As TICs estão muito longe das salas de aula


Uma pesquisa realizada em cerca de 500 escolas públicas urbanas do país exibiu os primeiros contornos do mapa do atraso no uso de Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) na Educação brasileira. Divulgada hoje, a primeira Pesquisa TIC Educação, coordenada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br), ligado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), mostrou que, embora 81% das escolas tenham laboratório de informática, cerca de 22% das máquinas instaladas não estão funcionando. Apenas 4% das escolas declaram ter computadores dentro da sala de aula — e são grandes as chances de que se tratem de notebooks pessoais, dos professores, uma vez que 41% dos docentes que têm portáteis dizem que levam seus equipamentos para a escola.

O levantamento do NIC.br comprovou ainda que a aplicação pedagógica das TICs sofre as consequências da deficiência na formação dos professores. Nesta edição da pesquisa, que entrevistou apenas professores de Matemática e Português, menos da metade dos docentes (48%) relata ter feito um curso específico para uso de ferramentas tecnológicas — o restante aprendeu por esforço próprio ou com outras pessoas. Exemplos que chamaram atenção pelo subaproveitamento das TICs no ambiente escolar: em exercícios para fixação de conteúdo, responsáveis por 90% das práticas pedagógicas diárias, apenas 23% dos docentes usam computador; nas aulas expositivas, que correspondem a 70% das práticas pedagógicas, o computador é usado em 24% dos casos. Para Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, os resultados da pesquisa indicam a necessidade de incentivar outras formas de utilização das TICs educacionais, pois “o cotidiano do ensino-aprendizagem acontece principalmente dentro da sala de aula e não no laboratório de informática”.

Entre as principais deficiências descritas no cotidiano da escola, 77% dos docentes consideram insuficiente o número de computadores por aluno, 69% acham que faltam máquinas conectadas à internet e 67% reclamaram da falta de recursos de acessibilidade nos equipamentos. A grande maioria das escolas tem acesso à internet (92%) e, dessas, 87% se conectam por meio de “tecnologias de banda larga” — embora o levantamento não disponha de dados sobre capacidade de link e velocidade de tráfego. “Tivemos uma grande dificuldade em obter esses dados pois grande parte dos diretores de escola não sabe dizer qual é a banda contratada. Em uma das escolas visitadas, o diretor tinha ficado sabendo que havia internet uma semana antes do pesquisador chegar, porque um técnico da operadora apareceu para um serviço de manutenção de rotina”, conta um técnico responsável pela metodologia e pela aplicação da pesquisa.

A próxima edição da pesquisa vai incluir 200 escolas particulares. E o CGI.br fará uma análise qualitativa do uso das TICs em doze escolas, de quatro regiões do país. Ao longo de quatro anos, será feito um acompanhamento detalhado do cotidiano escolar para avaliar a utilização das TICs e a evolução das práticas pedagógicas.

Para consultar a pesquisa completa – www.cetic.br/educacao/2010

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