As redes de telecomunicações móveis e a Copa do Mundo de 2014


O CPqD acaba de concluir, a pedido da GSM Association, um estudo detalhado sobre o planejamento das redes de telefonia móvel para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, com aspectos relevantes que se aplicam também às Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Neste artigo, Ricardo Tavares, destaca alguns pontos do estudo, que …

O CPqD acaba de concluir, a pedido da GSM Association, um estudo detalhado sobre o planejamento das redes de telefonia móvel para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, com aspectos relevantes que se aplicam também às Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Neste artigo, Ricardo Tavares, destaca alguns pontos do estudo, que aponta avanços nos serviços de dados, como a TV móvel e as redes sociais móveis.

O CPqD acaba de concluir, a pedido da GSM Association, um estudo detalhado sobre o planejamento das redes de telefonia móvel para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, com aspectos relevantes que se aplicam também às Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

As imagens recentes e entristecedoras das chuvas no Rio de Janeiro, durante as quais mais de 200 pessoas morreram e o estádio do Maracanã foi devastado pelas águas, bem como a advertência do comitê organizador da Copa de 2014, da FIFA, de que o trabalho de reforma dos estádios brasileiros está atrasado, devem servir de alerta não só para o governo como também para a sociedade civil.

O sucesso da Copa de 2014, das Olimpíadas de 2016 e de qualquer evento desse porte depende de iniciativa, investimento e supervisão do governo, associados a uma ampla mobilização da sociedade civil organizada, inclusive do setor privado. O gigantesco fluxo de pessoas previsto em tais eventos potencializa as necessidades de infraestrutura e vários serviços básicos, como transporte, distribuição de água, saneamento, eletricidade, serviços financeiros, bancários, de saúde e telecomunicações.

Nos serviços de telecomunicações, o destaque serão as redes móveis. O estudo do CPqD relaciona sugestões bastante concretas, para as prestadoras do Serviço Móvel Pessoal (SMP) do Brasil e para os comitês organizadores desses eventos, sobre como se deve começar a construir desde já uma estratégia para assegurar que, na área de telecomunicações móveis, o Brasil venha a apresentar uma excelente performance, tanto em 2014 quanto em 2016. É indispensável garantir que os esforços realizados para esses eventos deixem um legado positivo para o povo brasileiro e engrandeçam a imagem do País. E vale destacar que, em relação às telecomunicações móveis, nota-se uma enorme coincidência entre as metas projetadas pelo CPqD, para servir bem aos eventos, e as metas nacionais para melhorar os serviços e ampliar a penetração da banda larga, um importante objetivo do País neste momento.

O estudo do CPqD aponta que, até 2014, serviços de dados que tiram proveito da tecnologia 3G podem deslanchar, como a TV móvel e, principalmente, as redes sociais móveis. Uma das razões para se acreditar que as redes sociais móveis serão um sucesso é que sua adoção pelos usuários de internet no Brasil foi muito maior do que em outros países. Esse comportamento deverá causar um grande impacto no tráfego das redes em 2014 e demandará mais faixa de frequência, otimização da infraestrutura de rede e planejamento de contingência para garantir a disponibilidade e a qualidade dos serviços.

Um ponto que chama a atenção nas análises do CPqD é a relevância do LTE, a quarta geração da telefonia móvel, com velocidades de transmissão de dados via banda larga móvel de 50 a 100 Mbps. Em 2014, haverá cerca de cem redes LTE no mundo, com mais de 500 milhões de usuários de LTE e 1,2 bilhão de conexões HSPA.  Estima-se que mais de 1 milhão de pessoas visitarão o Brasil para a Copa do Mundo, em junho e julho de 2014, entre turistas, profissionais ligados ao evento e jornalistas. Uma parcela significativa desses visitantes trarão terminais LTE.

Para viabilizar a presença do LTE no Brasil em 2014, é preciso planejar a partir de agora. Não é possível deixar para a última hora. Em especial, o CPqD recomenda que espectro adicional e em bandas mais largas seja oferecido ao mercado de telefonia móvel, para introduzir o LTE no Brasil. O CPqD identifica a banda de 2.5 GHz como aquela capaz de dar a oportunidade de várias operadoras alcançarem 2 X 20 MHz, num total de 2 X 70 MHz para todas as operadoras móveis, ou 140 MHz, na banda de 2.5 GHz.

Esta é uma importante recomendação, mas não a única feita pelo CPqD. O roaming é outro item de destaque e que deve ser cuidadosamente analisado, uma vez que se trata de um evento esportivo mundial, sediado em várias cidades, que receberão muitos visitantes. Mas os desafios vão além de estimar demanda e tráfego, que devem ser planejados também de acordo com os riscos envolvidos, principalmente as novas ameaças emergentes, que podem afetar diretamente a qualidade e a disponibilidade dos serviços móveis existentes.

O mundo convergente e com total mobilidade, previsto como pano de fundo para a Copa do  Mundo de 2014 no Brasil, representa um novo cenário de novas ameaças, que deve ser trabalhado.

É essencial preparar-se para dar segurança às redes de telecom na Copa. Um caminho  é usar os próximos eventos entre este ano e 2014, como os jogos militares, para experimentar inovações de serviços (tais como a TV no celular) e, acima de tudo, engajar o governo e as empresas de telecom num ambiente cooperativo para planejar o sucesso da Copa e das Olímpiadas. A cópia do documento completo do CPqD está à disposição dos interessados no site da GSMA: www.gsmworld.com.

Ricardo Tavares é vice-presidente sênior de políticas públicas da GSMA e presidente da TechPolis, Inc.

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