Avaliação positiva para a BrT


Participando, dia 4, de roadshow com a diretoria de relações com investidores da Brasil Telecom (Ricardo Florence, diretor, e Renata Fontes, gerente), Felipe Cunha, analista do banco Brascan, recebeu uma série de informações sobre a companhia, com as quais divulgou hoje, 7, uma avaliação sobre a empresa, bem como recomendações sobre as ações da BrT. Abaixo, …

Participando, dia 4, de roadshow com a diretoria de relações com investidores da Brasil Telecom (Ricardo Florence, diretor, e Renata Fontes, gerente), Felipe Cunha, analista do banco Brascan, recebeu uma série de informações sobre a companhia, com as quais divulgou hoje, 7, uma avaliação sobre a empresa, bem como recomendações sobre as ações da BrT. Abaixo, seu resumo dos dados que recebeu:

Em 2006, o foco da empresa é a redução das despesas operacionais para elevar as margens dos próximos períodos. Para isso, é essencial a renegociação dos contratos com fornecedores, a ser finalizada possivelmente em maio, e da qual a companhia espera uma diminuição de gastos de aproximadamente 5%, responsáveis por praticamente 33% das suas despesas totais. O número de fornecedores deve ser consideravelmente aumentado, para fomentar a concorrência entre eles.

Pessoal

O corte de 12% no quadro de funcionários feito no início do ano representa uma redução nas despesas com pessoal de cerca de R$ 75 milhões/ano. No primeiro trimestre de 2006, essa economia não deve ser sentida, pois os resultados devem ser afetados com indenizações trabalhistas. Conseqüentemente, os cortes de custos com as demissões e a renegociação dos contratos só vão se fazer sentir a partir do segundo e terceiro trimestres.

De acordo com a BrT, a margem EBITDA deve se situar em torno de 33% em 2006, em linha com a de 2005, caso sejam eliminados os efeitos das provisões realizadas. Há de se ressaltar que as operadoras arcarão anualmente com royalties de 1% da receita dos serviços de telefonia a partir deste ano, fruto da renovação dos contratos de concessão. A empresa destacou, ainda, que todas as provisões adicionais já foram realizadas.

Opex e capex

Além da redução do opex, Cunha considera que outro ponto favorável poderá estar na possibilidade de redução do capex regulatório, em função da apreciação do real frente ao dólar. Com isto, as provisões regulatórias podem ficar abaixo de R$ 600 milhões em 2006, ante a estimativa inicial de R$ 600 milhões a R$ 800 milhões. O capex total estimado inicialmente para 2006 situava-se entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,5 bilhões.

Dividendos

A perspectiva da empresa com relação à melhoria da distribuição de proventos está relacionada principalmente ao desempenho da BrT nos próximos trimestres e com a diminuição do opex e capex, de forma a viabilizar uma maior geração de caixa.

A BrT sinalizou, ainda, a possibilidade de realizar um programa de recompra de ações. “De acordo com nossa percepção, o programa poderá estar voltado para a BrT operadora, em função dos baixos patamares de preços atuais desta companhia”, assinala o analista.

Telecom Italia

Com o vencimento, em 28 de abril, do acordo entre a Telecom Italia e o Opportunity, e caso o Opportunity não consega reaver os direitos advindos do acordo “guarda-chuva”, a Telecom Italia poderá retomar com força as negociações, pois terá certeza do controle/administração após a compra potencial das participações do Citi e fundos de pensão. Soma-se a isso as recentes declarações do presidente da Telecom
Italia na América Latina, reafirmando o interesse na operadora e na maior rapidez na busca por uma definição final.

Outro ponto de pressão, potencialmente favorável à venda da companhia, estará situada no prazo limite de outubro/06 para solução da sobreposição de licenças entre Brasil Telecom e TIM.

Recomendação de compra

Cunha finaliza reafirmando que as ações da empresa são a melhor opção no setor de telefonia fixa, principalmente em virtude do espaço considerável para melhora das margens, alcançando patamares em linha com o setor. Diante disso, os esforços da atual administração e uma melhor performance da operação móvel (break even previsto para o primeiro trimestre/07) serão cruciais para números positivos, e estes devem ser reportados principalmente a partir do 2º/3º trimestre deste ano. Classifica como preços justos R$26,82 para BRTP4, representando uma alta de 65,5% sobre a cotação 04/04, e de R$ 19,48 para BRTO4, elevação de 76,6% sobre a cotação de 04/04.

O analista acrescenta que as ações ordinárias da empresa parecem uma alternativa bastante interessante, no momento, em função da potencial retomada das negociações entre sócios; dos recentes acontecimentos importantes no sentido de invalidação definitiva do acordo guarda-chuva como a decisão proferida pela desembargadora Letícia Sardas na 8ª Vara Cível do Rio de Janeiro, negando o pedido de efeito suspensivo pelo Opportunity; do fim do acordo envolvendo Telecom Italia e Opportunity; da sobreposição de licenças, que favorece uma solução obrigatória que pode passar pela venda da BrT à Telecom Italia; e dos patamares de preços ventilados no passado para essa eventual transação, em torno de R$70/80 por ação, em que pese a discussão sobre a possibilidade (ou não) de tag along para este caso específico. Esses fatores favorecem o direcionamento dos esforços de compra da Telecom Italia para as participações de Citi e fundos na empresa, conclui Felipe Cunha.

(Da Redação)

Anterior TV digital: Lula autoriza viagem de ministros
Próximos CEO da Nokia: a voz não foi aposentada.