Até 2017, as exportações vão representar metade da receita da Padtec


Líder na América Latina em sistemas de transmissão óptica, a brasileira Padtec deve, em três anos, chegar a um faturamento de R$ 1 bilhão, metade do qual gerado por vendas no mercado externo, inclusive nos Estados Unidos.

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Jorge Salomão Pereira presidente da Padtec (foto: divulgação)

Os resultados de 2014 só serão tornados públicos em fevereiro ou março, mas o ano, difícil para a indústria brasileira, foi bastante positivo para a Padtec, que tem como sócios o CPqD, o fundo IdeaisNet e o BNDESPar. Ela deverá crescer na casa dos dois dígitos (em 2013 faturou R$ 350 milhões) e, segundo seu presidente, Jorge Salomão Pereira, para este ano é esperado um crescimento ainda mais agressivo. Ele aposta numa melhoria do mercado brasileiro e em vendas mais substantivas para o mercado norte-americano, onde o foco são sistemas de transmissão de maior capacidade tanto para redes terrestres como para redes submarinas.

Spin off do CPqD, a Padtec, aos treze anos, prepara-se para dar um salto e sair do patamar de empresa média para uma grande empresa, com atuação internacional. O investimento pesado em tecnologia – 19%, em 2014 – é o seu diferencial para se manter competitiva e na fronteira do conhecimento em sua área de especialização – sistemas ópticos de transmissão, agregadores ópticos de tráfego e sistemas ópticos para redes de acesso. Em março, coloca no mercado seu mais novo desenvolvimento. Um switch OTN (Optical Transport Network), no estado da arte, que se encontra entre os três primeiros do mercado mundial.

Nesta entrevista, Salomão conta um pouco da estratégia da empresa no mercado externo – já está presente sem seis países das Américas, Europa e Oriente Médio – e no desenvolvimento de produtos.

Tele.Sintese – Em 2014, vocês expandiram a atuação no mercado internacional, com subsidiárias na Colômbia e Estados Unidos. Como foi o desempenho?
Jorge Salomão Pereira – Ambas as filiais já trouxeram resultados muito promissores, em 2014. A Colômbia foi nosso melhor mercado na América do Sul, com vendas substanciais para nosso tamanho. Nos Estados Unidos também (a filial foi aberto no Tennessee), com as primeiras vendas para o mercado norte-americano. Nos dois países estamos indo bem. Nos Estados Unidos, o foco está nos produtos (de transmissão óptica) de 100 e 200 Gbps. Temos uma linha nova, de 200 Giga, para o mercado de transmissão de grande quantidade de informação entre dois datacenters. Na Colômbia, estamos colocando os produtos de 100 Giga e também os menos de 40 Giga e 10 Giga. O que tem ajudado nossa atuação nesses dois países são os produtos de transmissão óptica submarina. Estamos com duas frentes de negociação em aberto. E para nossa surpresa, a demanda parece estar acima do que havíamos estimado.

Tele.Síntese – Vocês já têm sistemas de transmissão óptica submarina em operação?
Salomão – Hoje, nós temos, na linha de sistemas submarinos, os melhores transmissores de mercado de 100 Gbps. Melhor no seguinte sentido. Ele tolera uma degradação do sinal maior e ainda mantém o desempenho. Temos dois clientes fazendo uso desses transmissores entre Estados Unidos e Brasil, cujos nomes não posso revelar por acordo de confidencialidade, e seis projetos em discussão. Temos também um regenerador moderno, o que significa menor consumo de energia, maior robustez, maior capacidade de amplificar um grande número de pares de fibra. Esses são produtos para os quais o mercado, principalmente o norte-americano, tem boa demanda.

Tele.Síntese – Na América Latina, a Padtec já está na Argentina e no México. Por que a Colômbia?
Salomão – A Colômbia passa por um grande ciclo de investimentos. Sua economia é muito próxima dos Estados Unidos e ela investe hoje em redes de transmissão para cruzar o Golfo do México. Além do mercado de transmissão óptica submarina, a Colômbia tem uma empresa mista de redes de transmissão de energia elétrica e de telecom, a Internexa,que atua na América Latina e aqui no Brasil (comprou a NQT do Rio de Janeiro, no ano passado). A Internexa já era nossa cliente e decidimos ficar mais próximos. Daí a razão da filial na Colômbia.

