Associação quer disseminar parcerias entre setor público e lan houses


A Associação Brasileira dos Centros de Inclusão Digital (Abcid) começa a registrar as ações realizadas em parceria com o setor público com o objetivo de disseminar as boas práticas entre os 12 mil membros da entidade. “Há muitos desafios jurídicos que precisam ser sanados para ampliar as possibilidades de parcerias com o governo, mas o principal deles é cultural. O governo precisa entender que a inclusão digital exige um olhar mais voltado à liberdade ao invés do controle”, observa Mário Brandão, presidente da Abcid, que participa do Fórum de Cultura Digital Brasileira, na cidade de São Paulo.

Um exemplo, segundo Brandão, é a experiência na prefeitura de Salvador que resolveu oferecer acesso à internet aos estudantes da rede pública por meio das lan houses com a condição de que houvesse garantia de filtro e bloqueio da navegação concedida. “As lan houses podem até utilizar filtros no acesso, mas não podem garantir esse controle como contrapartida até porque essa contrapartida não faz parte da inclusão digital. O digital precisa ser livre”, defende. O resultado foi a baixa adesão das lan houses ao projeto de Salvador: de 50 interessadas, apenas seis aceitaram as condições da prefeitura, o que refletiu na falta de capilaridade do acesso à internet aos estudantes.

Brandão explica que essa necessidade de controle por parte do setor público prejudica muito as parcerias não só em função de contrapartidas impraticáveis como também de imposições que ferem o negócio das lan houses como transformá-las num telecentro. “O centro de inclusão digital não deve ter o selo da prefeitura ou do estado como identidade de negócio, mas pode ser um parceiro importante na entrega de serviços públicos”, esclarece.

A Secretaria de Educação do Amazonas entendeu muito bem essa lógica com o projeto de recarregar os créditos do transporte escolar por meio das lan houses e obteve o retorno da capilaridade. Brandão conta que a recarga era feita em seis pontos públicos, o que gerava filas enormes dos estudantes. Com o projeto, a recarga passou a ser feita por 64 lan houses e mais sete novos pontos da prefeitura. Resultado: enquanto os pontos de recarga da prefeitura cadastraram 14 mil pessoas no período de duas semanas, as lan houses registraram 480 mil cadastros para o atendimento dos estudantes. “Além da capilaridade, as lan houses têm a vantagem de funcionar das 7h00 até 24h00, os sete dias da semana, enquanto os pontos de recarga da prefeitura funcionam de segunda a sexta-feira, das 7h00 até 16h00. Ou seja, a dinâmica é outra”, ressalta.

O Sebrae também tem sido um parceiro importante para as ações com setor público. Brandão conta que na Bahia mais de 35 donos de lan houses foram capacitados para instruir o público sobre as possibilidades de uso, além do email e Orkut. O próximo passo será promover mutirões, conhecidos como Batismo Digital Empreendedor, com objetivo de disseminar a cultura digital entre os usuários das lan houses. “Os centros de inclusão digital têm potencial para funcionar como canais de entrega de serviços públicos e também como atores importantes no processo de cidadania digital com objetivo de contribuir, inclusive, com empreendedorismo no Brasil”, conclui. (Fonte: Wireless Mundi)

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