Associações de ISPs querem proteção contra efeitos do PLC 79


Representantes de pequenos provedores em evento promovido pela Furukawa / Foto: Tele.Síntese

As entidades representativas dos provedores regionais de internet (ISPs) querem proteção contra possíveis danos ao segmento que, em sua opinião, podem surgir com a aprovação do PLC 79 pelo Senado ontem. Ele querem evitar que sejam afetados pelas grandes operadoras com a injeção de investimentos em áreas já atendidas pelo segmento de menor porte. Vários dirigentes das entidades participam de evento realizado em Atibaia (SP) pela Furukawa.

Para o diretor administrativo da Abrint, Breno Vale, existe o perigo de que a aprovação do projeto resulte em novos recursos vultosos para as grandes operadoras gerando uma “concorrência desleal” com as pequenas empresas do setor. Ele espera que as entidades do segmento sejam ouvidas para a definição das áreas onde esses recursos serão investidos, inclusive na elaboração de novo projeto de lei, conforme foi exigido pela oposição para votar a favor da aprovação do texto.

A Abrint foi uma das entidades ouvidas pela relatora da matéria na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado, a senadora  Daniela Ribeiro (PP/PB). “Não podemos deixar isso só com a Anatel. Queremos participar para evitar sobreposição de infraestrutura”, disse Vale ao Tele.Síntese.

Segundo a Anatel, o Brasil conta com 17 mil pequenos provedores, dos quais cerca de 8 mil estão em operação atendendo 9 milhões de usuários em todos os serviços de telecom. As entidades apontam que já têm cerca de 30% do mercado, segundo a agência reguladora.

Judicialização

Nas palavras do presidente da  Associação Brasileira de Operadores de Telecomunicações e Provedores de Internet (Abramulti), Robson Lima, as entidades vão organizar um movimento para proteger os ISPs contra avanços das operadoras nas áreas em que já atuam. Se necessário, Lima pensa em ação judicial para assegurar esses direitos, financiamento e apoio aos pequenos provedores.

Segundo o assessor jurídico da Abramulti, Paulo Henrique Vitor, haverá oportunidade de maior participação do segmento nos debates, inclusive com a realização de audiências públicas, o que não ocorreu durante a tramitação do PLC no Senado.  

*O jornalista viajou a convite da Furukawa

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2 Comments

  1. Valdeke Silva
    15 de setembro de 2019
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    Mais uma vez, o corporativismo mostrando suas garras. Por causa disso, as empresas brasileiras tendem a continuar pequenas e por consequência, frágeis. Fala-se muito em liberdade. Porém, o que se vê em qualquer setor da economia brasileira é o medo da concorrência.

  2. Luiz
    23 de setembro de 2019
    Responder

    Mendigar protecionismo… isso é o que faz com que os brasileiros nao cresçam.
    Vejam a VERO e a Algar como bons exemplos de empresas brasileiras que encaram de frente as grandes sem precisar se esconder nas asas do poder do estado.
    Governo deve regular até certo ponto apenas para não virar bagunça… a concorrencia é que faz o empresario se “mexer”… sair da zona de conforto.

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