Tele.Síntese – Quantas são as operações da Padtec no exterior?
Salomão – Além das quatro já citadas nas Américas, estamos na Itália e Israel. O que já se reflete nos resultados da empresa. Em 2014, a Argentina foi nosso segundo melhor mercado (depois do Brasil), somos o segundo fornecedor em nosso segmento, tanto das redes que vão para a Cordilheira dos Andes como as que descem até a Patagônica. Os financiamentos concedidos pelo Brasil ajudam imensamente nesse mercado.No México, temos um cliente super importante,que está no Brasil, o grupo América Móvil. E a entrada nos Estados Unidos foi uma decisão estratégica, pois lá as redes crescem continuamente, se renovam a cada ano, é um mercado muito efervescente. E os sistemas de comunicação óptica tem papel muito relevante nas redes norte-americanas por conta da capacidade de transmissão. Na Itália, atendemos ao mercado europeu e temos também a parte de desenvolvimento de componentes ópticos, que usamos em nossos equipamentos. E, em Israel, tivemos um bom ano, a companhia cresceu, com resultado positivo. Lá, a companhia trabalha fortemente com transceptores ópticos de elevada taxa, 100 e 200 Giga. Tudo isso é muito sinérgico. A Padtec é uma empresa que reúne, de forma única hoje no mercado, uma enorme competência em transceptores ópticos (Israel), em sistemas ópticos submarinos (pessoal do Brasil mais o pessoal da Itália), e uma presença forte no mercado da América do Sul, onde temos a posição de liderança, de acordo com a Infonetics.

Tele.Síntese – Como foi 2014 em números?
Salomão – O ano foi bom, devemos crescer na casa dos dois dígitos (em 2013, o faturamento foi de R$ 350 milhões), com rentabilidade. Os números estão sendo auditados agora em janeiro e deverão ser aprovados pelo Conselho em fevereiro e, então, divulgados.

Tele.Síntese – E as previsões para 2015?
Salomão – Devemos ter um crescimento um pouco mais agressivo. Por que? O ano passado foi um ano de transição no Brasil, de transição política, com ocorrências que aumentaram o custo do capital de giro, que subiu rápido demais, o custo da conversão de moeda. Agora a moeda está mais estável. O que mais nos atinge são as variações rápidas, pois tornam a administração muito complexa. Então, temos uma moeda mais estabilizada, os ajustes econômicos criam um cenário de investimento. Estamos esperançosos de que haja essa estabilidade no mercado brasileiro e aumento de demanda. Já o mercado norte-americano continua crescendo num ritmo forte. Nas regiões onde a gente atua é surpreendente. Por isso acredito que as exportações, em dois, três anos, vão representar metade da produção. No ano passado, as exportações mais que dobraram. E este ano deverão representar de 20 a 25% do faturamento bruto.

Tele.Síntese – Quais são os avanços nas linhas de produtos?
Salomão – Temos basicamente três linhas de produtos. Os sistemas WDM (Wavelength Division Multiplexing) que têm a plataforma 6400 e a plataforma OTN Switching, que vai ser lançada no mercado em março. No WDM temos uma linha de produtos de transmissão óptica para aplicações terrestres e outra para aplicações submarinas. Na área de agregação de tráfego metropolitano, de borda de rede, temos uma linha de produtos que usam a tecnologia MPLS (Multi Protocol Label Switching)TP, produtos que são usados de forma intensa nas redes de backhaul de telefonia. São produtos que agregam tráfego e transmitem. Por fim, temos produtos para as redes de acesso, os produtos GPON. Em particular na linha GPON Gigabit-capable Passive Optical Networks), nossas vendas em 2014 se multiplicaram por mais de 3.

Tele.Síntese – O que esse lançamento, a OTN Switching, traz de novo para sua linha de produtos para backbone?
Salomão – As redes de backbone usam um protocolo para transmissão de informação, que é chamado OTN (Optical Transport Network). Na medida em que essas redes ganham maior uso desse protocolo, você precisa trabalhar o roteamento, o agrupamento de informações de outros protocolos, como internet, SDH, Fibre Channel. Então, temos equipamentos que são usados nos nós principais do backbone e são capazes de trazer esse tráfego multiprotocolo, traduzi-lo para uma forma agnóstica, independente do protocolo, e fazer os devidos encaminhamentos dentro da rede. Esse nó que faz a agregação agnóstica e o encaminhamento em diferentes comprimentos de onda do tráfego é chamado de um comutador, um switch OTN. E nós desenvolvemos um equipamento de ponta, um equipamento talvez o mais sofisticado da engenharia nacional, com capacidade de 7.2 Terabit por segundo. É um produto para operadoras e que também vamos comercializar no mercado norte-americano. É um produto no estado da técnica, comparável aos melhores produtos desse mercado. Se fossemos fazer uma classificação dos seis ou sete fabricantes mundiais de switch OTN, eu diria que estaríamos entre os três primeiros (ao lado de Alcatel Lucent e Ciena).

Tele.Sintese – Qual sua expectativa sobre os investimentos das operadoras brasileiras neste ano?
Salomão – Acho que as operadoras devem passar por um ciclo virtuoso de investimento. Houve uma movimentação de consolidação no mercado, a mais recente GVT com Vivo, talvez haja mais um movimento de acomodação. Na minha opinião, isso vai fazer com que o número de operadoras seja compatível com o mercado, o que cria condições mais adequadas de remuneração do investimento e, portanto, de investimentos mais expressivos na rede. Para o fornecedor, a concentração traz riscos. Mas no balanço das coisas, o mais positivo são os movimentos que trazem mais investimento, pois é isso que se desdobra na indústria.

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