AsGa ataca em várias frentes: software, wireless, serviços de manufatura.


A AsGa, empresa que começou atuando no ramo da microeletrônica, vive atualmente sua terceira onda. Ou, a “AsGa 3”, como gosta de dizer seu fundador, o ex-professor da Unicamp José Ellis Ripper Filho – um dos introdutores da fibra óptica no Brasil. Em fins dos anos 80, com o desmantelamento do Plano Cruzado, a antiga …

A AsGa, empresa que começou atuando no ramo da microeletrônica, vive atualmente sua terceira onda. Ou, a “AsGa 3”, como gosta de dizer seu fundador, o ex-professor da Unicamp José Ellis Ripper Filho – um dos introdutores da fibra óptica no Brasil. Em fins dos anos 80, com o desmantelamento do Plano Cruzado, a antiga Elebra (empresa da “reserva  de mercado” das telecomunicações e informática) acabou se dissolvendo. O Itaú comprou a parte de circuitos integrados, mas recusou uma divisão menor, quase um “patinho feio” da história – a de optoeletrônicos.  

Ripper, à época diretor da Elebra, aceitou o desafio de tocar o “projeto” com investimento próprio e de um amigo sócio. E passou a produzir, na região de Campinas, lasers semicondutores de arseneto de gálio (daí AsGa) e outros produtos de microeletrônica. O processo de abertura do mercado interno levada a cabo pelo presidente Fernando Collor, nos anos 90, tornou inviável esse negócio e Ripper apontou os negócios para outra direção (para não falir): fabricação de equipamentos ópticos de acesso. Era AsGa 2.

A nova empreitada se sustentou até o estouro da bolha das telecomunicações – em 2001. “Todo mundo sabia que ia estourar, mas não esperávamos uma baixa no mercado internacional de telecom”, diz Ripper. “Começamos a perceber, a partir daí, que uma empresa focada em nicho não sobreviveria”, acrescenta. Era o embrião da AsGa 3 – que agora começa a se consolidar.

"AsGa 3"

Um dos grandes negócios dessa nova fase foi a criação da AsGa Sistemas – empresa de software para gerenciamento de rede, detecção de fraudes, etc. A Sistemas é controlada pela AsGa, mas tem sócios  distintos – justamente do ramo de TI. No ano passado, a empresa foi responsável por R$ 15 milhões dos aproximadamente R$ 60 milhões de faturamento da AsGa (o core business continua sendo o acesso óptico). Grande parte desse dinheiro veio de um contrato com a Telemar, que adquiriu um software de banco de dados para bilhetagem. “Foi a primeira vez que uma operadora grande colocou uma empresa brasileira no coração de sua rede”, orgulha-se Ripper – lembrando que a Trópico, ao lado da AsGa, também foi selecionada.    

Mas a terceira onda é mais extensa. Outra empresa nos mesmos moldes da Sistemas foi criada, a AsGa Wireless – que aproveitou a desistência da NEC de fabricar rádio digital no Brasil. Os equipamentos foram tomados em comodato e boa parte da equipe técnica da NEC foi para a AsGa. “Este ano, pela primeira vez, a Wireless (que também comercializa para área de acesso) deve dar lucro”, informa Ripper.

Mas não para por aí. Há também a AG Placas Eletrônicas, essa sim, 100% controlada pela AsGa. Trata-se uma montadora de componentes – por enquanto para demanda própria. Inaugurada há um mês em Santa Rita do Sapucaí (MG), a fábrica, com seus 30 funcionários, só ocupa 20% de sua capacidade. Até por isso, Ripper planeja prover serviços de manufatura para terceiros. “O ideal é que a AsGa, como conhecemos hoje, torne-se uma holding – com várias empresas embaixo, inclusive de serviços. Esse é o conceito”, finaliza.

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