviço prestado. Dados recentes do Banco Central mostram que 90 milhões de clientes usaram o celular para consultar saldos e extratos, no ano de 2009. Embora ainda baixo, ele acredita que há um mercado a ser explorado. “Brasileiro gosta de inovações e não tem resistência no uso do eletrônico”, observou Marciano. “Mas, é preciso melhorar o serviço pois hoje pagar uma conta pelo celular exige pelo menos meia hora”, enfatizou.”O celular já esta na mãos do cliente, é só agregar serviço”, acrescentou.

O consultor da AT Kearney, Ilnort Rueda Saldívar, que presta consultoria para o Comitê Gestor de M-Payment da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), enfatizou que para obter sucesso, o uso do celular na bancarização precisa ter diferencial, ou seja, precisa ser melhor em relação as opções existentes hoje; oferecer segurança e ter escala, além de acrescentar valor, isto é, o modelo precisa ser atrativo para todos os participantes do ecossistema. Segundo ele, a principal migração para M-Payment se dará nas transações em dinheiro e em cheque. “A Febraban está trabalhando na padronização para ir em direção a interoperabilidade para adoção em escala”, informou.

Parcerias

Gerente de marketing de Produtos e Serviços Financeiros da Vivo, Carlos Roseiro, apresentou três diferentes modelos de parceria já implementados pela empresa e assegurou que essa é a tendência: “A Vivo não pretende ser banco nem emissor de cartão de crédito, mas quer trabalhar em parceria com os agentes da cadeia de valor”, afirmou.

Uma das parcerias da empresa é com o Banco Itaú para emitir um cartão de crédito, com as marcas das duas empresas. A análise de crédito é feita online e a meta é ter, em seis meses, 100 mil cartões emitidos. Com o Bradesco, a Vivo anunciou há um mês uma parceria voltada para novos clientes do banco, na qual a mensalidade paga pela manutenção da conta é transformada em bônus no celular. “Se a mensalidade for de R$ 11, o cliente passa a ter esse crédito no celular”, explicou Roseiro. A terceira experiência da operadora é com Itaú e a rede Mastercard para mobile payment. “A parceria já foi firmada e vai permitir serviços como transferência entre pessoas e pagamentos em lojas, taxi, etc.”, anunciou.

O representante da associação GSM, Ricardo Tavares, lembrou que o Brasil tem cerca de 57% da população ainda não bancarizada e que o celular pode ser o meio para que essa parcela da população tenha acesso aos serviços bancários. “É uma plataforma com capacidade de entregar programas de recursos sociais, ao pequeno agricultor, ou de um programa como o Bolsa Família”, comentou.

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