AsGa parte em busca do mercado de provedores regionais


 

A empresa de tecnologia nacional cria produtos para pequenos provedores
A empresa de tecnologia nacional cria produtos para pequenos provedores

Depois de amargar uma queda no faturamento e prejuízo no ano passado, em decorrência da redução das contratações pelas operadoras, em especial a Oi, seu maior cliente, o grupo Asga espera crescer 40% em 2014, em que completou 25 anos no mercado de telecomunicações,  e fechar no azul. Isto, graças à diversificação de seu mercado. Na área de comunicação óptica, lançou comercialmente este ano um produto para os provedores regionais, considerados a quarta maior operadora do país. E sua spin off, a AG Placas Eletrônicas, que fabrica para demanda própria e terceiros, está ampliando sua carteira de clientes: depois da Panasonic, DLink e Radwin fazem parte da lista, entre outras empresas.

O grupo, que nos bons anos já faturou perto de R$ 250 milhões, espera retomar esse patamar em 2015, para o qual projeta mais um crescimento também de de 40%. Hoje, o grupo AsGa – a empresa foi criada para desenvolver e fabricar componentes ópticos – reúne quatro empresas: a Asga S/A, com foco em sistemas ópticos e rádios; a AsGa Sistemas, uma empresa de software; a AG Placas Eletrônicas, criada para fabricar equipamentos para a própria Asga e para terceiros; e a Inova Participações, uma empresa de inovação incubada na Unicamp.

Sempre focada nas operadoras de grande porte, a AsGa entrou no mercado para fabricar componentes ópticos na década de 1980. Foi criada por três sócios oriundos do Instituto de Física da Unicamp – José Ellis Ripper Filho, Francisco Mecchi e Francisco Prince. A abertura do mercado industrial do governo Fernando Collor (1990-1992), a levou a passar de fabricante de componentes ópticos a fabricante de equipamentos ópticos, lembra José Ellis Ripper Filho, hoje presidente do Conselho da AsGa S/A.

Foi bem-sucedida. Como empresa de capital nacional, e de tecnologia nacional, conseguiu ir em frente. Há três anos, decidiu que tinha que diversificar. Começou pela AsGa Sistemas, que se dedica ao desenvolvimento de software (ela desenvolveu e opera o sistema de billing da Oi). Entre eles, sistemas de gerência automática e real de redes. Abriu a AG Sistemas Eletrônicos, em Santa Rita do Sapucaí (MG), impulsionada pela mão de obra local (graças à formação do Inatel, Instituto Nacional de Telcomunicações) e às isenções fiscais de Minas Gerais.

Neste momento, começa a construir fábrica própria, de 12 mil metros quadrados. A partir de 2013, a AG Placas Eletrônicas, com faturamento de R$ 18 milhões, começou a fabricar para terceiros, que já respondem pela maior parte da produção. “Focamos num nicho de baixo volume, mas de alta especialização”, comenta Ripper.

Acesso óptico

A maior empresa do grupo é a AsGa S/A, com suas linhas de modems ópticos (ainda responsáveis pela maior parte de seu faturamento), switches, acesso WDM e GPON, e rádios digitais. “O grande diferencial de nossa linha de rádios é que os equipamentos conseguem transmitir vencendo grandes distâncias mesmo sem visada direta”, comenta Ripper. Seu link com maior distância, de 170 quilômetros, foi instalado para ligar Peruíbe, no litoral de São Paulo, a uma plataforma da Petrobras na região de Ilha Bela.

Para ampliar o seu leque de clientes, até então concentrado nas grandes operadoras, a AsGa lançou este ano a linha GPON Light Drive, plataforma de acesso óptico para para FTTH (Fiber To The Home) e FTTB (Fiber To The Building). A linha anterior não contava com esta funcionalidade. Com esse produto, o objetivo da empresa, de acordo com André Marino, gerente de marketing da AsGa S/A, é entrar no mercado de provedores regionais de serviço de telecom, no qual vai competir com as brasileiras Padtec e Parks, e com multinacionais como Furukawa, Huawei e Alcatel-Lucent, entre outras. “O diferencial de nossa linha Light Drive está na OLT (concentrador) com caraterístics de switch Layer 2 e 3 e unidade do cliente FTTH e FTTB, com interfaces de dados, voz e vídeo”, explica Marino.

Novos sócios

A AsGa não desistiu de ganhar músculos por meio de parceria, fusão ou mesmo venda de uma de suas áreas de negócios. “Continuamos atentos às oportunidades”, diz Ripper. Em outubro do ano passado, a empresa comunicou oficialmente o término das negociações com a gaúcha Datacom. O fracasso do projeto de criar uma sólida empresa nacional de sistemas de telecomunicações e software, por meio da junção das duas empresas que seriam comandadas por uma holding, frustou as expectativas dos envolvidos na operação, que contava com o suporte do BNDES.

 

 

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