As celulares querem ganhar dinheiro com a TV móvel


Este ano, o Congresso Mundial Móvel, o maior evento da telefonia celular, que se encerrou ontem em Barcelona, não provocou o furor de edições anteriores, pois não trouxe nenhuma tecnologia disruptiva (como o IPhone do ano passado), e nem foi palco de reclamação das operadoras de telecomunicações, que finalmente começam a ver suas receitas aumentarem …

Este ano, o Congresso Mundial Móvel, o maior evento da telefonia celular, que se encerrou ontem em Barcelona, não provocou o furor de edições anteriores, pois não trouxe nenhuma tecnologia disruptiva (como o IPhone do ano passado), e nem foi palco de reclamação das operadoras de telecomunicações, que finalmente começam a ver suas receitas aumentarem com serviços de dados. Criou, contudo, a oportunidade para se identificar os conteúdos que vão justificar essa incessante necessidade de ampliação de investimentos em redes banda larga.

O Congresso Mundial Móvel mostrou que são três as apostas do setor: a TV móvel, a propaganda no celular e a transferência eletrônica de dinheiro. Para essas frentes, foram apresentadas soluções tecnológicas, alternativas de acesso, softwares, modems e aparelhos. Mais importante, o evento mostrou que começam a se consolidar modelos de negócios para suportar a demanda dos usuários por mais banda, ao menor custo possível.

TV móvel

E a TV móvel desponta como uma das alternativas para justificar os investimentos das prestadoras de serviço, e para a indústria já se movimentar na busca das novas gerações tecnológicas. Como será essa TV? Alguns apostam em conteúdos feitos especialmente para o celular; outros estão firmando contratos com distribuidores de programas de TV paga; e mais alguns apostam na transmissão dos sinais da TV aberta. Mas todos querem transmitir tudo. Esse formato, no entanto, depende também das especificidades de cada país.

Nesse particular, o Brasil tem peculiaridades: desde restrições regulatórias até a adoção de diferente padrão tecnológico para a TV terrestre digital. No momento em que as celulares brasileiras constroem suas redes de 3G, o conteúdo de TV passa a ser peça-chave para fomentar o uso dessas redes. Mas, se as operadoras estão impedidas de prestar serviços de TV paga, estariam dispostas a transmitir os sinais de TV aberta? Ou a subsidiar esses aparelhos, mais caros, sem receber pela transmissão dos sinais?

Roberto Lima, presidente da Vivo, assinala que a renda da população brasileira é forte limitador para a disseminação dos aparelhos aptos a transmitir os novos streamings de vídeo. Mas observa que as empresas acabarão comercializando esses aparelhos, mesmo que para atender a pequena parcela dos clientes, desde que não gere custos. “O subsídio ao aparelho ficará restrito aos serviços de telecomunicações e não ao da radiodifusão”, diz.

TV paga

Mario Cesar Pereira de Araujo, presidente da TIM, ao anunciar, em Barcelona, a nova geração de serviços em seis capitais brasileiras, no final de março, afirmou ao Tele.Síntese que começará a 3G já com a oferta de pacotes de programas de TV paga. Para isso, terá que fazer um malabarismo para não ferir a legislação, firmando parcerias com empresas que têm licenças de TV paga. Quanto aos sinais de TV aberta, ele lembra que, com o padrão japonês no Brasil, as emissoras podem transmitir seus sinais sem precisar das redes de celular, mas, destaca ele, as operadoras não vão subsidiar o aparelho. “O cliente terá que pagar o preço cheio”, afirmou.

Conforme o presidente da TIM, alguns fabricantes estimam levar esses aparelhos ao Brasil a preços de US$ 800. Araujo sabe que essa não é a melhor solução e ainda acredita na parceria com as emissoras de radiodifusão aberta. “A nossa rede móvel pode ser usada para a interatividade. Se firmarmos esses acordos, geraremos receitas com a TV aberta, as emissoras de radiodifusão também ganharão dinheiro e poderemos, então, popularizar esses telefones.”

Para o presidente da Qualcomm, Marco Aurélio Rodrigues, a TV móvel – aberta ou fechada – virá inexoravelmente para o país, por pressão dos usuários. Já Rogério Loripe, vice-presidente da Ericsson, acredita que a produção comunitária (do tipo YouTube) e os conteúdos peer to peer serão os principais incentivadores da disseminação da TV móvel, aqui e no mundo. Para Victor Agnellini, presidente da Alcatel-Lucent para o Caribe e América Latina, em qualquer alternativa, as operadoras acabarão forçadas a mudar a forma de cobrança desses serviços. Hoje, a maioria limita a quantidade de pacotes de dados que pode ser baixada pelo usuário. No futuro, diz, a tarifa terá que ser flat. Mais banda, fim do limite de download, conteúdos gratuitos. Nessa equação, as operadoras apostam na publicidade, com diferentes modelos de negócios.

* A jornalista viajou a convite da Alcatel-Lucent

Anterior Alcatel-Lucent vai expandir rede NGN da Brasil Telecom
Próximos Google deve abandonar leilão de 700 MHZ